Amor de Menina
O homem que conversa com uma mulher com segundas intenções jamais vai entender que a primeira faz toda diferença
CLADISSA - ROMANCE. N° 59.
LIVRO - 59
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"CAPÍTULO VI"
"A DIGNIDADE ENTRE A TERRA E O OLHAR"
A Úmbria do século XI não era apenas geografia. Era estrutura feudal, era hierarquia sacramentada, era ordem imposta sob o duplo jugo da espada e do altar. Após a fragmentação do poder carolíngio, as pequenas senhorias tornaram-se centros autônomos de comando, onde a vida camponesa se submetia à lógica da dependência e da proteção. Naquele contexto, a mulher sem linhagem era invisível aos registros, mas não aos olhares.
Cladissa caminhava pelos campos como quem carrega não apenas feixes de trigo, mas o peso de uma condição social irreversível. Órfã de camponeses, destituída de dote, alheia às alianças matrimoniais que sustentavam a economia feudal, ela não possuía moeda de troca. Ainda assim, despertava investidas.
A razão não residia na posse, mas na presença.
A mentalidade medieval compreendia a mulher sob três categorias recorrentes, a virgem, a esposa, a pecadora. Tal tripartição, difundida pela teologia latina e consolidada na cultura eclesiástica do período, formava o horizonte moral da época. A autoridade espiritual exercida por centros como a Abadia de Monte Cassino, sob influência da tradição beneditina fundada por São Bento de Núrsia, impregnava o imaginário com uma disciplina que exaltava o silêncio e a submissão.
Mas havia outra força. A política.
A região da Úmbria encontrava-se sob disputas constantes entre a autoridade imperial do Henrique IV e o poder papal de Gregório VII, cujo conflito culminaria na chamada Querela das Investiduras. O poder era tensão. A tensão infiltrava-se nas aldeias. Onde há instabilidade, há oportunismo.
Cladissa representava algo raro. Beleza associada à altivez moral. Não era a sedução vulgar das feiras itinerantes, nem o riso fácil das tavernas. Era compostura. Em uma sociedade rigidamente estratificada, a dignidade em corpo pobre provoca inquietação. Ela não se inclinava além do necessário. Não oferecia palavras supérfluas. Não solicitava proteção. Isso bastava para despertar desejo e desafio.
Os jovens escudeiros viam nela a possibilidade de conquista. Para eles, a mulher sem tutela masculina constituía território disponível. Alguns pequenos proprietários a percebiam como eventual concubina útil. Havia também homens sinceros, que a observavam com respeito contido, temerosos de aproximar-se por não possuírem recursos para elevá-la socialmente.
A estrutura feudal operava sob pactos. Casamento era contrato econômico. Amor era luxo. Uma camponesa órfã, ainda que virtuosa, raramente ascendia sem mediação clerical ou proteção senhorial. No entanto, a história demonstra que períodos de transição institucional abrem fissuras nas hierarquias. A instabilidade do império, as tensões entre Roma e os príncipes germânicos, o enfraquecimento de determinadas casas locais criavam margens de mobilidade inesperada.
Cladissa não compreendia os tratados políticos, mas percebia as mudanças no ar. Mais soldados cruzavam as estradas. Mensageiros passavam com pressa. Homens discutiam tributos nas portas das igrejas.
Ela sentia que algo maior movia-se.
Seu silêncio não era ignorância. Era prudência.
No interior da pequena igreja rural, sob afrescos já desbotados pelo tempo, Cladissa ajoelhava-se não por submissão servil, mas por convicção íntima. A fé medieval era simultaneamente temor e esperança. O sermão falava de culpa, de pecado, de vigilância. Contudo, para ela, Deus era abrigo. Não ameaça.
Essa distinção interior tornava-a ainda mais singular.
Entre a terra que lhe sujava as mãos e o olhar que lhe sondava o destino, Cladissa começava a compreender que a verdadeira herança não era dote nem brasão, mas caráter. Em uma era onde o sangue definia o valor, ela intuía que a nobreza podia nascer da conduta.
Os campos permaneciam os mesmos. As muralhas continuavam erguidas. A ordem social não se alterara visivelmente.
Mas dentro dela, algo se consolidava.
E quando a dignidade de uma mulher enraíza-se na própria consciência, nenhuma estrutura feudal consegue mantê-la para sempre confinada ao chão que pisa.
TBT
Dizem que na quinta-feira
é dia de TBT:
hora de lembrança ter,
saudade pra ser certeira!
Mas eu acho isso besteira,
sempre penso no passado,
um lugar já visitado,
um alguém além do tempo,
um dia, um bom momento
no meu peito registrado.
Grandes mudanças não ocorrem na aparência, elas acontecem no interior do ser humano. O problema é que nem todos conseguem enxergar.
"O essencial não é orar muito, mas orar bem. Certas pessoas julgam que todo mérito está na extensão da prece, enquanto fecham os olhos aos seus próprios defeitos. Para elas a prece é uma ocupação, um meio de empregarem o tempo, mas não um estudo de si mesmas."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)
Pesados sentimentos
Triste é meu coração
Pois você não me ama
Desse sentimento não abro mão
Minha alma por ti clama
O amor é para uns uma benção
Para outros uma maldição
Enquanto alguns se alegram por serem amados
Outros choram por serem rejeitados...
Cruel é esse mundo
Onde sentimentos tem grande poder
Carrego um peso profundo
Dentro de meu ser
Choro por amor
Choro por rejeição
Rezo para que em meus últimos momentos
Meu peito agoniado se livre desses tristes sentimentos!
Sentimentalmente eu me abri.
E como num jogo de azar,
lancei a suposta sorte
de você me amar.
De também se apaixonar.
Mas, como sorte não tenho.
Eu perdi.
Ponto,
pra mais uma das tentativas
frustrantes da vida.
Quanta leveza você carrega nesse teu sorriso. Ao ponto de tornar os grandes problemas da minha vida inúteis e incapazes de abalar essa estrutura sólida da história que estamos construindo. Quanta beleza nesse teu olhar. Que me encoraja a olhar pra frente. Na certeza que você estará ao meu lado. Sempre. Quanta verdade na tua palavra. Que, na verdade, nem precisa ser exatamente dita. Quanta força em teu abraço. Um carregador humano de energia positiva. Quanta sorte é você. Ter você. Em minha vida.
Você foi,simplesmente
a pessoa que eu mais amei....
Então volte,então volte,para mim por favor...
Pois eu sem ti,não posso existir nesse mundo obscuro,onde você é a minha única luz.
Do céu ao mar,sol e luar
das trevas á luz,
com toda a certeza e força
saiba que eu sempre irei te amar...
- Eu amo arte.
- Sério? E qual a sua pintura favorita?
- Os seus olhos. Eles me transmitem uma paz que nenhum pôr do sol consegue expressar.
"A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro" Vinicius de Moraes em Para Viver um Grande Amor (Companhia das Letras).
A frente, o desconhecido, tão escurecido em dúvidas
quanto o céu antes do temporal,
a incerteza de minhas ações
gera descontentamento matinal.
Queria seguir os pontos,
queria ligar os pontos,
adentrar a fortaleza e continuar os sonhos,
porém, a incerteza da felicidade
é que faz a mente virar.
Tudo vai ser perfeito,
mesmo não sendo tudo aquilo que se planejou
tudo será intenso, assim como sempre foi,
pois nem o futuro pode apagar as marcas do passado.
As histórias são recontadas de tantas formas,
que chegará dias em que vamos até confundir
se foi no ano novo que nadamos pelados
ou se foi aquele ano que ficamos deitados
dando nome as estrelas até o sol ressurgir.
É tudo indefinido, está relativamente ligado
ao nosso incerto caminho.
Destino, acaso, desejo, talvez, não sei, tomara, futuro,
são pensamentos que geram atitudes
tão desvirtuadas e intrigantes
que é impossível não se atrair...
falar de futuro e sonhos é se mostrar na velhice,
mesmo não sendo tão real, às vezes ilegal,
entretanto sincero e verdadeiro.
É bom às vezes sentir medo,
É livre o arbítrio de ser quem quiser ser
e também pesadas demais as consequências.
Todo livre paga caro por sua maneira de viver,
é raro ser entendido, compreendido e apoiado,
estreitando a linha da loucura e da lucidez
de desejos e desvirtuações,
de anseios e convicções.
A frente o desconhecido, tão escurecido em dúvidas
quanto o céu antes do temporal.
O sangue escorria, naquele líquido vermelho a dor se ia, era necessidade, diferente do desejo e insanidade, a dor parava, descansava. Os olhos fechavam, ali escurecia, sentia-se bem, era o lugar onde se encontrava, sentia o coração ficar calmo aos poucos, história escrita com sangue, se tornando melhor. Pedaços vazios. Mutilação. Restaram os pedaços que se tornaram cicatrizes, aquelas que mais tarde ao passar a mão, se orgulhou por ter aguentado fortemente sozinho, sem precisar da ajuda de quem o julgava e acabava com suas esperanças de viver a história que escrevia.
Vulnerabilidade é sinônimo de coragem.
Coragem de enfrentar tudo e estar vulnerável para melhorar e não desistir.
PARTIU
Foi-se, e a ilusão jogada ao vento
o haver, estar, as românticas luas
quer dizer-te, a todo o momento
que, no falto, tem saudades tuas
E que, no cerrado, o lamento
O sofrer, esquecido, pelas ruas
Chora, e aflige o sentimento
Lacerado, em emoções cruas
Tal o céu cinzento de inverno
O meu amor não mais terno
Branda nesta dor que se tem
Sem ventura, no sentir figura
Pesar, pois, partiu a candura
Contigo e, de mim também!
Agora sei o que é amar alguém. Não importa o que você faça é impossível fugir dos seus sentimentos. É impossível deixar de amá-lo.
(Dong Shan Cai)
Ela teve seu coração desfiado, mas tem fome de resiliência. Não importa se esteja sangrando, ela continua passeando pela vida com seus muros, medos e pontes. Sua maior segurança é a esperança. E quando todo mundo espera lágrimas, ela chega com um sorriso iluminado no rosto. Ela tem um pertencimento próprio que ninguém invade. Ela ama, muito. E, se não a amarem, ela continua amando, mas procurando outros meios de seguir sozinha e amar de novo. Porque, pra ela, o amor sempre vence no final.
