Amigo Leal
Não quero mais esse disfarce,
de estar atrás das lentes,
da roupa,
da cor pintada à força,
da imagem moldada...
Quero um sorriso desbocado,
mãos avulsas
e olhar desconsertado,
deixar as migalhas
e não mais voltar para pegá-las.
Me falta calor,
sabor,
corpo presente,
nesse momento ausente.
Horas a sós,
a dois,
respiradas num abraço,
num sopro,
num descompasso.
E uma dança,
sem música,
dança de amor,
de paixão
e não de solidão.
Carinho ao tocar,
mãos a acalentar,
gosto a despertar,
arrepio a sentir,
quando o cabelo esvoaçar.
O chão a estar presente
o relógio a observar
o íntimo e tocante
o segredo ardente
de um desejo ausente.
Aguarda o momento. Dorme e não se preocupa, porque qualquer sentimento mesquinho é pequeno demais diante da vida.
Eu devia creer
nas possibilidades
nos sonhos
na saudade
nas verdades.
Eu devia creer
no amor
no calor
no coração a saltitar
e nas pernas a bambolear.
Eu devia creer
nas esquinas a revelar
nos desejos a mostrar
nos momentos a guardar.
Eu devia creer
no sorriso
na surpresa
na certeza
de um momento desejado
de um beijo roubado.
Eu devia creer
na vida
na paixão
na solidão
e tudo mais
que fizer bater o coração.
Eu devia creer
no desejo
na esperança
e nos meus sonhos de infância.
Eu devia creer
e somente creer
ter credulidades
e fazer de tudo realidade.
Quando é noite, eu sonho.
Quando é dia, eu sonho.
Quando é realidade, eu sonho.
Aponto tantas estrelas
que me imagino
criando nuvens de ilusão.
Primeiro, os sonhos.
Depois, sentir os pés tocarem o chão.
Pelo menos, é assim que eu tento subir escadas...
Costumo ouvir o som dos meus passos como sinos de esperança, uma busca pelo inalcansável.
Sinto cheiro de doces perfeitos, cada passo me lembra um cheiro bom de chocolate.
E com olhos afáveis, o mundo se transforma.
Particularmente, gosto do céu azul escuro enevoado, azul de cores borradas e traços marcados por luminescências.
E mais... gosto de ventos que embaraçam o cabelo e que parecem atravessar a pele causando um arrepio inexplicável.
Quase não reparo no céu azul ao meio dia, apesar do esforço de saborear todas as cores, as luzes muito fortes não me atraem os olhos.
Acredito nos absurdos da vida,
mas só naquilo que não se passa
em nosso pensamento.
É a contradição entre o
desejo e a mágica da vida.
Temos que ter em mente que o perdão é NECESSÁRIO SIM. Pois julgar as pessoas sem saber os fatos, pode ser uma atitude errônea!
