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Amar um Inutil

Cerca de 376432 frases e pensamentos: Amar um Inutil

⁠Um grande camarada
Foi o bicho-papão,
Me fazia companhia na solidão.

Inserida por michelfm

⁠A rajada gelada cortava seu beiço,
Estava gripado, tomado de tosse,
Cada pisada causava um tropeço,
Parábolas eram sua única posse.

Inserida por michelfm

⁠Um bípede barbado,
Com roupas sovadas,
Cabelo cacheado
E calças rasgadas,

Inserida por michelfm

⁠As bem novinhas, ficavam maravilhadas vendo-a, não a comparavam com um conto de fadas, pois princesas não eram largadas daquele jeito, mas neste instante percebiam que não precisavam, nem precisariam pertencer ao reino da fantasia, notavam que também poderiam ser normais, indo de encontro ao desconhecido nível da tosca beleza.

Inserida por michelfm

⁠As 24 horas vividas de um Verme

00h00 – Nascimento para uma existência imperceptível

01h00 – Descoberta dos primeiros sentidos (dolorosos)

02h00 – Engatinha emitindo sons pouco compreensíveis

03h00 – Inicia-se o adestramento de insignificância

04h00 – Aprende a armazenar desapontamentos

05h00 – Forçosamente é inserido à colônia parasítica

06h00 – Sofre os maus tratos que traçarão sua deformidade

07h00 – Perde qualquer doçura que jamais teve

08h00 – Segue-se o adestramento de insignificância (nível intermediário)

09h00 – Realiza cursos complementares de sadomasoquismo e submissão

10h00 – Conhece a larva que viverá ao seu lado pelos segundos que lhe restam

11h00 – Conclui o adestramento de insignificância (nível superior)

12h00 – Horário reservado para a única refeição que fará

13h00 – Forçosamente é inserido à colônia parasítica profissional

14h00 – Procria com o desígnio de dar continuidade ao sistema vigente

15h00 – Festa das quinze horas vividas de um verme (se for abastado)

16h00 – Desenvolve-se em sua abreviada e meteórica carreira parasítica

17h00 – Destrói a abreviada existência imperceptível de outros vermes (ônus)

18h00 – Recebe o retorno frutífero por 240 minutos de dedicação (bônus)

19h00 – Forçosamente é extraído da colônia parasítica profissional

20h00 – Reflete sobre os danos, prejuízos, lesões, estragos e avarias sofridas

21h00 – Aprende artesanato (devaneio que deslumbrava na fase juvenil)

22h00 – Adoece sem amparo do estado maior ou seguro previdenciário

23h00 – Morre desejando nunca ter existido

24h00 – Obtém sua Redenção (ato ou efeito de se redimir)

Inserida por michelfm

⁠Seus tornozelos doloridos,
Um repuxão, devido à queda do balanço.
Mas surgia um novo dia,
Ela enrolou seu lenço no pescoço,

Inserida por michelfm

⁠Um desjejum de algumas delícias.
Mamãe abotoou a gola de linho,
Penteou seus cabelos, fez carícias,
Regou as plantas com carinho.

Inserida por michelfm

⁠Colheu um ramo de cerejeira,
Organizou a estante, os bibelôs
E as porcelanas na penteadeira;
Encostou as tramelas dos vitrôs.

Inserida por michelfm

⁠Num abismo ruiu o humanismo,
Perpetuou-se o sacrilégio,
Entre o maligno e a bondade,
Um eterno conflito cego.

Inserida por michelfm

Menina foi pro parque ao meio dia,
Condessa no País das Armadilhas,
Autopsia um tanto inconclusiva,
Inerte, jazendo em mesa frígida.

Inserida por michelfm

Crônicas de um Espelho Meu

Besteiras fantásticas,
Asneiras primorosas,
Acidentalmente enfeitadas,
Enfeitiçadas, frondosas.

Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobeiras de uma comédia trágica.
Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobagens de uma tragédia mágica.

Com a delicadeza de princesas frágeis,
O atributo mor foi o olhar carente,
Mas pro viés dos bárbaros e obscenos,
A feiticeira má, sempre será, mais atraente.

Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobeiras de uma piada trágica.
Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobagens de uma anedota mágica.

Adorada Bruxa que nunca será minha,
Deixe-me ser seu servo,
Deixe-me amar em vão.

Deixe-me amar o engano,
Aceitemos a peso profano
De nossa esdrúxula relação.

Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobeiras de uma comédia trágica.
Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobagens de uma tragédia mágica.

Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Deixe-me amar o engano,
Deixe-me amá-la em vão.

Inserida por michelfm

⁠Dia do Anonimato *

Dobrou a esquina decidido
A percorrer um trajeto inabitual,
Descendo a rua irregular
Notou pedestres e a muvuca central.

Gradeados, o asfalto, telhados,
Uma mureta com degrau,
Lojas, butiques, bazares,
Um açougue liquidando bacalhau.

Automóveis, lixeiras, lixo no chão
E alguma forma vegetal,
Flores num canteiro, um bueiro,
Caixotes, tubulações em geral.

No estacionamento vazio
Se encontrava escondido um casal.
Paralelo ao centro financeiro,
Muitas cifras, cortesia impessoal,

Ternos de luxo, limusines, distinção,
Suavidade fria e cordial,
Um ligeira coxo que revirava
Uma tralha imunda próximo ao local.

Passava um cliente importante
Pelo detector de metais digital.

Trinta e dois minutos atrás,
Uma madame foi assaltada; um marginal,
Foi demitido de um emprego normal,
Por não ter concluído 2° grau.

Uns metros dali estouraram o cartel
De uma quadrilha internacional,
Esquema armado, escutas, grampos,
Traçado por uma equipe federal.

Ergueu a mão prum ex-companheiro
Da época que bateu o ponto usual,
Apertava parafusos, rosqueava,
Martelava e polia na fabriqueta de pedal,

Nunca viu a empresa inteira,
Mas sabia que dali saíam bicicletas no final.

Parou numa barraca do calçadão,
Encostou no balcão e pediu um curau,
Limpou-se com guardanapo de papel reciclável,
Recordou a vida rural.

Que remeteu à puberdade,
Tingida de idealismos e anseio liberal.
Ouviu o sino e depois um hino
Vindo da igreja onde ensaiava o coral.

Leu o título dum livro grafado num outdoor,
Best-seller na imprensa oficial,
“A Doutrina dos Humildes”, volume que
Despertou-lhe o entusiasmo literal,

Vendeu 40 milhões de exemplares, Virou mini-série de comoção nacional.

Freqüentador assíduo,
Adentrou no boteco,
Pediu um téco na medida total,

Uma pinga com cinzano
Que desceu raspano
Que nem água com sal.

Travou um carteado
Com os camaradas pingaiadas,
Gente fina esse pessoal !

Virtuoso e desapegado,
Teve cinco filhos,
Uma esposa e a ela foi leal.

Nunca em semanas, meses, anos,
Centenários e milésimos de segundos,
Após aquele dia, na história de todos os dias,

Em todos os dias dos tempos,
Em todos os tempos da história,
Apareceu-lhe outro dia tão excepcional.

Deu-se por satisfeito, visto que
Com efeito, percorreu seu trajeto inabitual.

* No Dia do Anonimato ocorreu um fato,
que não alterou absolutamente coisa alguma.

Inserida por michelfm

⁠Dobrou a esquina decidido
A percorrer um trajeto inabitual,
Descendo a rua irregular
Notou pedestres e a muvuca central.

Inserida por michelfm

⁠Gradeados, o asfalto, telhados,
Uma mureta com degrau,
Lojas, butiques, bazares,
Um açougue liquidando bacalhau.

Inserida por michelfm

⁠Automóveis, lixeiras, lixo no chão
E alguma forma vegetal,
Flores num canteiro, um bueiro,
Caixotes, tubulações em geral.

Inserida por michelfm

⁠No estacionamento vazio
Se encontrava escondido um casal.
Paralelo ao centro financeiro,
Muitas cifras, cortesia impessoal,

Inserida por michelfm

⁠Ternos de luxo, limusines, distinção,
Suavidade fria e cordial,
Um ligeira coxo que revirava
Uma tralha imunda próximo ao local.

Inserida por michelfm

⁠Passava um cliente importante
Pelo detector de metais digital.

Inserida por michelfm

⁠Trinta e dois minutos atrás,
Uma madame foi assaltada; um marginal,
Foi demitido de um emprego normal,
Por não ter concluído 2° grau.

Inserida por michelfm

⁠Parou numa barraca do calçadão,
Encostou no balcão e pediu um curau,
Limpou-se com guardanapo de papel reciclável,
Recordou a vida rural.

Inserida por michelfm