Amor Dolorido
Na graciosidade dos pequenos gestos,
Busco cada pedaço teu,
Cada palavra bem colocada,
Com o dom que Deus me deu,
Presenteio com doces versos,
Ignorando o final do mundo,
No afã de te encontrar,
E fazê-lo para sempre todo meu.
Eu tenho a minha própria graça,
Conheço cada espaço teu,
Cada fenda bem colocada,
Com a maciez que você concedeu,
Presente com doces amplitudes,
Ignorando as longitudes,
No afã de te saborear,
E deslizar em plenitudes...
Na imensidão do mar com ou sem luar,
Escolhi te amar,
Viver amando cada parte tua,
Espalhar pétalas de flores,
Para celebrar o maior de todos os amores,
Ignorando os desafios [enfim,
Porque tenho certeza
de que eu nasci para você,
E que você nasceu para [mim.
Se o mundo realmente acabar,
Não importa desde que sobre nós dois,
Que não se esgote a poesia,
E não fuja de nós os desejos,
Seja no balanço da praia,
Ou nos lampejos do trovão,
O mundo pode até acabar,
Menos o amor na imensidão.
Não se castra a poesia de [ninguém,
Quem castra - age como quem rouba a fé,
Uma poesia castrada,
- é como o brilho dos olhos roubados de
[alguém
Não se castra a poesia de [ninguém.
Das vezes que eu tentei te procurar,
Você não quis deixar,
O meu amor te amar,
E no teu coração eu penetrar.
Não se abafa o canto de [ninguém,
Quem abafa - age como quem acaba com o oxigênio,
Um canto abafado
- é como um país que virou terra de
[ninguém
Não se abafa o canto de [ninguém.
Do meu escrever sobre o amor,
E sobre o teu sentir,
Eu quis falar,
E você não quis me ouvir.
Quem me dera ser
repentista nordestina,
- só para cantar
os repentes de menina,
Quem me dar ser
o doce Rio Jacumã,
- só para me encontrar
com o seu mar,
Quem me dera ser
a carinhosa duna,
- só para apreciar
esse calmo desaguar,
Quem me dera ser
o amoroso Sol,
- só para brindar
esse espetáculo de amar,
Descrevendo o amor
e a nossa mística,
- até em dias sem
romance e sem luar,
Escolhi a Paraíba
para descrever e eternizar.
Quem me dera ser
o tempo e ser o vento,
- só para semear corretamente
o sentimento,
Quem me dera ter
nos lábios o sabor de romã,
- só para entretê-lo além da hora
Quem me dera ser
o canteiro de estrelas,
- só para brilhar à beira mar
Quem me dera ser
a água do Rio Jacumã,
- só para com amor
o nosso sentimento regar,
Quem me dera ocupar
a tua vida,
- só para ser o rio
ocupando o teu mar,
E fazer você encontrar
um sentido mais doce,
todas às vezes que me encontrares
para me amar.
Palavras não são como folhas ao vento,
Dizem até que o vento as leva,
Mui diferentemente das folhas,
Elas - as palavras - sempre chegam ao
destino, - não duvide disso.
Lá do alto do Monastério,
Com os braços em direção ao céu
De tom opala e repleto de mistério,
Em busca de retirar todo o véu,
Ele que abriga o mel que te aflige,
Assim bem doce tu redige.
Palavras não voam com o vento,
Elas só trafegam,
Mui diferentemente do que pensam,
Elas ocupam o teu coração,
E tomam conta do teu pensamento.
Vejo no firmamento
do teu corpo,
Tatuadas as setes artes
liberais,
Inscritas deliciosamente,
Capazes de me endoidecer,
E de me invadirem ardentemente,
Rendendo-me severamente.
A tua retórica hipnotiza
a minha dialética,
A tua música a minha gramática
não traduz,
O teu beijo é expressão
- e o teu corpo seduz.
A tua aritmética domina
a minha geometria,
Somos uma constelação
- e uma só astrologia...
Escrevo para no seu
coração criar raízes,
Com a fé de que um
dia seremos felizes,
Não ligue para o que
os outros dizem,
O importante é que os anjos
nos bendizem.
As palavras são
como os bosques,
Elas podem ser
noturnas ou diurnas,
Deixe que permaneça
só os toques,
E que definitivamente
não te percas.
Escrevo para não
ficar de ti isolada,
Porque devagar irei
te adentrando,
Como um carinhoso remanso,
Aos poucos você irá
se apaixonando...
E destes versos
que se encaixam,
Como o bosque
e o remanso,
Sei que cada um
deles te encantam,
Seremos elementos
que se completam.
A tarde chega lentamente,
Exorcizo os fantasmas,
Desocupo a mente,
Dou abertura à poesia,
Ela que me acompanha
Sempre carinhosamente.
O mar alisa a costa,
Sei o que você gosta,
Faço perder a hora,
Rasgo todas as normas,
E você nem se importa,
Assim sou a tua aurora...
Sempre hei de ser tua,
Subversiva e rebelada,
Assim existo para você,
Eu sou a tua amada,
Em versos flamejantes,
Sou o mais lindo dos brilhantes.
A minha poesia é assim:
ela nunca vai atrás.
É você que sente quanta
a falta que só ela faz.
É grande a nossa alegria,
- doce e particular
Nela não cabe nostalgia,
É lira de amor a tocar...
Eu não preciso sair por
aí para te procurar;
- o teu amor sempre te traz.
Fonte que não seca jamais.
Porque tudo em nós é
escrito à quatro mãos,
Nossos suspiros vertidos
do nosso céu são bênçãos...
Pela delicadeza do olhar,
E pelas mãos da mulher,
O Rio não resiste,
- ele se deixa fotografar
Ele sabe o que ela quer
De dia ou de noite,
Caminhando iluminada,
Fazendo boa fotografia,
Lendo boa Literatura,
Nunca será como espuma do mar,
É presença feminina cheia
de balanço do mar...
O Rio por Maris se mostrou,
Que continua lindo,
Enluarado ou estrelado,
Ele sempre será eterno,
Quem nunca se interessou por ele,
- não conhece o seu reinado
O clamoroso barulho do mar,
- é como um clique delicado
Maris soube capturar bem
o seu lindo céu rosado,
O Rio só se deixa ser fotografado
por quem sabe o que quer,
Assim ele se deixa abrir diante dos
olhos enternecidos da mulher...
Tenho flores na fronte
Carrego você comigo,
De mim não te tiro;
O teu beijo é fonte
De toda a inspiração.
Só de te olhar,
Não resisto,
Quero te amar,
Insisto,
Não canso de esperar,
Suplico - e repito,
Como uma oração...
Tenho sabores na boca,
Todos em minha saliva,
Especiais para dois,
Esperando por ti,
Não me farei de esquiva,
Te olhei como quem solicita,
Aguardo você aqui,
Para experimentar,
Para apalpar,
Para acarinhar,
Para beijar,
Para o teu colo me dar.
A tua imagem é evocação
Do que é mais puro,
Do que é mais belo,
Do que há de mais fecundo,
Nunca vi nada igual
Nesse mundo és paraíso,
Um inacreditável feitiço;
Que rendido aos meus versos,
Tornou-se um menino levado,
Em meu peito abrigado,
Farei-te meu bem amado,
Completamente entregue à paixão.
Estamos na mesma busca,
Por amar intensamente,
E viver a vida com ternura.
Porque temos tempero,
Somos capazes de derreter
Qualquer gelo...
Que bom que você gosta,
Até dos meus cheiros,
Assim crescem os desejos...
Fiquei feliz em saber que
Por mim o teu peito transborda,
Por esse coração que te namora.
A gente busca, a gente se busca,
Viver amando para sempre,
O amor existe não só na mente,
Ele é graça divina eternamente.
Cada minuto te atenção é precioso,
Para fazer um elo sagrado para dois,
É preciso nos amar ainda mais, pois.
Estamos na mesma busca,
Por um sentido novo,
Por doces ousadias,
Eu as li nos teus olhos,
Vi que ocupo os teus sonhos,
- sou a tua grave cobiça
A minha poesia te enfeitiça
E a minha presença tem feito
os teus dias mais ledos,
Escreveremos juntos
os mais lindos
enredos...
A tua presença é percebida,
- olho para o céu e te aprecio
Percebo-te divinamente,
Presença boa no coração,
E que apazigua a mente.
Tens tudo de mim,
- sou capaz de prosseguir
És o meu ar - o meu tudo,
Por ti navego pelo mundo,
- entrego-me sem fim
Para o meu Senhor do tempo.
A tua presença fluída,
É expressão do amor,
Por ti escrevo poesia,
Faço-a com bom ardor.
Ossos, músculos e sentimento,
- és completamente meu.
Não calo para o mundo nem
Por um instante - o amor amante.
Imagem e matéria fulgurante,
Não te perco, e nem me faço errante.
Trago em mim esse amor valente,
Existe gente que se engana que sente,
Eu sinto-o verdadeiramente,
Seguindo a vida encantadoramente,
Como um rio calmamente
Levando o barquinho tranquilamente...
Escrevo como quem planta girassóis,
Descansando ao som dos rouxinóis.
Imaginando a cena debaixo dos lençóis,
Porque busco estar contigo a sós.
Eu percebi que jamais irá me abandonar,
Li nos teus olhos a vontade de ficar,
E todo o amor que há de me dar,
Um dia a gente irá se entregar,
Sou a poesia que chegou para abalar.
Escrever versos mal comportados é arte,
Escrevo como quem a ideia persuade,
Para despertar a imaginação,
E despertar em ti a mais louca vontade...
Eu li nos teus olhos a verdade,
Tens loucura por mim,
E bem sabes que sou um caminho sem volta,
Uma verdadeira paixão sem cura.
Uma real presença para a eternidade.
O teu cuidar e a tua palavra dita:
"- Não irei te abandonar...".
Escrevo como quem premedita
As noites de amor que estão para chegar...
Desses teus lindos olhos carrego
o desejo indizível de uma tarde
de afagos ainda [abafados],
Dos teus lábios bem contornados
carrego o desejo incrível de tê-lo
grudado em meus [beijos].
Você sabe que fala com os [olhos],
e percebe que para mim eles
não são indecifráveis;
Desse teu palpitar que se transfere
do teu peito para o meu,
só aumenta o meu [desejo].
Da tua latinidade, e em cada sutil
insanitude brota e flui a tua doce
beatitude de ser [apaixonado;
Altivamente sou capaz de escrever
versos com o leite e o mel
que escorrem de ti.
Não me recrimines! Faço tatuagens
- em todos os lugares-
com a ponta dos meus dedos
e com a tua [saliva]...
Cada sorriso teu é um convite,
para o meu sorriso sorrir
ainda mais, e ser feliz da [vida].
Sim, sim, sim...
Só consigo te dizer: - Sim!...
Porque te quero perto e aqui.
Dessa lembrança boa e carinho
- derramado;
ainda tenho o teu cheiro
em meu olfato - divina oferenda!
Perfumado incenso que inundou
para sempre e me encoraja
a não abandonar o meu intento
de tê-lo além do pensamento,
Assim vou preparando:
o caminho, o mergulho e o voo
do nosso particular contentamento;
Dando asas e pernas ao sentimento
para viver intensamente
no futuro esse lindo [momento]...
O Nordeste tem um feitiço
Que mexe com o meu juízo
Não penso em outra coisa
Eu vou para João Pessoa
Você não apareceu à toa
Vou te amar de um jeito
Gonzaguianamente especial
Porque com ele eu aprendi
Que posso ir além do xote
E do xeiro no cangote
Posso te furtar um beijo
E aumentar o teu desejo
Só quero, só penso, não nego
Que quero o teu beijo roubar
Sonho com os olhos abertos
Rezo com os olhos fechados
Estou querendo te namorar
Vou te amar arretadamente
Que só a sanfona dá conta
Do nosso forró especialmente
Que vai além da mente
Sacodindo o corpo e o coração
Capaz de fazer chover no Sertão
E inundar o mundo inteiro com paixão
Persiste o teu perfume
floral em mim,
O tempo não perdoa,
ele é ampulheta;
O toque de doçura
faz o diferencial,
Os grãos de areia
dançam o minueto,
Persiste o desejo,
eu jamais o esqueço.
O meu arfar praiano
é o meu feitiço,
Lembrarás de mim
perdendo o 'juízo',
O teu coração é meu..., confio;
Em dias de Sol
e noites de frio,
Aqui em Balneário Barra do Sul
- eternizo.
Você é como as dunas
que mudam de lugar,
O teu coração não resiste
em me levar,
Ele bate sempre forte
de tanto me amar,
Em Salinas será
para sempre o teu lugar,
Está aqui o beijo doce
capaz de te adoçar.
A minha poesia viverá
para sempre em ti,
E jamais os meus versos
hão de se apagar,
O teu beijo pode alcançar
outras moças,
Vive a certeza que você
não deixará de me amar.
A poesia não se entrega assim,
Traze para mim o teu coração,
Entrega-o todo para mim,
Sem cerimônia, e com emoção;
Não desistirei da nossa paixão,
Entregue-se todo e sem fim.
O amor plantado em versos,
Às vezes comete excessos,
Estou uma lira doce enfim,
Pronta para ser bem tocada;
Especialmente para ser amada,
Coisa de alma apaixonada.
A minha veia poética forte,
Não precisa levar versos,
Eles são incensos frescos,
Que seguem em nuances
E atingem a doces toques;
A poesia consegue criar raízes.
A procura pelo amor às vezes
deixa marcas (cicatrizes),
Mas sempre há uma coragem
que faz com que não (desistas);
A poesia que tem os seus apelos
e amorosamente dá (pistas).
Devagar pela
minha rua
porque o meu
tornozelo
ainda me exige,
e não posso
mais ir longe.
Ah, ao menos
os verdes morros
me fazem tranquila!
Venho assim
sentindo os efeitos
da queda,
e da temperatura.
Ah, como essa
Humanidade
anda estúpida!
Dessa maneira
e todos os dias
venho nutrindo
a utopia de salvar
a mim mesma
e de quem da
salvação precisar.
É dos pássaros
que tenho a melodia
para musicar
e condensar a poesia.
Estou aqui na ilha das palavras,
- gozando da condição de prisioneira
O firmamento me fitando,
chego até a escutar a voz de Deus:
"- E agora, minha filha? ".
Só me resta recordar o teu arfar,
e com o teu amor sonhar...
Porque até o mar brinca comigo como
um jogo de espelhos que quando penso
que estou me vendo: na verdade é você
que estou vendo e rememorando...
O azul do mar, a areia branca, as rochas
e o meu cantar - estão a te procurar...
Do que adianta ter veia poética, e o teu
coração não ter conseguido tocar?
Resolvi de vez me ilhar aqui (na ilha das
palavras), fazer rendas com as meninas e
ainda crer que o seu amor poderá voltar.
Porque até a brisa e a maresia à partir de
hoje não tem mais o mesmo perfume,
Não sei mais se devo te escrever, te falar
ou apenas cantar. Só Deus é quem sabe.
Uma coisa é certa: os meus dias não serão
como antes: irei dedicar cada rosário
para a Nossa Senhora dos Navegantes.
Para que ela te lembre das noites amantes,
nas quais as estrelas e o luar se fizeram
ainda mais brilhantes - extasiantes!...
Estou como uma felina estendida no
tapete (esperando) o afago do dono;
com os meus olhos caídos,
e versando sobre o abandono na esperança
de receber um carinho e o nosso reencontro.
Não sei mais como
me dirigir à você,
Nem tampouco agradá-lo,
Fiz de tudo para cativá-lo,
Não sei nem mais como
me chegar até você.
Por tantas horas
de espera,
E o coração batendo
acelerado,
E eu pedindo um
cadinho de atenção,
Não sei nem mais
o que fazer, estou
pronta para fazer
da Lagoa das Lágrimas a (minha);
- estou perdida
Gostaria de percorrer
de novo o caminho que me
leve de volta
para o seu coração
- agora só tenho
estes meus versos
para me dar uma direção.
Não quis lhe agredir,
só quis um pouco de atenção,
Pela primeira vez senti-me
sentenciada por ser poetisa,
Fui colocada para fora
da tua vida - do teu coração,
Condenada por amar o Brasil
em versos sem malícia.
Estou chorando,
você nem imagina...
Por todas as horas
que me senti ignorada,
Carregaste um pedaço meu para ti,
E abandonaste no meio
da estrada,
Mas tenha a certeza
de uma coisa: você se foi,
e a minha poesia há
de ser fazer refeita, ainda mais
iluminada e eterna.
Afinal, até em Guarapuava
encontrei sementes para
lançar na terra - e fazer-me eterna.
Uma vez encontrado
o sentido do amor no Paraná,
O coração sempre voltará
porque o amor ali está,
Estou esperando daqui
para frente a atitude valente,
que você tomará
- e se o nosso amor
de fato desabrochará.
Você não entendeu que sou poetisa,
- e vais me condenando por eu
Escrever poesia
Como presa algemada caminhando
Rumo ao Fortim de Atalaia,
- escrevo versos perfumados
Por cevada
Agora estou em Guarapuava,
- apreciando as araucárias
Esperando que você volte atrás,
E juntos nos envolvamos
Novamente como uma primavera
Em plena florada...
Desconfio que você,
Assim como eu que não
Está entendendo nada,
Estou diante do Rio Jordão
Espalhando versos e perfumes
Para chamar a tua atenção:
- quero de volta a tua mão.
Nunca se esqueça que o amor é uma
Primavera que não passa;
Quando olhares para a noite enluarada,
Lembrarás de cada verso que a nossa
História se fez inspirada.
Sob as bençãos de São Francisco e São João,
A Lagoa das Lágrimas refletirá
O nosso amor que permanece no coração.
O teu coração se voltará para a tua poetisa
E baita mulher, que você finge em não querer.
Que o teu coração persiste em renegar,
E que no fundo te falta a coragem
Para lutar - e se entregar.
Da tua mente não irei me apagar,
Porque a minha poesia mora nos
Teus poros e o teu corpo não se
Esquece de quanto é bom me amar...
