Amar
Sobre Amar
Marcio Melo
Se alguém me disser que não vale a pena amar,
eu diria que é o mesmo que
cortar as asas de um pássaro e impedir ele de voar.
Ou como um rio sem água,
que nunca vai encontrar o mar.
Será que vale a pena um pássaro não voar?
Será que existe rio sem água chegando ao mar?
Então eu pergunto:
qual o sentido da vida,
se não vale a pena amar?
Cartas que Não Enviei
Se amar fosse um erro,
eu colecionaria pecados como estrelas,
cada batida do peito uma confissão
escrita em tinta invisível.
Cada carta guarda um segredo:
o tremor da mão ao traçar teu nome,
a saudade que se disfarça de ponto final,
o “eu te amo” escondido entre as linhas
como quem tem medo de ser lido inteiro.
E eu, a mais sortuda dos errantes,
continuo escrevendo sem selo,
sem endereço, sem coragem de enviar...
porque entregar-te o coração
é o único erro que eu faria
mil vezes, sem pedir perdão.
Eu amo alguém. Aprendi a amar, construir o amor! Ele também não me amava, mas hoje nos amamos.
Somos a felicidade um do outro.
Cuidamos um do outro.
O amor é inexplicável, ele surge de tantas formas diferentes...
Eu descobri, do jeito mais nada poético possível, que amar alguém por muitos anos é tipo cuidar de uma planta que insiste em quase morrer, mas também insiste em não desistir. Tem dias que eu olho pra gente e penso com toda sinceridade do mundo, meu Deus, quem foi que teve essa ideia genial de continuar aqui? Porque no começo, ah… no começo a gente não sabia nem onde colocar as mãos, quanto mais o coração. Era tudo meio torto, meio desconfiado, meio “será que isso presta?”. E mesmo assim, a gente ficou.
E ficar, eu percebi, é um ato meio revolucionário hoje em dia. Porque o mundo ensina a ir embora na primeira instabilidade, como se amor fosse aplicativo que trava e a gente desinstala sem nem tentar reiniciar. Só que eu e ele somos dessas pessoas teimosas, que atualizam, que insistem, que brigam, que cansam, mas que no final do dia ainda estão ali, se olhando com aquele ar de quem já viu o pior e mesmo assim decidiu ficar para o próximo episódio.
Tem dias em que o nosso amor parece uma construção feita com pressa, cheia de rachaduras, barulho, poeira e um certo risco de desabar. E tem outros dias em que eu olho e penso, isso aqui tá virando uma obra de arte, viu. Porque cada dificuldade foi uma lixa, cada discussão foi um martelo, cada reconciliação foi um polimento. A gente não nasceu pronto, a gente foi se fazendo. E olha, dá um trabalho quase absurdo.
Só que no meio desse caos bonito, eu entendi uma coisa que ninguém conta direito. Amor de verdade não é o que nunca balança. É o que balança, ameaça cair, faz a gente perder a paciência, mas ainda assim encontra um jeito meio torto de se sustentar. É tipo aquele copo lascado que você continua usando porque tem história. E quanto mais história tem, mais difícil é largar.
Hoje, quando eu olho nos olhos dele, eu não vejo perfeição. Vejo caminho. Vejo tudo o que já passamos, tudo o que quase quebrou a gente, e tudo o que, estranhamente, fortaleceu. Nosso amor ainda é instável às vezes, claro que é. Mas também é resistente de um jeito que nem eu sei explicar direito. É como se a gente tivesse construído algo que não é indestrutível, mas é persistente. E no fim das contas, isso vale muito mais.
Porque diamante mesmo não nasce pronto. Ele aguenta pressão, tempo, calor, caos. Igualzinho a gente. E eu sigo aqui, lapidando, sendo lapidada, às vezes reclamando, às vezes rindo, mas sempre ficando. Porque no meio de tanta coisa passageira, o que a gente tem… ficou.
Amar, hoje em dia, não tem mais esse glamour todo de novela das nove, com gente correndo na chuva, tropeçando na própria dignidade e chamando isso de intensidade. Eu mesma já fui dessas, dramática profissional, achando que amor de verdade precisava doer um pouquinho, como quem aperta o sapato novo só pra ter certeza que ele é caro. Só que uma hora a gente cansa de sangrar por estilo.
A verdade é que amar virou quase um exercício de resistência emocional, tipo academia, só que sem espelho e sem aplauso. É acordar num dia em que tudo dentro de mim quer silêncio, isolamento e um bom “ninguém me toca”, e ainda assim escolher olhar pro outro e pensar, eu fico. Não porque é fácil. Não porque tá lindo. Mas porque tem algo ali que vale mais do que o conforto de ir embora.
E olha que ir embora, às vezes, parece uma proposta tentadora, quase um convite VIP pra paz imediata. Só que a gente descobre, com o tempo, que paz que vem fácil demais costuma ir embora do mesmo jeito. Permanecer, não. Permanecer é quase uma arte esquecida. É tipo cuidar de planta que insiste em não crescer, mas um dia, do nada, dá flor e você fica ali olhando, meio emocionada, meio besta, pensando, ainda bem que eu não joguei fora.
Amar assim exige uma coragem silenciosa. Não tem plateia, não tem trilha sonora, não tem ninguém dizendo “nossa, que lindo vocês dois resistindo ao tédio de uma terça-feira qualquer”. Mas tem uma coisa muito maior acontecendo ali, escondida no cotidiano. Tem dois seres imperfeitos, cheios de bagagem, traumas, manias irritantes e fases insuportáveis, decidindo não transformar qualquer desconforto em despedida.
E isso, sinceramente, é revolucionário. Num mundo onde tudo é descartável, inclusive gente, escolher ficar virou quase um ato de rebeldia. É tipo dizer pro universo, eu sei que seria mais fácil recomeçar com alguém novo, mais empolgante, mais leve, mas eu escolho construir, mesmo quando dá trabalho, mesmo quando dá vontade de sumir.
Porque no fim das contas, amar não é sobre aquele pico de emoção que faz o coração disparar. Isso aí até café resolve. Amar é sobre constância, sobre presença, sobre aquele gesto meio despretensioso de continuar ali, mesmo quando não tem nada de extraordinário acontecendo.
E talvez seja exatamente isso que torna tudo extraordinário.
Tem dias em que eu paro e penso que amar é quase um esporte radical, daqueles que a gente entra achando que é caminhada leve e, de repente, já está pendurada num penhasco emocional, sem equipamento, só com fé e um pouco de teimosia. E eu amei… amei de um jeito que não cabe em explicação bonita, dessas que ficam bem em legenda de foto. Foi um amor que existiu, que teve voz, que teve troca, que teve vida em algum canto do mundo. Não foi invenção da minha cabeça, não. Foi real. E talvez justamente por isso tenha doído tanto.
E aí vem a vida, com aquela elegância duvidosa dela, e me coloca dentro de outro amor. Um amor que não nasceu perfeito, que não veio embalado em promessas cinematográficas, mas que foi sendo construído no meio dos cacos. Porque é isso que ninguém conta, a gente não constrói amor só com flores, a gente constrói com restos também. Com pedaços que sobraram de histórias antigas, com silêncios desconfortáveis, com verdades que poderiam muito bem ter sido escondidas, mas não foram.
Eu poderia ter guardado esse amor antigo como um segredo bonito, desses que a gente esconde numa gaveta interna e visita de vez em quando, em silêncio. Mas não. Eu escolhi abrir. Escolhi colocar na mesa, olhar de frente, dividir. E isso… isso não é simples. Não é leve. Não é coisa de gente fraca. É coisa de quem decidiu não viver pela metade.
E ele ficou. Olhou para tudo isso e não saiu correndo. Pelo contrário, teve a coragem de me perguntar por que eu não escrevo sobre isso. Como se, no meio de toda essa bagunça emocional, ele ainda enxergasse arte. Como se ele dissesse, sem dizer exatamente: transforma essa confusão em algo bonito.
E eu fico pensando… que tipo de amor é esse que não exige perfeição, mas presença? Que não pede um passado limpo, mas um presente honesto? Porque, vamos combinar, talvez muita gente não suportasse. Talvez muita gente preferisse a versão editada da história, aquela sem capítulos difíceis, sem sentimentos atravessados. Mas a gente… a gente escolheu ficar.
E não foi porque era fácil. Foi porque, de algum jeito meio torto e muito humano, ainda existia vontade. Vontade de tentar, de reconstruir, de olhar para os degraus quebrados e, ao invés de desistir da escada, começar a consertar um por um.
Eu não sei se isso é o tipo de amor que vira conto de fadas. Provavelmente não. Mas talvez seja o tipo que vira verdade. E no fim das contas, verdade sustenta muito mais do que qualquer ilusão bem contada.
Então eu escrevo. Escrevo porque viver isso tudo e ficar em silêncio seria quase um desperdício emocional. Escrevo porque, no meio de tanta coisa que poderia ter nos separado, a gente decidiu, de forma quase teimosa, continuar.
E se isso não é uma forma bonita de amor… eu sinceramente não sei o que é.
Será que existe motivo maior para deixar alguém ir do que essa pessoa não te amar mais?
Não adianta: nenhum amor resiste à sua falta de tempo. O sentimento se perdeu no meio das suas dúvidas. Amizade é mais que uma mão estendida. Mais que um sorriso bonito. Mais que a alegria de dividir coisas. Mais que sonhar juntos ou sentir as mesmas dores. Muito mais que o silêncio que fala ou a voz que se cala para escutar. Amizade é o alimento que enche a nossa alma. E ela é dada por alguém que acredita em nós.
Amizade...
Coisa de Gente...
Alexandre Sefardi
Há uma verdade que poucas pessoas têm coragem de aceitar: nem sempre deixamos de amar. Às vezes, apenas deixamos que o medo fale mais alto do que o sentimento.
É curioso perceber como alguém pode amar intensamente e, ao mesmo tempo, se convencer de que ir embora é a melhor escolha. Não porque o amor acabou, mas porque as dúvidas cresceram mais rápido do que a confiança. Porque pessoas de fora deram opiniões sobre uma história que nunca viveram. Porque o orgulho fez parecer fraqueza aquilo que, na verdade, era coragem: permanecer.
O ser humano possui um hábito silencioso de acreditar mais nas próprias inseguranças do que nas demonstrações de carinho que recebe. Uma palavra negativa pesa mais do que cem gestos de amor. Uma desconfiança pode destruir em minutos aquilo que levou anos para ser construído.
E então a distância começa.
Primeiro diminuem as mensagens. Depois desaparecem as ligações. Os "eu te amo" se transformam em silêncio. Até que um dia dois corações que ainda se amam passam a viver como completos estranhos.
O mais triste é que, muitas vezes, ninguém traiu, ninguém deixou de sentir. Apenas deixaram de conversar. Deixaram que o orgulho respondesse no lugar do coração. Deixaram que outras pessoas escrevessem o final de uma história que só pertencia aos dois.
O tempo passa, e a vida continua. Mas há sentimentos que não obedecem ao relógio. Existem pessoas que seguimos amando em silêncio, mesmo depois de meses ou anos. Não porque esperamos que voltem, mas porque certos sentimentos não desaparecem; eles apenas aprendem a existir em um lugar onde já não fazem barulho.
Talvez o maior erro do ser humano seja imaginar que sempre haverá tempo para voltar atrás. Que um pedido de desculpas pode esperar. Que um abraço pode ser dado amanhã. Que quem ama estará ali para sempre.
Mas a verdade é que o tempo nunca promete outro encontro. Existem despedidas que acontecem sem que ninguém perceba. O último abraço nem sempre parece o último. A última conversa quase nunca tem cara de despedida.
E quando entendemos isso, resta apenas o peso de uma pergunta que ecoa dentro da alma:
**"Será que eu perdi essa pessoa porque ela deixou de me amar... ou porque deixei minhas dúvidas falarem mais alto do que o amor que ela me oferecia?"**
Algumas respostas chegam tarde demais. E, quando chegam, já não servem para mudar a história. Servem apenas para ensinar que o amor raramente acaba de uma vez. Na maioria das vezes, ele é sufocado, pouco a pouco, pelas palavras que nunca foram ditas, pelos medos que nunca foram enfrentados e pelas pessoas que jamais deveriam ter tido voz dentro de uma relação construída por dois corações.
O infinito, para mim, é amar você. É encontrar paz no seu sorriso, força no seu abraço e felicidade em cada momento ao seu lado. Meu amor por você não tem fim, apenas cresce a cada dia, como algo que o tempo jamais poderá apagar.
Amar é caminhar junto na vida, cheia de surpresas. É cuidar do outro, mas dar espaço. É encarar medos, abraçar pra aliviar dores e sorrir à toa só porque o outro existe. Procuramos uma amiga que goste das mesmas coisas, que se emocione, que saiba falar do simples: da chuva, das lembranças da infância. Precisamos dela pra não pirar, pra contar o belo e o triste do dia, os sonhos e a realidade. Alguém que curta ruas vazias, poças d'água, mato depois da chuva e deitar no capim.
Coisa de Gente...
