Amor entre Pessoas que Nunca se Viram
Entre minha costela esquerda e o baço,
ele instalou seu ateliê:
um ser que não é meu,
e que, no entanto, me conhece mais do que eu.
Não trouxe flores —
apenas o silêncio que já habitava minha boca
antes mesmo que eu aprendesse a mentir.
Veio como vêm as coisas irremediáveis:
sem alarde,
sem pedir licença,
sem se importar se eu estava pronto.
Chegou sem fazer barulho,
apenas se aninhou,
como se sempre tivesse estado ali.
Como se o corpo fosse seu
antes de ser meu.
Limitou-se a ocupar o espaço
que eu, ingênuo, julgava vazio.
Não paga aluguel,
mas exige tudo: os sonhos que engoli antes de sonhar,
as margens dos meus livros
sujas de hesitações,
a primeira palavra
que travei na garganta.
Não fala.
Não precisa.
É o hiato entre um pensamento e outro,
o instante suspenso antes do tombo,
a sombra que se alonga no meu cansaço.
Ele não dorme.
Fica acordado à noite,
costurando meus pesadelos.
E quando meu corpo — traidor — se entrega ao sono,
ele deita-se ao meu lado
e sonha os meus sonhos
melhor do que eu.
Às vezes, penso que sou ele.
Ou que ele me esculpiu
enquanto eu fingia estar vivo.
Move-se sob a pele,
apaga-me aos poucos no reflexo do espelho, mistura seu medo com meu suor.
Seus argumentos crescem em meus interstícios,
como ervas daninhas entre rachaduras.
Já tentei revoltas.
Ergui fortalezas de papel.
Quis incendiar a casa toda.
Tentei ser dono de mim.
Mas como arrancar da carne
aquilo que já se tornou carne?
Há dias em que temo
que esse vazio
seja a única herança que deixarei.
A certeza de que, um dia,
vou olhar para dentro
e não reconhecer
nem o vazio.
Talvez um dia eu acorde,
e ele terá ido embora.
Ou talvez eu acorde,
e já não reste
ninguém.
Jesus promovia a autoavaliação entre seus aprendizes, levando-os a refletir sobre atitudes, crenças e valores. Para isso, utilizava as parábolas - um método pedagógico atualíssimo - que promoveu renovação, transformação e mudanças nas pessoas daqueles dias, e continua fazendo o mesmo em nossos dias.
"Entre aplausos vazios e abraços frios, percebi que estar cercado de gente não é o mesmo que ser acolhido."
A diferença entre estar bem e sentir-se bem são alguns passos ou talvez algumas milhas de muitos sorrisos.
Acordei do mesmo jeito, só que em melhor sintonia, num lugar onde eu posso cantar e espalhar energias positivas com o coração leve...
🥰 Bom dia, vida 😄💝
E então, estou aqui, entre o espaço e a verdade, cortada tão bruscamente do meu eu mais profundo, de um tempo no espaço que insistiu em me trazer do fundo para a realidade crua e nua que eu deveria viver. Aqui, o meu eu sonhador que adormeceu entre o tempo e o espaço desse meu eu de hoje, que insiste simplesmente em ser feliz.
Espero que sua lucidez não a impeça de ser feliz. Entre a coerência e a felicidade, escolha a felicidade.
Esse é o mundo entre a vida e a morte. Mesmo se retornar ao mundo dos vivos, dentro de algumas décadas, inevitavelmente voltará aqui. Afinal, todos os caminhos levam à morte.
O ensino fundamental, pra mim, era como a fase entre o girino e o sapo -- acho que podemos dizer que é um período de transformações grotescas.
Erva-mate folhas que falam.
Entre campos de verde intenso, onde o vento sussurra histórias, nasceu um elo entre caminhos, tecendo fronteiras, moldando memórias.
Raízes fundas sob a terra, folhas que falam sem voz, erva-mate, irmã do tempo, guardiã de um povo feroz tribo guarani guerreiros herdeiros desta terra.
Ponta Porã, portal sem muros, sangue misto na mesma estrada, misturam-se línguas e gestos, no mate quente, na cuia gelada.
O tereré, frescor da manhã, Refresca o corpo e o pensamento, enquanto o chimarrão, atento, aquece os laços no firmamento.
Dividiu-se a terra, mudou-se o nome, mas nunca a alma do lugar, cada gole é um pacto antigo, de quem nasceu pra aqui ficar.
No ciclo eterno da bebida, Entre rodas, mãos e tradição, mate é símbolo, mate é vida, é a essência da região fronteiriça.
O frio e a paisagem.
Entre névoas e neblinas que dançam no frio, e um vento que conta segredos ao léu, há um pedaço do mundo perdido, um sul europeu sob o céu fronteiriço.
Ponta Porã e Pedro Juan, irmãs, separadas apenas por linha imaginária e discreta, misturam-se línguas, misturam-se danças, e as vozes do tempo ecoam inquietas.
Vieram tropeiros, vieram guerreiros, os guaranis, os espanhóis distantes, os portugueses bandeirantes, gaúchos e correntinos sonharam, nesta terra de vida vibrante.
O mate aquece, o tereré refresca, bebida que cruza as eras e laços, um ritual sem começo ou fim, que une estradas, povos que cresceram entre os ervais da região.
O frio borda a paisagem em prata, mistura emblemática sob o verde dos campos e matas a névoa esconde o que o tempo deixou, lamentos perdidos no vento antigo, memórias que a alma soprou.
Mas há calor nos rostos, nas mãos, na fronteira que nunca se encerra, onde o passado caminha presente, escrito nos traços desta terra.
O Direito ensinou-me a argumentar. A vida ensinou-me a calar. E entre um e outro, aprendi que nem tudo o que é legal é justo — e nem tudo o que é justo é legal.
Solidão não é ausência de companhia.
É o vazio que grita, mesmo rodeado de vozes.
É estar entre todos, mas não pertencer a ninguém.
E essa diferença… mata aos poucos
Escrevo porque as palavras são pontes entre o caos da alma e a ordem do mundo, onde o indizível encontra morada.
“O que fazemos é viver. Cada momento, cada dúvida, cada saudade. Vivemos no espaço entre o que é e o que não é. E isso, por si só, já é a nossa verdadeira liberdade.”
