Amor Adolescente
Eu sinto dificuldade para falar de amor
Porque meu espírito crítico é pagão
Minha natureza é a própria natureza
Se as cartas de amor são ridículas
Pessoa..
Falar de amor tem provocado risos
A natureza ama.
Série Minicontos
Amor maternal
Em um dia de muita chuva e trovoada, sinhá coruja procurava atônita comida para os seus dois filhotes indefesos e expostos aos perigos da floresta
De repente encontra o gavião faminto que também caçava seu próximo jantar.
Mamãe coruja implora
- Compadre, se encontrares meus filhinhos poupe-os!
- Mas como vou identifica-los em meu a tantos bichos? - perguntou o gavião
- quando encontrares as mais belas criaturas da floresta serão os meus filhinhos.
E nunca mais sinhá coruja os encontrou.
Amor
Sinto que não amei.
O amor é sinônimo de:
Perdão, compaixão,
Resiliência, empatia
Cumplicidade e ...
Seja por isso que esteja tão
Démodée e ridículo.
SANGRIA DESATADA
O amor quando perde o frescor
Nem a ternura alenta.
Quão orvalho, arrefece mas não molha...
Se existe, queima em brasa ardente.
Ou centelha como fogo de palha.
Sobrenome?
Mera convenção contratual
Mero limbo casual
Rompê-lo nessa sangria.
Não deve ser Vital.
AMOR PELO NÃO
O amor?
Ah, o amor!
Amar sob o gesto de dizer
Não.
O amor sem o não é fugaz e mortal
Quando sim, contrapõe-se à razão.
Logo, é pragmático dizer sim.
Gesticula suposta indulgência
O sim é elementar e mascara
A incoerência, insensatez...
O amor é volúvel quando se atem
Ao sim.
Na sensatez do ser
Não é simplório dizer não
Entretanto, quem ama com razão
Diz não.
O sim remete à compaixão
E segrega as nuances do coração.
Série Minicontos
O NOIVO
Sob juras de amor eterno saíram em lua de mel.
Na curva dos noivos, consuma-se a separação.
Zicoiolo
Se não fosse tão ridículo falar de amor.
Eu iria dizer que te amo em voz alta.
É porque você não presta bem a atenção
Às vezes, eu até expresso.
Só que é tão sutil que você tropeçou.
Ora, eu sou tão intenso, tão plausível que me parece outro.
Meu exterior é norte, alegria e paixão.
Dentro de mim incauto, solidão.
CINESTESIA
Os amantes pensam toda forma de amor.
Os apaixonados encontram onde não estar.
Os inocentes afagam o abstrato...
Os brutos aportam à linha tênue entre a razão e a paixão.
Os racionais?
Ah, os racionais! Usurpam e maculam o belo
Meu coração, pobre sênio abrigado nas rusgas do tempo nauragou
O amor,
criou a chuva,
de tarde, lavou-me,
o amor,
criou as asas,
a noite, livrou-me,
o amor,
é almas, alvas, salvas
céu a céu,
o amor,
vestiu-se, de luzes
tornou-se, humano
Viagem interior
.
Amanheceu,
aqui, estou
breve no olhar,
transparente no amor,
.
no vento,há intervalos
espantos e sentimentos,
hoje carrego,
o meu próprio canto,
ainda ando, tranquilo
respiro, e sei
até aqui,
sou confiante,
viajo dentro de mim.
Receba esse documento,
como oferta de amor,
nas páginas há raiz,
um pouco de vento,
um pouco de mar
de silêncio,
e de dor
E logo terei de morrer,
para reviver nos rios de sabedoria
aonde o amor flui em correntezas
ao som de muitas águas
antigos veleiros
pioneiros dos tempos,
olhares ausentes,
deitamos a sós
NIRVANA
Tão intenso que foi, as folhas que caíram
as raízes que ficaram, nos silêncios de amores
na paz, muitas dores,
no caminho, infinitos.
§
Deus é amor? Sim.
Mas onde eu consubstancio essa experiência?
Além das gavetas religiosas da minha mente?
Deus é real? Sim.
Mas o que ele quer nos ensinar agora?
Exatamente, tentar aproximar as escrituras do nosso solo existencial.
A experiência de leitura com a palavra
refletindo sempre no espelho da vida.
Um brinde á vida!
§
Hoje é dia
de ser muito tempo
da palavra amor
tornar-se abraço
§
dia de brindar
as bodas da vida
iluminar o interior
com outras cores
§
seguro nesse eterno dia
que brilha e vibra
agora
🍂
…
O amor
é sábio, caminha,
mas eu sei
que a vida corre!
A flor
muitas vezes morre,
sem conhecer
sua estação
Não sei bem qual é a cor do amor, mas o canto aqui me diz ser primavera
[Pausa XI].
.
Livro: A eternidade das árvores 🌳
