Amigo Felicidade Alegria
Aflorais
Abriguei-me a teu ninho as duras penas da felicidade em um universo em que criei para minhas ilusões
Em meu interior as chaves inebriantes da minha própria natureza esfíngica
Verdades sombrias da realidade de ser eu no meu egocentrismo não abarquei minha consciência externa
A exatidão dos assomais sentimentos seguem-se a inverter a doçura que destila da minha excessiva ironia
Marlene Ramos Martins 24/10/2021
A felicidade eufórica é um estado de espírito que prolonga a vida mas engana a alma. A tristeza, todavia, torna a alma ciente de sua miséria e submete o corpo a buscar a presença de Deus que enche a alma de vida.
O dono da casa quando coloca o pé na porta o cachorro e o papagaio fazem alvoroço de felicidade. Assim é o que acontece quando o amor chega pertinho, o coração acelera e o cérebro esquece os cálculos e passa a fazer planos dos próximos segundos e da vida toda.
Café com Leite
Por Diane Leite.
Por muito tempo, acreditei que felicidade era ter muitos rostos ao redor, muitas vozes preenchendo os vazios da minha existência. Eu buscava pertencimento como quem busca abrigo em dia de tempestade — desesperada por calor, por acolhimento, por uma certeza de que eu fazia parte de algo.
Mas eu não fazia.
Lembro-me do incômodo sutil ao estar entre minhas primas. Elas riam, brincavam e se entendiam como se falassem um idioma ao qual eu nunca tive acesso. Eu sorria por educação, mas havia um silêncio interno em mim que não se dissipava. Talvez fosse a falta de espontaneidade, talvez fosse algo maior — um desencontro entre quem eu era e o que o mundo esperava de mim.
Então veio Ana Cecília.
Nos conhecemos no pré-escola, e, sem precisar de palavras, soubemos que éramos iguais. Ela era uma das poucas meninas afrodescendentes da escola; eu, uma criança que sempre sentia que não se encaixava. Não fomos unidas pelo acaso, mas pelo instinto de sobrevivência. De alguma forma, sabíamos que estar juntas tornava a solidão menos afiada.
Sob a sombra generosa de um pé de manga, criamos nosso refúgio. Choramos as dores que ainda não sabíamos nomear e sonhamos mundos que ainda não existiam. Quando alguém ria de nós, nos olhávamos em cumplicidade e repetíamos nosso mantra secreto: "Café com leite." Um apelido que nasceu de uma piada alheia, mas que transformamos em escudo. Se éramos diferentes do resto, que assim fosse.
Ana era minha fortaleza; eu era sua guardiã.
Eu não permitia que ninguém a ferisse. Defendia sua honra como quem defende o próprio coração, porque era isso que ela se tornou para mim: um pedaço do meu mundo que ninguém tinha o direito de tocar.
E havia Camila — popular, cercada de gente, luz e barulho. Ela me estendeu a mão, me incluiu em um mundo onde pertencimento parecia fácil. Mas aprendi, com o tempo, que amizade não se mede em números. Camila era festa; Ana era lar. Com Camila, eu ria. Com Ana, eu existia.
A vida seguiu. Cada uma tomou seu caminho, como as folhas que caem da mesma árvore, mas voam para direções opostas. Ainda assim, o que criamos sob aquele pé de manga nunca nos abandonou.
Hoje, aos 40 anos, sei que pertencimento não é sobre caber. É sobre encontrar alguém que te veja por inteiro e ainda assim escolha ficar. Ana me ensinou que laços verdadeiros não precisam de multidões, nem de aprovações externas — só de dois corações que se reconhecem.
Eu não trocaria nossas tardes de manga com sal por nenhuma festa lotada.
Se pudesse dizer algo à criança que fui, diria: não tente caber onde sua luz é diminuída para que os outros brilhem. Amor não é barganha, pertencimento não é concessão. As pessoas certas não preenchem vazios — elas lembram que você já era inteira o tempo todo.
E Ana, em algum lugar, sabe disso. Assim como eu.
Como alguns filósofos atuais dizem: "a felicidade é inútil" e como descobri, em vida, que toda frase é contextual. Penso que é verdade, em termos. A felicidade é ótima para o indivíduo, mas exacerbada, socialmente, viraria um caos. Eu acredito que tenha sua importância? Sim. É muito importante ela existir. Mas penso que se todos decidissem serem felizes, alguém ia sofrer e não por ser intenção de alguém, mas porque não conhecemos um mundo em que todos se beneficiam igualmente de uma mesma proeza. Muito embora, eu ainda gostaria muito que esse dia chegasse a existir: em que todos fossem felizes sem prejuízo de ninguém, como na música "Imagine" de John Lennon, morto por causas desconhecidas por um fã. Em minha cabeça, todo anarquista é um sonhador e não um político comunista. O mundo não aguenta mais a polaridade que causa guerra e é isso que John Lennon queria dizer (minha interpretação livre e que pode estar errada)
As brincadeiras dão ao mundo da criança uma felicidade não existente ou encontrada em outras atividades. A satisfação do brincar está num contexto lúdico e de fantasias que reflete a própria realidade.
Acho tão nobre as pessoas desejarem felicidade, coisas boas, para aquelas pessoas que as magoaram, traíram, que são suas inimigas declaradas. Ainda que eu queira desejar isso, não rola. Quero que elas paguem muito caro por todo mal que me fizeram. Que se mantenham o mais longe possível. Que sejam infelizes e desgraçadas. Uma coisa que eu faço é perdoar sempre. Mas todo o resto não me pertence. Talvez eu não seja uma boa pessoa como penso que sou ou sou mais realista que a maioria.
Quem me decifrou,
conseguiu entender
que sou feita de intensidade
e carrego a felicidade
dentro do meu ser.
Alimente-se
do que é bom,
do que te dá felicidade
e seja grato a quem
te oferece amor
e te estende a mão.
Num mundo tão repleto
de crueldade,
pode ter certeza
de que as coisas regojizantes
estão também espalhadas
por aí...
basta você abrir seus olhos
e o seu coração!
Um arco-íris de cores
e felicidade eu tenho
para te oferecer...
o meu querer,
com toda paixão,
coloco em suas mãos.
Expressarei, assim,
os meus sentimentos,
com toda força,
para que saiba que
nunca mais irei te esquecer,
porque encontrei a paz ao fazer morada em seu ser.
Depois que as correntes
são quebradas,
você entende que
o voo é necessário
e que a felicidade
pode estar logo ali.
