Amigo sem Vc Nao sei o que seria de Mim
Miserável é o homem que não questiona.
Habita a própria casa e não indaga quem caminha ao seu redor;
convive com seus atos e não os examina,
sejam eles tidos por bons ou por maus.
Aceita como certo aquilo que lhe foi ensinado,
sem jamais provar se o certo é justo
ou se o que julga errado o é de fato.
Vive preso à fé que recebeu pronta,
não porque a compreende,
mas porque lhe disseram que assim deveria crer.
Tal homem anda em círculos,
como o animal preso ao curral:
vê apenas o chão que pisa,
não contempla o campo distante,
e ainda assim chama isso de liberdade.
Bendito, porém, é o homem que não se curva a palavras vagas,
ainda que venham vestidas de verdade.
Ele pesa a prova, examina o fato,
e questiona até aquilo que lhe parece sólido.
Nisso consiste a sabedoria.
Pois loucura é crer em toda palavra que sai da boca alheia.
Qualquer um pode lançar uma semente à terra,
mas poucos sabem de onde ela veio.
Todos desejam plantar,
mas quase ninguém se recorda da colheita.
Do Silêncio Não Compreendido
Eis que o bom rapaz foi ao encontro da moça,
levando consigo não só um presente,
mas o que havia de mais sincero em seu peito.
Chamou ao portão.
E não foi ela quem surgiu,
mas outra presença,
silenciosa… e suficiente para que ele entendesse.
E então soube.
Não por palavras,
pois nenhuma lhe foi dada,
mas por aquela dor que fala sem voz.
Baixou a cabeça.
Recolheu o gesto.
Guardou o presente que já tinha destino.
E partiu.
Na praça, sentou-se em silêncio.
E, dentro de si, perguntou:
“Por que aquilo que é verdadeiro não encontra lugar?”
E o mundo… nada respondeu.
Os dias passaram,
e ainda assim seus olhares se cruzavam.
Mas onde antes havia leveza,
agora havia silêncio.
A moça, em sua própria confusão,
não entendia o que se passava.
E, sem saber, afastou o que não soube ver.
Perdeu… sem perceber.
E o rapaz, mesmo ferido, voltou.
Não por orgulho,
nem por certeza,
mas porque o amor ainda vivia nele.
Aproximou-se mais uma vez.
E encontrou… silêncio.
Então compreendeu.
Que o amor não se força.
Não se explica.
Não se pede.
Se não é visto, pesa.
Se não é sentido, se apaga.
E se não é recebido… se vai.
E assim, o rapaz partiu.
Não destruído,
mas mudado.
Pois há dores que não quebram ,
apenas mostram ao homem
o que ele não queria ver:
Que nem todo amor permanece.
E que, às vezes… amar
é saber ir embora.
Você será odiado por saber e perceber demais, mas não fique calmo
ou ache-se esperto.
Às vezes quem vai te odiar, é quem mais você ama.
Minhas palavras me cortam, mas ainda assim as escrevo para não sentir dor. Então me pergunto: sou apenas eu quem sangra ao ler o que escrevo, ou aqueles que leem sangram mais do que eu?
Se amo...
Posso adoecer; Porque não há clareza do outro lado. Não há certeza!, Não adianta enxergar sobre os olhos, se eles não mostram nada...
De que adianta amar em silêncio?
Me apeguei na doce segurança da minha solidão, Mesmo me sentindo sozinho às vezes... Isso não me quebra... Porque no meu lugar a confiança não é quebrada, e não vejo motivos para dúvida ou incerteza...
Não se ama em demasia alguém...
Apenas se ama.
Mais leve é o caminho daquele que é amado primeiro,pois não precisa correr atrás de quem já escolheu caminhar ao seu lado.
É mais fácil viver ao lado de quem decidiu ficar
do que lutar pelo coração de quem deseja partir.
Se um homem nascer em um jardim,
pouco valor dará às flores que o cercam.
Mas aquele que está fora dos portões
há de vê-las como um tesouro.
Assim também é o amor.
Quando está perto, muitas vezes é esquecido.
Quando está distante, torna-se cativante.
Por isso, olhaste para o teu jardim antes que tuas flores morram.
Ama a ti mesmo.
E aprendes amar aqueles que o amam.
Observei de longe o que parecia estar ao alcance dos meus olhos, porém não me pertencia.
O meu silêncio gritava, mas a dor e os traumas me prediam...
Sou cicatrizes; Sou lágrimas no silêncio; Sou clamor sem ser visto...
Não merece ter pena ou compaixão de minhas dores...
Mas saiba com todos os meus erros, sim, e todas as qualidades...
Eu te amei tão alto em silêncio.
eu não preciso que tudo dê certo na minha vida, eu só quero ter a certeza que quando eu mais precisar, você vai estar por perto. se não fosse por você, nem sei como eu aguentaria todas as pedradas que a vida me dá, mas tudo se torna um pouco mais fácil e menos doloroso quando estamos juntos.
Eu espero que você aprenda com as pessoas que te machucaram. E que mesmo que elas não se desculpem você possa se perdoar e as perdoar em silêncio. Algumas pessoas nunca enxergarão o mal que fizeram e está tudo bem. Algumas pessoas são tão soberbas ao ponto de nunca reconhecerem seus erros. E ESTÁ tudo bem também. Algumas pessoas são más, não sentem a dor ou se preocupam com o próximo. Aceite isso Esse é o karma delas. Isso não faz mais parte da sua história. Que toda dor causada pelo outro sem arrependimento vire paz e aprendizado pra você. Quando você não conseguir mais sofrer por aquilo, só conseguir desejar o bem e enviar luz para essa pessoa. Assim você saberá que está curado.
Esperando o fim chegar
Desejando que eu tivesse força para suportar
Não é isso que eu tinha planejado
Isto saiu do meu controle
Todo dia eu acordo ao lado de um anjo
Mais bonito do que palavras podem descrever
Disseram que não daria certo, mas o que eles sabem?
Pois anos se passaram e ainda estamos aqui hoje
Nunca em meus sonhos eu achei que isso iria acontecer comigo
Não vou dizer que hoje a tristeza não vem mais, porém agora, felizmente, ela é menos intensa. Eu finalmente descobri que apesar de todos os percalços e dificuldade, vale a pena viver. Há sempre um bom motivo para sorrir e acreditar.
A vida é apenas uma viagem, uma breve passagem
não há bagagem que se leve além do que ficou no coração.
Aproveite a vida, pense em todos os momentos e experiências que você deixou de ter apenas pelo medo de tentar...a segurança e a estabilidade não existem nessa vida breve. Preocupe-se mais em ''ir'', do que em apenas ''possuir'', mais em ''ser''. Seus pertences serão deixados para outros. Seu conhecimento, sua aprendizagem e sua experiência permanecerão em sua alma para todo o sempre.
Sentimento dividido no tempo perdido
Buscando te ter
Sinto no ar que respiro seu cheiro prefiro
Não lembrar você
Ficou marca evidente que vive presente
No meu coração
Por caminho diferente o amor entre a gente
Não teve razão
Mas já chega assim não dá
Desculpe amor vou te deixar
Sei que vai me entender
Adeus, foi bom te conhecer
Vou dar paz pro coração
Nessa solidão ta difícil viver
Vou sumir da sua vida
A única Saída é ter que esquecer
É importante aceitar quando uma fase da vida ou um relacionamento chega ao fim. Não se desgaste para manter na sua vida algo que, no fundo, você já sabe que acabou há um bom tempo.
Aceite o fim para que você possa iniciar novos tempos em sua vida.
O que não te mata, te deixa mais forte
Te faz ficar mais alto
Não significa que estou solitária quando estou sozinha
O que não te mata, te faz um lutador
Deixa os passos mais leves
Não significa que estou acabada, porque você foi embora
Mas eu não me preocupava porque eu sabia
Que era preciso conseguir tudo
O que sempre quis e depois perder
Para saber o que é a verdadeira liberdade
*O HOMEM QUE NÃO QUERIA SER PRESO*
Era final de tarde de domingo e minhas alegres visitas tinham partido.
A casa ficou com aquela aparência de lugar onde alguma coisa aconteceu, mas ninguém teve a educação de limpar depois. Havia copos sobre a mesa, brinquedos espalhados, migalhas no sofá e um cheiro de comida que já começava a perder a batalha para o cheiro de casa fechada.
Não me incomodei.
Algumas bagunças são provas de que a vida esteve ali.
O Sol decidiu Acompanhar as crianças e a chuva veio para o expediente.
O gato ficou.
Estava deitado na janela, olhando para a rua com a seriedade de quem aguardava uma decisão importante. As crianças tinham ido embora fazia pouco tempo e, aparentemente, aquilo tinha sido uma experiência marcante para ele.
Talvez tivesse descoberto que humanos pequenos são mais divertidos do que os grandes.
Ou talvez estivesse esperando que voltassem para continuar o serviço.
Eu sabia que não voltariam naquele dia.
Ele não.
Ficou olhando.
Quanto a mim, era apenas o outro morador da casa. Aquele que compra comida, abre a porta, limpa a caixa de areia e paga as contas.
Ele fazia um trabalho muito mais nobre.
Companhia.
Achei injusto.
Fui até a padaria.
Era uma dessas padarias de bairro que colocam algumas mesas na calçada e fingem que aquilo é uma extensão da sala de estar. Sentei do lado de fora. Dali dava para ver o parque, as árvores e os últimos pedaços de sol tentando atravessar os galhos.
O trânsito de domingo fazia pouco barulho.
Alguns carros passavam sem pressa. Pessoas caminhavam pelas calçadas. Um casal empurrava um carrinho de bebê. Um homem levava um cachorro que parecia mais interessado em qualquer coisa do que nele.
Era um bairro residencial. Não havia grandes lojas, vitrines iluminadas ou aquela necessidade permanente de convencer alguém a comprar alguma coisa de que não precisava.
O parque estava cansado.
Talvez eu também.
As árvores continuavam ali, mas tinham aquela aparência de coisa que sobrevive mais por hábito do que por vontade.
A natureza é muito mais honesta quando ninguém tenta fotografá-la.
Pedi um café.
Na mesa atrás da minha havia três mulheres.
Falavam alto o suficiente para dispensar qualquer esforço de escuta.
Conversavam sobre homens.
Pretendentes.
Ex-namorados.
Homens que sumiram.
Homens que apareceram demais.
Homens que não ligavam.
Homens que ligavam demais.
Uma delas dizia que precisava dar um jeito de prender um homem.
Falou aquilo com a naturalidade de quem estava discutindo uma receita.
As outras riram.
Depois começaram a trocar métodos.
Demonstrar menos interesse.
Depois demonstrar mais.
Fazer ciúmes.
Desaparecer por dois dias.
Voltar como se nada tivesse acontecido.
Não responder imediatamente.
Responder quando ele estivesse começando a desistir.
Fazer com que sentisse falta.
A velha engenharia do afeto.
Pensei que talvez o amor moderno fosse isso.
Um jogo de caça com aplicativos.
Uma espécie de pesca esportiva onde ninguém quer admitir que está segurando a vara.
Uma delas falou que homem gosta de quantidade.
Outra discordou.
Disse que o problema era encontrar um que prestasse.
Elas riram novamente.
Eu fiquei olhando para o café.
Já ouvi aquela história antes.
Em bares.
Quartos.
Mesas de restaurantes.
Às vezes falando de mim.
Às vezes falando de homens que eu conhecia.
Às vezes falando de homens que eu não conhecia e provavelmente não queria conhecer.
Ja houvi que sou um homem de muitas mulheres.
Talvez seja.
Ou talvez eu apenas tenha vivido tempo suficiente para descobrir que os rostos mudam muito mais rápido do que as cicatrizes.
As pessoas chegam.
Fazem barulho.
Deixam alguma coisa sobre a mesa.
Depois vão embora.
Algumas deixam perfume.
Outras deixam contas.
Quase todas deixam alguma história que você prefere não contar inteira.
Nunca fui muito bom em explicar isso.
A verdade é menos interessante do que parece.
Nunca procurei quantidade.
Só não sabia muito bem como procurar outra coisa.
Durante algum tempo, confundi desejo com companhia.
Depois confundi companhia com amor.
Mais tarde descobri que nenhuma das duas coisas servia para preencher uma casa vazia.
Eu queria abrigo.
Só isso.
Um lugar onde não precisasse estar em guarda o tempo inteiro.
E abrigo é uma coisa rara.
Principalmente entre pessoas que passaram a vida aprendendo a partir antes de aprender a ficar.
Talvez eu também tenha feito isso.
Talvez tenha chamado de liberdade aquilo que, em algumas ocasiões, era apenas medo de descobrir o que aconteceria se eu permanecesse.
As mulheres continuavam falando.
Uma delas dizia que o problema era deixar o homem confortável demais.
Eu quase ri.
Conforto virou ameaça.
Imagine isso.
Duas pessoas passam anos procurando alguém com quem possam descansar e, quando encontram, começam a desconfiar porque o outro parece confortável.
Talvez tenhamos aprendido a confundir paz com desinteresse.
Talvez o barulho seja mais fácil de reconhecer como paixão.
Eu já confundi.
Muitas vezes.
Conquistar alguém é fácil.
No começo tudo ajuda.
A novidade ajuda.
O desejo ajuda.
A mentira ajuda.
Até o silêncio parece interessante quando ainda existe mistério.
Depois chegam as contas.
As manias.
Os dias ruins.
O mau humor.
As doenças.
Os parentes.
As mensagens não respondidas.
A roupa jogada no lugar errado.
A mesma história contada pela terceira vez.
O silêncio que não tem nada de sexy.
É aí que começa o trabalho.
E é aí que muita gente vai embora.
Não porque deixou de amar.
Às vezes porque descobriu que amar dá trabalho.
A mulher da mesa atrás falou que ninguém deve deixar um homem completamente livre.
Pensei no gato.
Ele tinha liberdade para sair pela janela.
Não saía.
Tinha comida.
Tinha água.
Tinha um lugar quente para dormir.
E ainda assim ninguém havia colocado uma tela naquela janela.
Talvez fosse esse o segredo que os humanos complicaram.
Não quero possuir ninguém.
Posse é medo fantasiado de amor.
Se alguém ficar ao meu lado, quero que fique porque poderia ir embora.
Quero que a porta esteja aberta.
Quero saber que existe uma rua do outro lado.
Quero que a pessoa possa caminhar para qualquer lugar e, mesmo assim, em algum momento, decida voltar.
Isso é muito diferente de prender alguém.
Prender é fácil.
Até animais sabem fazer isso.
O difícil é ser escolhido quando ninguém é obrigado a escolher você.
Fiquei olhando para o parque.
O sol já tinha descido mais um pouco e a chuva escurecia as ruas.
As sombras das árvores, sob relâmpagos atravessavam a calçada.
Um homem passou empurrando uma bicicleta.
Uma senhora caminhava rapido com duas sacolas de mercado.
Do outro lado da rua, um menino corria atrás de uma bola enquanto alguém gritava seu nome.
A cidade fazia o que sempre faz no domingo.
Tentava parecer tranquila.
Mas havia qualquer coisa de cansado em tudo aquilo.
Talvez porque domingo seja o dia em que as pessoas percebem que segunda-feira existe.
Pedi outro café.
A mesa atrás de mim tinha ficado mais silenciosa.
Por alguns segundos.
Depois uma delas disse que o problema era encontrar alguém que soubesse ficar.
Dessa vez ninguém riu.
Achei curioso.
Talvez aquela fosse a única coisa verdadeira que tinham dito naquela tarde.
Ficar.
É uma palavra pequena.
Mas custa caro.
Eu não me apaixono pela perfeição.
Nunca me interessou.
A perfeição é uma mentira bem vestida.
Gosto de quem sangra.
De quem tropeça.
De quem já perdeu uma guerra e ainda aparece no dia seguinte com a cara amassada para tentar outra vez.
Talvez porque eu conheça esse tipo de gente.
Talvez porque eu seja esse tipo de gente.
Carrego ferrugem na alma.
Algumas rachaduras.
Há coisas que o tempo não consertou.
Apenas ensinou a esconder melhor.
Também erro.
Muito.
E talvez tenha demorado mais do que deveria para entender que continuar presente na vida de alguém pode ser mais difícil do que conquistá-la.
No começo, quase todo mundo sabe ficar.
Depois é que começam os problemas.
Quando o encanto diminui.
Quando o outro deixa de parecer uma descoberta e passa a parecer uma pessoa.
Com seus defeitos.
Suas manias.
Seus medos.
Sua história.
Seu mau humor.
É nesse momento que você descobre se estava apaixonado pela pessoa ou pela versão que inventou dela.
Eu já tive versões.
Algumas bastante convincentes.
Nenhuma durou muito.
A maturidade talvez seja justamente isso.
Parar de procurar alguém que nos faça sentir completos e começar a procurar alguém diante de quem não precisamos fingir que estamos.
Não ofereço salvação.
Não tenho.
Não ofereço uma vida sem problemas.
Seria propaganda enganosa.
Ofereço café.
Silêncio.
Alguma honestidade.
E a possibilidade de continuar aqui quando a novidade acabar.
A conta chegou.
Paguei.
Fiquei alguns minutos olhando o parque antes de levantar.
As mulheres ainda estavam ali.
Agora falavam de outra coisa.
Talvez de homens.
Talvez de outra maneira de prendê-los.
Não importava.
Peguei o caminho de casa.
Quando cheguei, a bagunça continuava exatamente onde eu havia deixado.
Os copos.
Os brinquedos.
As migalhas.
As marcas da visita.
O cheiro de comida.
O gato continuava na janela.
Olhou para mim como quem verifica se o funcionário responsável finalmente voltou ao posto.
Depois voltou a olhar para a rua.
As crianças ainda não tinham voltado.
Talvez estivesse decepcionado.
Talvez apenas gostasse de esperar.
Fiquei pensando nisso.
Esperar também é uma forma de liberdade.
Você não espera alguém porque foi obrigado.
Espera porque quer.
Talvez seja por isso que a maturidade muda a maneira como enxergamos o amor.
Quando somos jovens, queremos ser desejados.
Depois queremos ser escolhidos.
Mais tarde, talvez, queremos apenas encontrar alguém que conheça nossas partes ruins e ainda consiga sentar ao nosso lado sem precisar fingir que elas não existem.
Alguém que poderia ir embora.
E sabe disso.
Mas fica.
Não porque foi convencido.
Não porque foi preso.
Não porque tem medo da rua.
Fica porque, entre todos os lugares possíveis, escolheu aquela mesa.
E talvez seja isso que eu tenha procurado o tempo todo sem saber dar um nome.
Não muitas mulheres.
Não muitas histórias.
Não muitas conquistas.
Só algum lugar onde dois sobreviventes pudessem parar por alguns minutos.
Olhar um para o outro.
Sem algemas.
Sem promessas grandiosas.
Sem precisar provar nada.
A porta continua aberta.
A rua continua ali.
Cada um poderia ir.
Mas ninguém vai.
E, depois de tudo o que já aconteceu, depois de todas as pessoas que passaram, todas as que partiram e todas as que juraram ficar, existe uma frase que ainda vale alguma coisa.
Não precisa ser dita.
Basta que os dois saibam.
Ainda estou aqui.
Noite do dia 20.
Eu dormi com a consciência pesada.
Você não dormiu, com o coração partido.
Eu a conquistei e a deixei.
Eu machuquei você, te furei com agulhas; te queimei com fósforos; fiz cortes em sua pele e joguei álcool por cima de cada uma dessas feridas.
Elas doiam tanto, sangravam tanto e você chorava mais um tanto.
Dor que não se esquece, saudade não desaparece.
Nas noites geladas; noites caladas, esse sentimento se fazia mais presente. As lágrimas mais realistas e os cortes mais ardentes.
Te feri com a minha confusão e indecisão.
Perdão.
Seu quarto era bagunçado, escuro e gelado. A porta sempre trancada e as janelas sempre escancaradas.
Bitucas de cigarro em sua escrivaninha, eram várias. Várias como as garrafas de bebida quebradas; vazias e espalhadas, como suas roupas todas jogadas.
Os olhos inchados; olheiras escuras; descabelada; roupa amarrotada; amassada; toda suada; lágrimas obviamente molhadas.
As janelas permanecem sempre abertas.
A ventania lá fora que agora bagunça tudo, só não tão bagunçada quanto sua mente e o asfalto, definitivamente não tão rachado quanto seu coração.
Tarde do dia 20, meses depois.
"Me ligue quando puder, se quiser. Saudades."
Embora eu tenha aprendido a viver sem você não aprendi a viver sem amar você. E quando acho que te esqueci, é porque estou vivendo pela metade, porque você é uma parte de mim, e tal fato torna impossível levar uma vida sem lembrar de você.
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