Amor de Menina
“O Amor Que Nasce em Silêncio”
Cresce ao teu lado, invisível flor,
Um sentimento puro, de imensurável ardor,
Como hera que abraça o muro antigo,
Sem que percebas, eu te sigo.
És cega aos passos do meu coração,
Que bate forte nesta doce ilusão,
Como lua que beija o mar adormecido,
Meu amor por ti tem florescido.
Não vês as raízes que plantei,
Neste jardim secreto onde te sonhei,
Cada olhar meu é semente lançada,
Em terra fértil, porém ignorada.
Cresce em mim esta paixão profunda,
Como aurora que a noite fecunda,
E tu segues teu caminho sereno,
Sem sentir este amor tão pleno.
Um dia, talvez, possas despertar,
E este sentimento enfim notar,
Que cresceu paciente, ao teu redor,
Esperando apenas por teu calor.
Pois o amor verdadeiro assim se faz:
Em silêncio cresce, discreto e tenaz,
Até que os olhos consigam, afinal,
Ver o jardim que sempre esteve no quintal.
Os Olhos da Alma
Vivemos cercados por grandes discursos sobre amor, relacionamento e conhecimento, como se essas riquezas estivessem escondidas apenas em feitos grandiosos, em declarações memoráveis ou em momentos raros. Mas a verdade costuma caminhar em silêncio. O essencial quase sempre mora no pequeno, no simples, no que passa despercebido aos olhos distraídos.
Muitos procuram o amor como quem busca um espetáculo. Esperam fogos de artifício, promessas eternas, cenas dignas de aplauso. No entanto, o amor verdadeiro frequentemente se revela em gestos que não fazem barulho: em uma escuta sincera, em um copo d’água oferecido sem pedir, em alguém que percebe o cansaço do outro e permanece ao lado. O amor não precisa gritar para existir. Ele sussurra.
Também o relacionamento se perdeu, em muitos casos, na aparência. Fala-se em conexão, mas vive-se distante. Compartilham-se imagens, mas não intimidade. Trocam-se mensagens, mas não presença real. Um relacionamento não nasce da quantidade de palavras ditas, e sim da verdade contida nelas. Ele floresce quando duas almas decidem se enxergar além das máscaras diárias.
E o conhecimento, esse tão celebrado, não se resume aos livros empilhados ou aos títulos pendurados na parede. Há sabedoria em quem aprende a ouvir, em quem observa o tempo das coisas, em quem entende a dor alheia sem precisar explicações longas. Há mestres anônimos sentados em bancos de praça, em cozinhas simples, em mãos marcadas pelo trabalho. Nem todo saber veste formalidade.
O problema é que nos acostumamos a olhar depressa. E quem olha depressa, vê pouco. Passamos por manhãs bonitas sem notá-las, por pessoas valiosas sem reconhecê-las, por oportunidades de amar sem percebê-las. A vida oferece tesouros discretos, mas exige sensibilidade para encontrá-los.
É por isso que precisamos olhar com os olhos da alma.
Os olhos comuns enxergam forma, cor e distância. Os olhos da alma enxergam intenção, dor, beleza escondida e verdade silenciosa. Eles percebem quando um sorriso pede socorro. Notam quando o silêncio de alguém é cansaço e não indiferença. Reconhecem amor onde outros veem rotina.
Talvez o maior erro humano seja esperar que o extraordinário venha sempre vestido de grandiosidade. Muitas vezes, ele chega disfarçado de simplicidade: uma conversa breve que cura, um abraço sem palavras, uma lembrança gentil, um perdão concedido, uma presença fiel.
Quem aprende a ver assim nunca mais chama de pequeno aquilo que carrega eternidade.
Porque o amor está nas entrelinhas do cotidiano. O relacionamento está no cuidado constante. O conhecimento está na humildade de aprender com tudo. E a vida, em sua mais pura grandeza, continua acontecendo nos detalhes que só os olhos da alma conseguem notar.
“Ode ao Amor Eterno”
Na vastidão do tempo que transcorre,
Encontrei-te, minh’alma geminada,
E em teus olhos o universo corre,
Constelação de luz apaixonada.
Teu corpo é verso que minha pele escreve,
Poema vivo em cálida prosódia,
Onde cada carícia se atreve
A compor sinfonias de melodia.
És tu o porto da minha errância,
O farol que ilumina meu destino,
Em teus braços encontro a bonança,
E mergulho em êxtase cristalino.
Quando nos fundimos em ardente enlace,
O mundo some em nossa intimidade,
E o tempo, suspenso, já não passa,
Somos um só na eternidade.
Teu sussurro é prece que me embala,
Teu toque é bênção que me consagra,
Em cada beijo, a alma se revela,
Em cada abraço, o amor se sagra.
És a musa que inspira meu viver,
A poesia feita carne e essência,
E amar-te é renascer, é transcender,
É encontrar na entrega a transcendência.
Para sempre serás minha verdade,
Meu recomeço e minha conclusão,
O amor que habita na imensidade
Do mais profundo verso do coração.
“Se tudo o que você ofereceu não foi suficiente,
ofereça sua ausência.”
Se o seu amor não foi percebido,
se o seu cuidado virou costume,
se a sua presença deixou de ser encontro
e passou a ser apenas conveniência,
vá.
Não como quem castiga.
Não como quem deseja vingança.
Mas como quem finalmente compreendeu
que também merece ser escolhido.
Você ofereceu tempo,
e tempo é pedaço de vida.
Ofereceu colo,
quando o mundo do outro desabava.
Ofereceu silêncio,
quando nenhuma palavra poderia curar.
Ofereceu perdão,
até para feridas
que jamais deveria ter recebido.
E ainda assim,
não foi suficiente.
Então não ofereça mais.
Há momentos em que permanecer
é uma forma silenciosa
de abandonar a si mesmo.
E nenhum amor merece
que você desapareça de si
para continuar existindo
na vida de alguém.
Por isso, vá.
Leve consigo aquilo
que o outro não soube reconhecer:
a sua delicadeza,
a sua lealdade,
a sua maneira inteira de amar.
Talvez somente no vazio
a sua presença seja finalmente percebida.
Talvez seja no silêncio da casa,
na cadeira vazia,
na mensagem que não chega,
no telefone que não toca,
que alguém descubra
o tamanho daquilo que tinha.
Mas não vá esperando que sintam sua falta.
Vá porque você finalmente
sentiu falta de si mesmo.
Porque chega um momento
em que o último presente
que podemos oferecer a quem
não soube cuidar da nossa presença
é exatamente este:
a nossa ausência.
Criar um filho é a eterna busca pelo equilíbrio; entre o desejo de agradar dizendo 'Sim' e o amor escondido na preocupação de cada 'Não'.
*Relacionamento moderno: três meses de amor, dois minutos de texto,
uma vida de bloqueio.*
— Van Escher
*RAÍZ DE 1979*
Disciplina não é falta de amor. É prova dele.
Criar filho é corrigir, orientar, dizer não.
Quem ama de verdade não terceiriza a educação.
_Van Escher_
*Te amo mais que um planeta inteiro.*
"Filha, meu amor de mãe por você não cabe em quilômetros.
Tem que medir em sistema solar."
_Van Escher _
*Amor verdadeiro de mãe*
Amor de mãe não tem CEP.
Não cabe em uma rua.
Num bairro.
E não se mede em km.
Se mede em:
Galáxia.
Órbita.
Sistema solar.
Coração de mãe é gigante como uma galáxia gigantesca!
_Van Escher _
*Dor de amor passa!*
Porque coração é músculo.
Machuca, cicatriza e fica mais forte.
Colo de mãe cura porque tem diploma que
nenhuma faculdade dá.
É curso intensivo de colo terapia.
É especialização em abraço que conserta.
Doutorado em eu estou aqui!
_Van Escher_
_Amor verdadeiro não te pede para escolher entre ficar ou abortar.
Um inocente que não tem voz para se defender.
Amor ama o próprio sangue.
Amor não é te dar duas opções: vida ou morte.
Se tem isso, não é amor. É sentença.
Van Escher
Reclamam que ninguém tem conteúdo.
Mas viraram conteúdo de golpe.
Prometem amor.
Entregam prejuízo.
Na alma.
Tem gente vazia
enchendo o outro de dúvidas e dividas.
Porque coração não é piada
e palavra passou a egigir fiador.
Van Escher
Tem muita vítima calada achando que a culpa é dela.
Quando na verdade não era amor.
Era estelionato.
Van Escher
Tem gente que exala companheirismo, amor, sinceridade, brilho no olhar e firmeza nas palavras.
E tem gente que nem usando os melhores perfumes importados consegue disfarçar o cheiro de mentira e podridão.
— Van Escher
O amor que sobrevive a uma renúncia incerta não é um erro; é a pedagogia do afeto que nos ensina a não mais sermos estrangeiros de nós mesmos no futuro.
