Amo essa minha Vida Louca

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⁠Eu quero Cristo por completo como meu Salvador, toda a Bíblia como meu livro, a Igreja como minha comunhão e o mundo inteiro como meu campo missionário.

Quando me pedem provas da existência de Deus minha resposta é: Para o coração blindado pela incredulidade, até os milagres mais retumbantes viram mera coincidência. Nenhuma prova convence a carne. Por outro lado, para alguém que foi vivificado pelo Evangelho, a busca por provas perde o sentido. Quem tem o testemunho do Espírito em si mesmo dispensa os silogismos dos homens.

Há dores que não se resolvem; apenas se carregam na suficiência da graça. Minha graça te basta.

Muitos calvinistas afirmam que Adão antes da queda tinha livre-arbítrio, então minha pergunta é: "Deus era menos soberano quando Adão tinha o livre-arbítrio?"

Ainda que minha alma caminhe por temporadas de aridez e aparente silêncio do Alto, meu coração permanece constrangido por um amor incomensurável, resgatado pela efusão de sangue e graça no Calvário.

⁠⁠O inspirador para mim, é ver pela manhã uma página em branco e o cursor intermitente na minha frente…

O Tatu Comedor de Defuntos

Eu tinha uns doze anos quando fui morar com minha irmã e meu cunhado em uma fazenda no Mato Grosso do Sul.

Era uma fazenda enorme de criação de gado. Tinha uma sede bonita, daquelas que impressionam qualquer menino do interior, mas não havia energia elétrica. Quando a noite chegava, a escuridão tomava conta de tudo.

Meu cunhado vivia aprontando comigo. Como sabia que eu tinha medo de fantasmas, inventava uma história diferente a cada noite.

Na fazenda havia um cemitério muito antigo. Segundo ele, era da época da Guerra do Paraguai. Sempre que passávamos por perto, surgia uma nova história de assombração.

Apesar disso, eu preferia ficar perto dele do que da minha irmã. Onde ele estava, eu estava por perto.

Numa noite, resolveu sair para caçar nas proximidades do velho cemitério. Antes de sairmos, contou mais uma de suas histórias.

Disse que naquele cemitério vivia um tatu gigante que havia comido todos os defuntos enterrados ali. Depois de se acostumar com carne humana, passou a procurar gente viva.

— Deu moleza, o tatuzão traça mesmo! — garantiu ele.

Mesmo assustado, escolhi acompanhá-lo. Entre ficar sozinho na sede e sair para caçar, achei que a segunda opção era menos perigosa.

No caminho passamos perto do cemitério. Era possível ver os túmulos no escuro. Dali até o local da caça, rezei todas as orações que conhecia e inventei mais algumas. Proteção nunca é demais.

Chegamos a uma árvore onde ele havia construído um girau, uma espécie de plataforma entre os galhos. Subimos e ficamos esperando algum bicho aparecer.

As horas foram passando. Encostei-me num galho e acabei pegando no sono.

Foi então que aconteceu.

Comecei a ouvir uma voz estranha me chamando. Como ainda estava meio dormindo, parecia vir de muito longe.

Era uma voz chorosa, vindo da direção do cemitério.

Assustado e confuso, procurei meu cunhado ao meu lado.

Nada.

Ele havia desaparecido.

A voz chamou meu nome outra vez. Dessa vez veio acompanhada de grunhidos estranhos, parecidos com os de um animal.

Na mesma hora tive certeza:

Era o tatu comedor de gente.

Como desci daquela árvore eu não sei explicar. Só sei que, em questão de segundos, eu estava dentro do jipe. O veículo havia ficado estacionado bem distante por causa do cheiro da gasolina, que poderia espantar a caça.

Até hoje desconfio que naquela noite eu voei.

Mas o pior ainda estava por vir.

De repente ouvi novamente o grito.

Agora bem ao meu lado.

Quase morri de susto.

Era meu cunhado.

Ele ria tanto que mal conseguia falar.

Na volta para a sede da fazenda, ainda havia várias porteiras de arame pelo caminho. Em cada uma delas eu precisava descer para abrir e fechar a passagem.

E toda vez acontecia a mesma coisa.

Ele me deixava para trás no escuro e saía gritando:

— Corre, que o tatu está vindo!

Eu nunca vi o tal tatu.

Mas tenho certeza de que naquela noite ele correu atrás de mim mais do que qualquer bicho daquela fazenda.

Quando nasci, minha mãe disse que pensou que eu fosse um menino. Meu pai reclamava de ter fêmeas em casa. Passei a vida tentando provar que eu não fui um erro.

Eternamente eu irei para o banho e o shampoo estará no fim. Então escreverei sobre a minha desgraça, e, depois, escreverei sobre os meus escritos, eternamente. É a tirania do momento. Este instante foi, é, será toda a minha vida. É a consciência do limite, que não pode ser ultrapassado. O momento não termina nunca, por isso é muito difícil de ser percebido.

O amor, o tempo, o nada, não podem ser medidos, dissecados. A Verdade é a minha percepção, agora.

Droga
A minha casa eu conheço há tempos. E ela sempre fica maior. Já sonhei sonhos de álcool, mas ao primeiro gole eu vi que não era nada disso, era algo deprimente até na alegria forçada. Como se eu fosse uma múmia química ganhando a consciência da minha pequenez e do enjoo misturado com a tontura. Parei por aí e deixei as drogas antes de começar a usá-las. A minha droga é a imaginação e a sensibilidade. Os sonhos que me vêm da massa de árvores verdes acinzentadas. Das manchas do teto e daquele facho de luz quando estou na cama e olho para cima e vejo que é Deus.
Sim, Deus vem toda a noite por sobre a minha cama e toma a forma de um triângulo de luz amarela, silencioso e imutável. É um raio de luz, e eu sei que é Deus. Poderia ser qualquer outra coisa, mas quando eu levanto os olhos ele se revela e fico a pensar e admirar a sua imperfeição. As noites de insônia são muito estimulantes. Eu viajo e mantenho contato telepático com a pessoa ao lado. Uma vez eu pensei que dormia ao lado de um demônio, e eu tinha razão. Que saudades do súcubo!

Tudo é mágico: é o que a minha imaginação permite.

Eu vi uma nuvem branca e uma nuvem negra no céu. Ambas eram belas e mereciam a minha atenção. Quando eu as enxerguei com cuidado, a nuvem branca escureceu-se e a nuvem negra clareou-se.

Perspectiva inversa


A algum tempo atrás começou um processo na minha mente, que poderia ser chamado de delírio. Tudo o que eu acreditava foi encoberto por pensamentos vagos, ambivalentes, improváveis, disformes. Era como um quebra cabeças em que eu fazia força para encaixar as peças. Assim A era a, 6 era 9, o som das cigarras era igual ao de um apito. Isso funcionou muito bem e eu senti o poder da compreensão de tudo. No entanto, uma falha naquele sistema, mais a minha habitual tendência à desconfiança me levou à estaca zero, ao pensamento comum dos mortais. Foi uma ducha de água fria, mas muito do que eu aprendi, naquela época, ficou. A sensação de que a realidade é uma sequência de eventos sincronizados, de que as minhas memórias são apenas duplicatas do que está acontecendo agora, já que o passado é gerado pelo que acontece no momento.

Que falem, que reclamem, que provoquem. Eu continuo seguindo, porque minha felicidade não precisa da aprovação de ninguém


@gmajordeus

Oh, grande melancolia
Tão suave e avassaladora
Minha alma grita desesperadamente
Por seu abraço inexistente.


Oh, bela vida
Tú és a arte guiada pela existência
Onde encontro a insignificância!


Oh, grandioso tempo imparável
Tú és tão silencioso e inalcançável...


Em meu rosto, chuvas de meteoros atlânticos caem incessantes,
Com vossas águas salgadas e incansáveis.
Em meu coração, ele pede por paz
Mas eu lhe dou a solidão com vista ao abismo.


Em uma varanda, observando o mar e o pôr do sol,
Sentindo-se a euforia e a paz reinando em minha alma.
Numa profundidade assombrosa, mas viva e única.


Em uma alma perdida, encontrei a direção até o sol.
Lá avistei a metade que me faltava, que eras tú:
Felicidade!

“Eu sou um homem que passou muitos anos vivendo minha história e que, agora, comecei a descobrir que compreendendo esta minha história talvez seja uma segunda maneira de vivê-la.”

Jamais cometa o erro de confundir minha miopia proposital, com cegueira! ⁠

Se tirar minha paz, já não é plano de Deus.
É armadilha com legenda bonita.


Van Escher

Minha paz não está à venda. E se estiver cara, é porque custou noites de oração.


Van Escher