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Amor de Tios

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O amor mais obcecante para alguém é sempre o amor de outra coisa.

O começo e a terminação do amor defrontam-se uma à outra, como enigmas.

O amor é como as epidemias: quanto mais o tememos, mais expostos a ele estamos.

Por mais descobertas que se tenham feito nos domínios do amor-próprio, ainda ficarão muitas terras por descobrir.

Qualquer amor encerra um abismo, que é o prazer.

Muitas vezes o amado desencadeia a força lentamente acumulada no coração daquele que ama. O amor é uma coisa solitária. É esta descoberta que faz sofrer.

O amor lança fora o medo, porque o medo produz tormento. Aquele que teme não é aperfeiçoado.

Amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus.

Só deixa saudades quem foi amor, mas só tem saudades quem ama. Saudades, sim. Tristeza não.

Quero amor, diário. Quero sentir meu coração se derreter e quero ver as
estalactites do meu gelo se quebrando e afundando no rio da paixão, da beleza.

O amor tem frequentemente o rosto da violência.

Desculpe amor. Prometi que iria te esquecer, mas me esqueci da promessa que lhe fiz.

A magnitude de ser humilde é poder cultivar, em paz, o amor com as próprias mãos.

Dão-me pós, comprimidos, banhos, injeções, clisters, quando tudo o que eu preciso é amor.

Nostagia de um amor que me animasse. É isso que me torna desajeitada, a falta de prazer. Desejo de amor. Desejo de amar.

Onde há amor, nunca é realmente escuro.

Fugi do fogo para não me queimar e fui cair no mar, onde me afogo.

A certos respeitos, aquela vida antiga aparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é também exato que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de memória, conservo alguma recordação doce e feiticeira.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

A. impossibilidade de participar de todas as combinações em desenvolvimento a qualquer instante numa grande cidade tem sido uma das dores de minha vida. Sofro como se sentisse em mim, como se houvesse em mim uma capacidade desmesurada de agir. Entretanto, na parte de ação que a vida me reserva, muitas vezes me abstenho e outras me confundo. […] A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas — basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro à minha frente. O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido. Nem me consola o pensamento de que, entrando na confrontação simultânea de tantos acontecimentos, eu não pudesse sequer registrá-los, quanto mais dirigi-los à minha maneira ou mesmo tomar de cada um o aspecto singular, o tom e o desenho próprios, uma porção, mínima que fosse, de sua peculiar substância.

Para demonstrar o erro era preciso alguma coisa mais do que arruaças e clamores.

Machado de Assis

Nota: Trecho do conto O Alienista (1882).