É maluquice acreditar em missões de... Bella Iza

É maluquice acreditar em missões de vida, em destinos traçados e em almas que se reconhecem através das eras? Uns chamam de loucura; outros, de fé. Mas, no fundo, essa espera é a minha forma de não aceitar o ordinário. Sou a guardiã de uma porta cuja chave só eu tenho, aguardando por quem um dia me pediu para esperar, prometendo que, embora os caminhos se desencontrassem, o reencontro valeria o peso de toda a nossa saudade.
Dizem que almas predestinadas estão conectadas além desta vida, mas a verdade é que o meu espírito habita essa eternidade enquanto o meu corpo padece no tempo do relógio. Acordo todos os dias com uma imensidão no peito, sentindo que ninguém é suficiente, que ninguém é capaz de tocar a chave que guardo para um dono que parece nunca chegar. É um conflito constante entre o plano espiritual, onde a conexão é absoluta, e a vida corpórea, onde a distância me faz temer estar perdendo os dias enquanto planejo a minha fé.
Talvez a minha 'loucura' seja apenas a teimosia de ser fiel a um sentimento que o mundo, tão acostumado ao desapego e à pressa, já não sabe mais sustentar. Sei que me pergunto, com o coração apertado, se estou perdendo a vida ou se estou, na verdade, construindo algo que poucos têm a coragem de viver: a lealdade absoluta ao invisível.
Sim, é maluquice. É a maluquice de quem prefere a dor de uma espera grandiosa à facilidade de um encontro vazio. E, enquanto a chave permanece aqui, guardada, sigo sendo a guardiã dessa porta, equilibrando-me entre a certeza da alma e a angústia da carne, esperando que o pulso dos nossos corações finalmente se sincronize outra vez.