Amigos que Morreram
O amor não começa com um encontro.
Começa antes —
como a luz das estrelas que já morreram
e ainda assim nos alcança.
É uma física invisível,
uma gravidade que inclina os destinos
sem pedir licença às órbitas.
Dois corpos caminhando distraídos
e, de repente,
o universo resolve aproximá-los.
Não é incêndio —
é brasa que aprende o nome do vento.
Não é tempestade —
é maré que entende a lua
e sobe, paciente, pela areia do outro.
Amar é deslocar o eixo do mundo
sem que o mundo perceba.
É dividir o pão e, sem alarde,
dividir também o medo.
É tocar a mão alheia
como quem segura a própria queda.
O amor é um idioma que se conjuga
no plural do futuro:
“nós seremos”.
Mas também é arqueologia —
escava as ruínas da infância,
beija as rachaduras da memória
e transforma cacos em vitrais.
Não há ciência que explique
por que um olhar atravessa
como se abrisse portas antigas.
Nem por que um nome, dito baixo,
possa reorganizar a anatomia do dia.
O amor é um risco.
E ainda assim,
é o único risco
que nos escreve.
Ele exige coragem de mar aberto:
a coragem de não ser ilha,
de permitir que outro continente
encoste em nossa costa
e mude o desenho dos mapas.
Há quem o confunda com posse —
mas o amor não aprisiona:
ele sustenta.
Não amarra:
ancora.
Amar é aceitar
que o outro é mistério
e ainda assim escolher ficar.
É compreender que nenhuma pele
abriga o infinito,
mas que, juntos,
podemos tocá-lo.
E quando o tempo —
esse escultor implacável —
esculpir rugas na face do mundo,
o amor permanecerá
como um fio invisível
costurando dois silêncios
num só respiro.
Porque no fim,
quando todas as palavras forem insuficientes
e toda a glória for pó,
restará o gesto simples:
uma mão procurando outra
na escuridão —
e encontrando.
0370 "A Conversa de que Elvis e Outros não morreram deixa a dúvida: Será que também eu não vou morrer nunca?"
"Sorte daqueles que já morreram, Azar o meu, luto para viver e luto para não envelhecer e mesmo assim morrerei".
Tantos morreram para que estivéssemos aqui..Não há pressa, apenas precisamos fazer com que todos sejam exatos, corretos. Urge viver como artista para construir o mundo. Para isso é preciso graça, virtude e fecundidade. E também termos humildade para aceitar tão grande ocupação. Tudo é uma forma de interpretar.
Milhões morreram para que um roteiro teológico escrito por humanos fosse cumprido. Religiões não são uma mensagem de amor; são um monumento ao fanatismo!
As marcas que carrego falam de amor resistente, cicatrizes contam histórias que não morreram, o amor que resistiu fez da marca testemunho, minhas marcas mostram coragem e fé.
Minhas cicatrizes contam amores que não morreram, cada marca é prova de resistência do afeto, o amor persistente deixou traços de vida, as cicatrizes são história e esperança viva.
As lágrimas, rios que secaram. As dores, que foram companhias, morreram de velhice. Muitas amizades nasceram e delas só restaram lembranças... Mas eu, em meio a tudo isso, não mudo: sou ainda aquele menino assustado, caído nas pedras frias, nas águas turbulentas. Permaneço o garoto que não consegue subir sozinho o pedregal.
Ser escritor é ser um perito em autópsias de sentimentos que ainda nem morreram, é abrir o próprio peito com um bisturi de papel e analisar por que a esperança parou de circular. É um trabalho sujo, solitário e necessário para quem não sabe respirar sem traduzir o caos.
Não se deve subjetivar tanto, isso fica a cargo dos poetas, alguns já morreram e eternizaram seus subjetivos. Eu, fico à merce de interpretações, que por vezes são lastimáveis… outras respiro, vivo!…
A pura arte me faz escrever e o meu maior desejo é chegar às almas que me lêem! Me vejam apenas como um ser humano cheio de sonhos, desejos, medos… Absolutamente capaz de viver e sentir cada um deles em sua mais plena intensidade! Nada mais… Perdoem os meus pecados! A minha arte transpira… Eu me entrego nessas entrelinhas! Mas, sua interpretação pode ser oposta à minha verdade! Corro esse risco….
Ingenuidade querer/almejar a pureza de outrem! Se sou pequena e ingênua, eu vejo/sinto/expresso… entretanto, nem quero inspirar a beleza dos grandes escritores… eles me inspiram… Se eu os fosse interpretar… Cantaria!
Sou e transpareço parte da minha identidade de ser em movimento… Meu espaço, meu direito! Não o julgamento daqueles que não me conhecem, mas me vêem através de si como se eu fosse eles, elas…
Sou um ser simples, que ama os próximos, os distântes e até aqueles que não conheço mas que em algum lugar devem estar, vejo além da máscara… Mas, sou um ser complexo de ser amada! Sê bem vindo (a) se querem me encontrar além das luzes… Eu sou um desafio!
Celebro a vida, sofro em poemas, choro com músicas, alegro-me com as verdadeiras proximidades, me entristeço com os artíficios, mentiras e falsidades, mas quem não passa por eles? Prefiro que vc não os use, isso não me conquista! Afaste-se se você precisa deles para ser alguém pra mim…
Deixo-te livre para me ver como sua imaginação quer, deixo-te livre para me ler nas entrelinhas, mas a interpretação é sua, pode ser apenas sua… Não queira que sua imaginação seja a minha verdade, você pode estar tremendamente equivocado (a)!… Há algo em mim que não pertece à sua interpretação…
Há algo a descobrir de si mesmo (a), posso ser um caminho, mas não ser o mais correto…
Também sei dizer NÃO!Existe o não….
As vezes o que está oculto nem sempre é proibido, às vezes é simplesmente comedido, estável…
Cuide de suas mãos se elas escrevem julgamentos. Cuide de sua boca se ela propaga mentiras! O eterno retorno existe….
Papel aceita tudo! Ouvidos selecionam! Deguste apenas das verdades… Mostre, mas não aponte, principalmente se esse alguém não estiver presente… Não mate…. Viva!…
Estrelas morreram a milhares de anos para somente agora poderem brilhar no nosso céu, quem sabe eu não seja uma dessas estrelas que somente depois da morte possa brilhar em teu céu.
"Há muitos sentimentos em nosso ser,mas muitos morreram ao longo do nosso caminho"(.Marilina Baccarat De Almeida Leão)
Nós é que morremos, nós. Os que morreram, nossos, não! Esses vivem na nossa lembrança, perenemente, perenemente
