Amor Adolescente
"Meu pai, era um cara meio duro comigo, quando eu era adolescente, ele não queria que eu levasse alguns amigos em casa, não gostava que eu chegasse tarde, não queria que eu bebesse muito ou conhecesse drogas, odiava que eu fumasse e outras coisas de jovens da época. Um dia eu estava com coragem, e numas das madrugadas que cheguei ele me recebeu com sermão e disse que seria a última vez, aí eu lhe fiz uma pergunta. Sabendo que ele fumava e bebia, perguntei: Pai, o senhor nunca fez nada errado? Ele me respondeu rápido, Sim, muitas coisas e por isso tenho obrigaação de te alertar que está errado.Hoje eu penso exatamente igual ao que ele me falou"
Conhecer uma criança inocente é profundamente apreciável, mas conhecer um adolescente inocente é profundamente desprezível.
Ser-se adolescente é concluir o ensino obrigatório, aturar os outros ou ser-se humilhado com um sorriso nos lábios e deixar a infância para trás... Tudo isso numa rotina de vida estranha, obrigatória e sem dinheiro em troca...
O INVENTOR
DE IDIOMAS
,
,
Ainda adolescente,
inventou duas ou três palavras
que não se achavam em quaisquer idiomas.
Não faziam sentido em inglês, bielorrusso, javanês!
A bem dizer de todos os dizeres, não faziam sequer sentido
mesmo neste código mais do que secreto: o português.
.
Depois percebeu que as duas ou três palavras,
que àquela altura já eram quatro ou cinco,
não eram irmãs, nem distantes primas.
Estranhavam-se, umas às outras,
como se não fossem feitas
da mesma alma-carne.
.
Por causa disso
– da solidão de suas palavras –
demoradamente dedicou a sua vida
a inventar os idiomas que pudessem acolhê-las.
Fundou ainda uma escola de tradutores,
para traí-las umas nas outras.
.
Mais cedo do que mais tarde,
alguns ociosos fundaram cátedras
especializadas em ensiná-las e estudá-las
muito solenemente, com leveza ou gravidade.
Assim, ele ganhou o seu primeiro – e único – Nobel,
em uma nova categoria que não era a Literatura,
recém-inventada, especialmente para ele.
.
Quando por fim morresse
– do que dois ou três seguidores duvidavam –
alguém haveria de escrever na lápide, à maneira de epitáfio:
“gênio da humanidade”, “inventor de palavras”.
Mas um outro, ao perceber a injustiça,
certamente iria logo corrigir,
depois de um risco
no falso dito:
“Inventor
de
Idiomas”.
.
E o mundo
ficaria em paz...
– tal qual sagrado cálice –
como nunca esteve depois do Verbo.
.
.
[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Decifrar, 2022]
Ser adolescente nem sempre é fácil . Um dia estamos a chorar e noutro a festejar, um dia estamos a estudar e noutro a choramingar. Quando és adolescente ,sentes que tens de fazer o melhor de ti ou para os outros. Quando és adolescente ,sentes pressão, medo das tuas escolhas. Às vezes somos novos demais para uma escolha que pode mudar a tua vida ou pode decidí - la , mas mesmo assim és tu que tens de fazer, mesmo não estando pronta. Quando és adolescente , pensas que o mundo pode acabar por uma desilusão ou por uma decepção .
Seja qual for sua agonia de adolescente que esteja rolando aqui, faça menos barulho.
Os adultos precisam aprender a ser adultos. A maioria age como adolescente, não quer crescer, acredita em fórmulas mágicas de relacionamento.
Dificilmente, um pai estará preparado para ver a sua filha adolescente ficando atoladinha com as amigas!
Era uma vez
Um adolescente querendo namorar
Ele tenta de tudo
Tenta todo mundo
Fica com credibilidade ruim
Mas ele não liga
Até que ele consegue
Mas ela fica com "Vergonha"
Você fica bravo
Enquanto você tá bravo com ela
Ela tá conversando com outro
Ata é a sua vida!
Agonia
Essa semana voltei a ler bell hooks e em uma página ela diz que, quando adolescente, costumava escrever, mas após terminar as escritas, achava algo "bobo". Com o tempo, percebeu que estava se inviabilizando. Não discordo dela. Sempre que termino de escrever algo, leio e penso comigo mesmo que bobagem, que ninguém nunca leia isso. Confesso que estou mudando de ideia sobre isso. Com o tempo, tenho certeza de que vou melhorar minha escrita e talvez achar isso até mesmo aceitável. Mas até lá, sigo por essa caminhada da autocrítica e me automenosprezando.
As palavras definem quem somos: órfão, viúvo, colega, mas não há uma palavra que defina a agonia da incerteza. Eu invejo aqueles que acreditam em um ser superior que escreve nossas histórias e nos protege de algum mal. Amor, amigos, conexão por um instante Quando dizemos essas palavras, o caminho se torna claro por um momento e depois desaparece. Se há algum caminho para mim, estou procurando por ele ainda.
''assim como nos apegamos à ideia de que aqueles que nos machucaram quando éramos crianças nos amavam, tentamos racionalizar o fato de sermos machucados por outros adultos, insistindo que eles nos amam. No meu caso, muitas práticas de humilhação às quais fui submetida na infância continuaram em meus relacionamentos românticos adultos."
A vida passa rápido demais, criança, adolescente, jovem, adulto e idoso, a vida não espera e com o tempo chega o fim das coisas...
Eu choro como uma adolescente.
Essas lágrimas sempre voltam e sempre secam sozinhas em meu rosto.
Já devem haver tantas camadas.
Eu me faço chorar sempre que possível, minha mente cria cenários onde eu sempre estarei em estado de decepção.
Por mais que, a situação seja esplêndida, o meu consciente me puxa de volta ao pensamentos melancólicos.
Eu tenho que avisa-lo da minha fragilidade.
Quando me deparo, é tarde demais, as lágrimas voltaram a cair. O que me resta, é espera-las secar e aguardar a próxima decepção.
Adolescente...
Ser adolescente é descobrir que o mundo não é como parece, é entender que nem todo mundo vai te apoiar, é saber confiar em si mesmo, é a fase em que queremos experimentar coisas novas e viver aventuras. Também é quando descobrimos o que é o amor e como amar, é a fase em que fazemos novas amizades e também perdemos muitos amigos e é nesse momento que você descobre que você é seu próprio amigo, é nessa fase que também desenvolvemos ansiedade, depressão, insegurança e entre outros problemas... E muitas vezes não temos o apoio dos nossos pais e familiares, muitas vezes não temos o apoio que precisamos.
Achismo
Achei, em plena adolescência,
que vivia a maturidade integral!
Achei que adolescente eu sempre seria.
Achei que a idade jamais chegaria,
e, se chegasse, não me afetaria.
Achei que nunca me apaixonaria!
Achei que ninguém, jamais me enganaria,
e, se o fizesse, eu morreria...
Achei que, se fosse traída, o traidor eu mataria,
ou pagar-lhe-ia na mesma moeda.
Achei que a autoconfiança não mais recuperaria.
Achei que o amor não se transformaria.
Achei que professora eu não seria.
Achei que louca não seria em escrever poesia!
Achei que havia encontrado as respostas certas.
Achei que a vida não mais me surpreenderia.
Achei que não deveria ter achado tanto.
Acho agora que achei demais,
mas continuo a procurar
o que ainda não achei
Umbelina Marçal Gadêlha
