Ame mas Nao Seja Trouxa
Sempre preferi aqueles que admiram mais aos outros do que a si. Não por desamor, não por auto-estima decadente. Mas é que essa coisa de se auto-massagear nos trava. Nos tira de um ciclo de evolução. Faz com que fiquemos a estabelecer comparações constantes.
Gosto de quem tem ciência da própria desimportância. Me encanta essa gente que vai buscar nas diversas fontes do universo um sentido para a fome da alma. Que produz mais dúvidas do que conclusões. Me apego a quem seduz sem afirmar ‘sou’, muito menos ‘tenho’; mas que diz ‘vamos descobrir’. Ahhhh, descobrir o mundo a dois.
Que meus passos sejam guiados pelo mistério. Que meus erros escrevam meus manuais. Meu corpo, tão passageiro, sendo apenas instrumento para descobrir o gosto que viver tem.
No fim, aqueles que admiram aos outros mais que a si, tornam-se admiráveis por gostarem mais de pessoas do que de reflexos.
Que eu evapore e você solidifique. Mas, quando juntos, sejamos água transparente. Molhando e deixando embaçado o espelho na nossa frente.
Sabe....eu não fico triste pelo fato de você não me querer.
Eu fico triste por eu não ser ao menos uma opção....
Por que não eu?
O espírito crítico é essencial. O questionamento é correto, mas nós fomos treinados para não questionar, para não criticar, fomos cuidadosamente treinados para nos opormos. Por exemplo, se eu disser algo que não vão gostar – como o farei, espero – naturalmente começarão a opor-se, porque a oposição é mais fácil do que descobrir se o que digo tem algum valor. Se descobrirem que o que eu digo tem valor, então há ação, e por isso terão que alterar toda a vossa atitude perante a vida. Por esse motivo, como não estamos preparados para fazer isso, criamos uma hábil técnica de oposição. Isto é, se não gostarem de qualquer coisa que estou a dizer, apresentam todos os vossos preconceitos profundamente enraizados e obstruem-na, e se eu estiver a dizer algo que os possa magoar, ou que os possa aborrecer emocionalmente, refugiam-se nestes preconceitos, nestas tradições, neste pano de fundo; e reagem a partir desse pano de fundo, e a essa reação chamam crítica. Para mim não é espírito crítico. É apenas oposição habilidosa, que não tem valor.
SOBRE MIM.
Não sou de brincadeira quando falo sobre mim, afinal, eu mereço ser levada à sério. Respeito pra mim é essencial. Sou do tipo que valoriza o olhar mas que ainda carrega um gesto tímido na fala. Tenho um jeito marcante que ao mesmo tempo em que aproxima, afastam muitos. Talvez por medo, talvez por inveja, tudo depende da intenção de cada um. Sempre fui certa nas minhas atitudes, direta nas minhas opiniões e errada nas minhas decisões. Mas nunca, nunca alguém me viu de braços cruzados, disfarcei-me de cega, mas sempre observei passos errados. Quem me conhece sente saudades. Sou dia de sol misturada de uma grande tempestade.
Que você tenha uma noite perfeita,
daquelas em que descansamos não só
o físico, mas o emocional também!
Boa noite!
Toda vez que deixamos, nos acovardamos, estamos não só deixando de crescer, estamos nos escondendo, essa é a pior regressão !!!
Façam acontecer sempre, caso de errado volte e faça diferente, mas faça !
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Não posso mais ouvir em silêncio. Preciso falar com você pelos os meios de que disponho neste momento. Você fendeu minha alma. Sou metade agonia, metade esperança. Não me diga que é tarde demais, que sentimentos tão preciosos foram-se para sempre. Ofereço-me para você de novo com um coração muito mais seu do que quando você quase o despedaçou há oito anos e meio atrás. Não se atreva a dizer que o homem esquece mais rápido do que a mulher, que seu amor morre mais cedo. Eu tenho amado somente você, mais ninguém. Injusto posso ter sido, fraco e ressentido também, mas nunca inconstante. Você, apenas você trouxe-me para Bath. Faço planos pensando somente em você. Você não ainda percebeu? Terá você falhado em entender meus desejos? Eu não teria esperado nem estes dez dias se tivesse podido ler seus sentimentos como eu penso que você penetrou nos meus. Quase não posso escrever. A todo instante ouço alguma coisa que me atordoa. Você abaixa sua voz, mas eu posso distinguir seus tons mesmo quando perdidos em meio aos outros. Boníssima e excelente criatura! Você nos faz justiça, deveras. Você crê que há afeto verdadeiro e constância entre os homens. Creia “nisto” mais fervoroso e constante em
F. W.
Devo partir – incerto de minha sorte –, mas voltarei aqui ou irei para sua festa, assim que possível. Uma palavra, um olhar, será o suficiente para que eu decida entrar na casa de seu pai esta noite, ou nunca.
Persuasão, capítulo 23 (trad: Raquel Sallaberry Brião
Não grite sua dor aos quatro ventos, procure ajuda. Não exponha demais suas mazelas, respeite seu luto e o silêncio que vem junto. A vida é cíclica e tudo faz sentido, mesmo que demore muito. E não deixe nunca de confiar no seu poder de superação: é a maior dádiva que a vida nos deu.
Hoje, recebo vocês com aquilo que tenho de mais verdadeiro: minha gratidão.
Talvez eu ainda não consiga dizer tudo em palavras faladas. Às vezes, eu agradeço no silêncio, no olhar que demora, no abraço que segura um pouco mais, no sorriso tímido de quem ainda está se refazendo. Agradeço também vivendo, que é o que vocês me ensinaram a fazer de novo.
Vocês foram suporte quando eu precisei parar.
Foram colo quando meu corpo e minha alma pediram descanso.
Foram cuidado, zelo, presença, generosidade.
Apoio emocional, financeiro, de alma — daquele que permite respirar sem culpa.
Em vocês, aprendi que eu podia ser cuidada como algo precioso.
Como uma pérola.
Essa pequena concha é apenas um símbolo. Um gesto singelo para dizer que não há distinção entre vocês: todas têm a mesma importância, todas sustentaram, cada uma à sua maneira, o que em mim estava frágil. Que ela possa guardar o que for precioso — anéis, memórias, pequenas delicadezas — e que, ao olharem para ela, lembrem-se: ali também estou eu, depositada com amor, assim como fui acolhida.
No dia em que pedi anjos a Deus, Ele me enviou vocês.
E foi através de vocês que voltei a acreditar que descansar também é um ato de coragem, e que ser cuidada é uma forma de amor.
Obrigada por serem minha rede.
Meu suporte.
Meu descanso.
Minha luz no escuro.
Com todo o amor que hoje consigo oferecer.
🤍
29 de Dezembro de 2025
Entre pausas e silêncios,
barulhos de uma mente calada e cansada.
Não é ausência — é excesso contido.
Pensamentos que ecoam baixo,
como quem pede descanso sem saber pedir.
Aqui estou.
Não para explicar,
nem para resistir.
Apenas para permanecer
até que o silêncio
deixe de ser abrigo.
Inteira no cansaço,
presente no intervalo,
aprendendo a existir
sem ruído.
Lugar Secreto
Meu lugar secreto não é refúgio,
é onde me escondo quando o medo me encontra primeiro.
Ali estou aprisionada,
não por grades visíveis,
mas por silêncios que se repetem
e pensamentos que me paralisam.
Há um peso que não sei nomear,
mas que me impede de seguir.
Não é falta de desejo,
é excesso de cansaço.
O corpo até permanece,
mas a alma hesita.
Quis asas.
Quis distância suficiente
para não lembrar,
para não tocar no que ainda dói.
Mas fiquei.
Não por coragem,
mas por medo de ir
e por não saber quem eu seria do outro lado.
No meu lugar secreto,
aprendi a sobreviver em pausa.
A respirar raso.
A esperar que o tempo resolvesse
o que eu não consegui enfrentar.
Ainda assim, há fé.
Pequena, silenciosa,
mas firme o bastante
para não me deixar desistir.
Minha esperança não está em fugir,
mas em Deus,
que me encontra exatamente aqui,
onde estou paralisada
e já não consigo fingir força.
Se não consigo seguir,
que Ele me sustente.
Se não consigo voar,
que seja descanso.
Talvez o recomeço não seja partir,
mas permitir que Deus me alcance
no lugar onde permaneci.
A vida não tem sido justa.
E dizer isso em voz alta já cansa.
Porque não é reclamação,
é constatação de quem tentou permanecer inteira
mesmo quando tudo parecia exigir mais do que havia.
Já não sei mais o que busco.
Os nomes se perderam no caminho,
os sonhos ficaram difusos,
as certezas não acompanharam o tempo.
Só sei que preciso descansar.
Mas nem sei de quê.
Talvez da esperança que lutei para manter,
das versões de mim que precisei sustentar,
das expectativas que carreguei em silêncio.
Acho que preciso descansar de mim.
Da mente que não silencia,
do coração que sente demais,
da coragem forçada
de quem continua mesmo sem forças.
Se Deus me permitir,
que o descanso não seja fuga,
mas cuidado.
Que eu possa repousar sem culpa,
existir sem me explicar,
respirar sem me exigir.
Hoje não peço caminhos claros.
Peço abrigo.
Porque às vezes,
o maior ato de fé
é admitir o cansaço
e confiar que Deus ainda sustenta
quando já não sei nem o que pedir.
Cada dia é, sim, uma despedida silenciosa.
De versões nossas que não voltam, de instantes que não se repetem, de palavras que escolhemos dizer, ou calar.
Talvez a pergunta não seja apenas como queremos ser lembrados,
mas como estamos vivendo enquanto ainda estamos aqui.
Ser lembrado pelo afeto que oferecemos.
Pela presença que não pesou, mas acolheu.
Pelas palavras que curaram mais do que feriram.
Pelo olhar que viu o outro inteiro, não só por partes.
Porque, no fim, não ficam os grandes feitos,
ficam os gestos simples carregados de verdade.
O cuidado. A escuta. O amor possível.
E você,
se hoje fosse uma despedida,
o que deixaria vivo em quem cruzou o seu caminho?
Havia uma mulher que colecionava silêncios.
Não porque gostasse deles, mas porque eram o único lugar onde conseguia descansar o coração.
Todas as noites, ela deixava uma vela acesa na janela. Não era para iluminar a rua, era um aviso para si mesma: ainda havia esperança acordada dentro dela.
Um dia, o vento entrou sem pedir licença e apagou a chama. A mulher pensou que tudo tinha acabado.
Mas foi no escuro que ela percebeu: o calor não vinha da vela, vinha dela.
Desde então, aprendeu a caminhar mesmo quando a luz falta — levando no peito o que nunca se apaga.
Rabiscos são o jeito que encontrei de não desaparecer.
Em cada frase, um pedido de ajuda que não sabe gritar.
Quem aprende meus limites, aprende também
a medida exata do cuidado.
Assim, talvez consiga me resgatar…
Quem me conheceu de verdade
saberá que não era força o que faltava,
era cuidado.
O resgate nunca exigiu heroísmo,
apenas consciência dos meus limites.
Assim, talvez…
POV:
Eu não precisava ser salva à força.
Precisava ser vista.
Quem me conheceu de verdade
sabia onde eu cessava,
onde o peso começava,
e ainda assim escolheu a pressa,
não o cuidado.
O resgate nunca foi sobre coragem.
Foi sobre atenção.
Sobre permanecer quando não era fácil me mover.
Talvez, se meus limites tivessem sido respeitados,
eu não tivesse precisado me perder
para tentar me encontrar.
Eu te perdoo pela palavra não dita
Refugiada na solidão dos teus lábios
Entre os beijos que amordaçaste
Eu te perdoo pelo carinho adiado
Tatuado na insônia do teu corpo
Entre os sonhos que não dormiste
Eu te perdoo pelo olhar aflito
Desenhado no deserto do teu rosto
Entre os gritos de silêncio que guardaste
Eu te perdoo pelo abraço apenas imaginado
Sonâmbulo a ansiar o calor dos meus braços
Entre os luares que teus olhos apagaram
Eu te perdoo por sufocares teus desejos
Exilando-os na penumbra do teu coração
Entre os invernos perenes da tua alma
Eu te perdoo pelas vezes que te esperei
Quando teus passos emudeceram
Entre as fronteiras dos teus limites
Eu te perdoo pela tua renúncia
Por amontoares teus sonhos em gavetas
Entre tantos outros estilhaçados pelo tempo
Eu te perdoo por te perderes de mim...
