Amigo sem Vc Nao sei o que seria de Mim

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Há estados de suspensão que o ego não governa — intervalos em que o aparato psíquico parece recuar de si mesmo, desacelerar sua produção sintomática, poupar energia de defesa. A clínica os reconhece não como patologia, mas como autorregulação: o psiquismo que cessa antes de romper, que retrai antes de dissociar, que descansa para não entrar em colapso. É o organismo fazendo o trabalho que o ruído da vida cotidiana impediu. Quando a engrenagem retorna, volta com mais fluência — não porque foi reparada de fora, mas porque o silêncio fez o que nenhuma intervenção externa conseguiria substituir.

A solidão não é ausência de mundo — é excesso de interior não elaborado. O sujeito que a habita não encontrou ainda como processar as vozes internas que nunca foram silenciadas, apenas adiadas: os objetos internos em conflito, as identificações mal integradas, as lembranças que nunca encontraram repouso narrativo. Nesses espaços, o psiquismo vira vigia de suas próprias sombras, organiza ausências, pendura representações de afetos que talvez nunca tenham existido com a intensidade que a memória lhes atribui. O cárcere não é construído pelo externo — é sustentado pela dificuldade de atravessar a própria porta, que muitas vezes só exige que o sujeito cesse de guardar o que poderia ser, finalmente, largado.

O amor-próprio genuíno não tem estrutura narcísica — tem estrutura de luto. É o processo árduo de descer ao que foi negado: as partes cindidas, as representações de si rejeitadas, as feridas que o ego preferiu encapsular a integrar. Não se trata de buscar perfeição, que é formação reativa; trata-se de integração — recolher os fragmentos com lucidez suficiente para suportá-los sem os romantizar nem os negar. Quando esse trabalho avança, emerge o que a clínica reconhece como capacidade de estar consigo: a aptidão de olhar para o próprio interior com verdade e, mesmo assim, não fugir — não por resignação, mas por reconhecimento de que aquilo que se é, ainda que incompleto, ainda que ferido, merece permanecer.

A identidade não é substância fixa — é processo. O que a experiência clínica confirma é que o sujeito não é um, mas vários: versões que se sucedem, se contradizem e se sobrepõem, moldadas por perdas, insights e reconfigurações que não cessam enquanto há vida. A sensação de continuidade é uma construção narrativa — necessária para a coesão psíquica, mas não correspondente a uma realidade ontológica estável. O ser que acredita ser sempre o mesmo não examinou ainda a extensão das pequenas mortes que atravessou para chegar até aqui. A identidade é fluxo: série de nascimentos e despedidas que o ego organiza em ficção de unidade para que o cotidiano se torne habitável.

Não foram as espadas nem os canhões que derrubaram nações e impérios, mas, antes deles, a língua — o verbo que persuade, divide, incendeia ou apazigua. A guerra começa na palavra e apenas se materializa no aço; o restante são consequências de discursos que moldaram vontades. A língua é o instrumento mais poderoso e perigoso do humano, porque é por ela que se constrói ou se destrói o mundo — e é por isso que, antes dos soldados, existem diplomatas.

O smartphone já não é ferramenta — tornou-se espelho opaco. Não reflete o que se é; absorve o olhar e o devolve fragmentado, filtrado, condicionado. Diante dele, o sujeito não se reconhece — se projeta, se edita, se consome. E, nesse ciclo silencioso, quanto mais se busca ver, menos se enxerga: porque o espelho que absorve não revela — captura.

O corpo humano não é mera estrutura biológica eficiente, mas um universo íntimo em fluxo contínuo — uma catedral de complexidade que a própria razão, ao tentar compreendê-lo, revela seus limites. Cada função aparente oculta camadas de interação que escapam ao controle pleno, como se a vida operasse num grau de inteligência anterior à explicação. E, nesse paradoxo, o homem habita aquilo que ainda não é capaz de decifrar por inteiro — sendo, ao mesmo tempo, autor e estrangeiro de si.

A contradição em que se vive é uma loucura discreta: corre-se para não perder tempo e, na pressa, entrega-se o próprio tempo ao que nada acrescenta. A urgência devora a atenção, e a atenção, dispersa, já não escolhe — apenas reage. Assim, o que se ganha em eficiência se perde em sentido. E o tempo, tratado como recurso a ser poupado, escapa justamente onde mais se tentou segurá-lo.

O que se extingue não é o corpo — o corpo resiste, adapta-se, insiste. O que se esvazia é a alma: não em colapso visível, mas em silêncio, sem febre, sem diagnóstico. Vai-se apagando nos intervalos não vividos, nas escolhas que negam o essencial, na repetição sem presença. E quando se percebe, já não há dor que alerte — apenas uma ausência que se instalou onde antes havia vida.

Pesadelos não são apenas sonhos desagradáveis — são lembranças que não encontraram um lugar habitável na memória. Permanecem deslocadas, sem forma, sem repouso, e por isso retornam na noite, quando a vigilância cede. Não buscam assustar, mas ser reconhecidas. E, enquanto não encontram linguagem ou sentido, insistem — não como ficção, mas como aquilo que ainda não foi integrado à própria história, como parte inevitável dos erros e acertos que constituem o ser.

O homem não sofre porque perdeu a si mesmo. Sofre porque passou a vida inteira fugindo do Primevo que jamais deixou de habitá-lo. Quanto mais se afasta dessa origem silenciosa, mais tenta preencher o vazio com identidades, crenças, conquistas e distrações. Mas nada consegue ocupar o lugar daquilo que nunca foi embora.

Erguido sobre o peso do indizível, o silêncio de Baalbek não é a ausência de Júpiter, mas a sombra mística que o tempo projeta ao secularizar a absoluta ruína em pedra.
Reno Fioraso

O maior erro do Homem não é esquecer que vai morrer, mas viver como se nunca fosse prestar contas.

O homem das cavernas

O homem das cavernas
Está no seu carro , tem celular,
E usa ia , e não sabe onde se encontrar

O Homens das cavernas
Só que dominar e mandar
Mas não sabe de ética
Sua vidinha patética
Em pleno século 21
Ele só pensa em um

O homens das cavernas
Só sabe a técnica
Ele é uma comédia
É uma profissão
Sem noção
Se acha mais que seus
Irmãos

O homem das cavernas
Só quer ser o animal
Mais forte, se confunde
O que foi sorte
É um sem Norte
Deseja até a morte
Do seu irmão
É só um bundão

O Homens das cavernas
Se acha evoluído
Mas é só um caído
Sua ignorância e estupidez
Vem tudo de uma vez
Deus se arrependeu
Esse homem só perdeu

O Homens das cavernas
Se acha evoluído
Mas é só um caído
Sua ignorância e estupidez
Vem tudo de uma vez
Deus se arrependeu
Esse homem só perdeu

O Homens das cavernas
Se acha evoluído
Mas é só um caído
Sua ignorância e estupidez
Vem tudo de uma vez
Deus se arrependeu
Esse homem só perdeu

"A ciência não contradiz a fé Divina.
A Bíblia já era ciência antes mesmo da ciência ser Ciência."


(Levy Cosmo Silva)

Não sou digno de atar tuas alparcas
Me deixa ao menos a sobra da mesa.
Nas lutas, quase sempre mascaradas,
Querubins surgem como luz sendo acesa.

As feridas feitas pelo amor
Açoites transmitem os maiores aprendizados
Por nosso bem, causam até dor,
Querendo nos ver melhor preparados.

Muitos sorrisos já me enganaram,
tapas nas costas até me iludiram,
mas na hora em que as forças faltaram,
foi o momento em que dos olhos as escamas caíram.

O urso até abraça a presa.
A vítima observa da hiena o riso,
afinal, é alguma surpresa.
Cautela em quem chamamos de amigo,


porque escolhemos temos os falsos afagos,
desprezando quem diz a dura verdade?
Cuide de quem corre do seu lado,
onde ali está a consistente lealdade?




Deus, agradeço pelos meus amigos
que em cada etapa surgem como anjos.
As repreensões foram para mim como abrigos.
Retribuirei todo o amor, ainda que passem anos.


Levy Cosmo Silvaa

O mar pune o homem que busca voltar ao lar, pois o coração sabe que o verdadeiro exílio não é a distância da pátria, mas o despertar da ilusão de que pertencemos a algum lugar.
Reno Fioraso

Fênix


(Verso 1)
Intensa demais pra ser amada pela metade
Não aceito sobras, nem falsidade
Em cada passo, me entrego de alma, inteira
Não sei viver de mentira, minha bandeira

(Pré refrão)
hoje sofro por amor
Depois, menos. E depois, nada
Mas não morro de dor
Depois, menos. E depois, nada

(Refrão)
Das cinzas, renasço! sou Fênix
Mais forte, eu volto!
Das cinzas, renasço! Sou Fênix
Deixo a dor pra trás!

(Verso 2)
A ferida tá aberta, sei bem onde dói
Mas não morro de dor, não me deixo abater
Amanhã será menos, vai desaparecer
È ,depois, nada

(Pré refrão)
hoje sofro por amor
Depois, menos. E depois, nada
Mas não morro de dor
Depois, menos. E depois, nada

(Refrão)
Das cinzas, renasço!
Mais forte, eu volto!
Das cinzas, renasço!
Deixo a dor pra trás!

"Não briguem pelos meus erros. Não lutem pelo que deixarei para trás. Apenas preocupem-se em deixar-me descansar em paz." (FURUCUTO, P. D., 2026).

"A verdadeira humildade não nasce da sociedade, mas do íntimo de cada ser humano. A sociedade apenas lhe oferece oportunidades para se manifestar, e é pelas boas obras que ela se torna visível." (FURUCUTO, P. D., 2026).