Almas que Nasceram uma para outra

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A poesia é uma doença cerebral.

Uma circunstância imaginária que nós gostamos de acrescentar às nossas aflições é acreditar que seremos inconsoláveis.

Na admissão de uma opinião ou doutrina, os homens consultam primeiramente o seu interesse, e depois a razão ou a justiça, se lhes sobeja tempo.

Quando a chuva para,
por uma fresta nas nuvens
surge a lua cheia.

Quando o doutor escreve a receita, olha-nos uma última vez para ver se põe um remédio dos caros ou dos baratos.

Ninguém trabalha melhor do que quando faz uma coisa apenas.

A verdadeira arte não é só a expressão de um sentimento, mas também o resultado de uma inteligência viva.

Há uma medida nas coisas; existem enfim limites precisos, / além dos quais e antes dos quais o bem não pode subsistir.

A dúvida é uma homenagem prestada à esperança.

Uma pátria compõe-se dos mortos que a fundaram assim como dos vivos que a continuam.

A vida de uma nação, como a de um indivíduo, é uma ruína perpétua, uma sequência de desabamentos, uma interminável expansão de misérias e crimes.

O ciúme é uma doença psicológica constitucional, e, se com ela nascemos, dificilmente a podemos curar.

Todos os classicismos implicam um romantismo anterior... A ordem implica uma certa desordem que ela vem reduzir.

Um homem faz sobre a Terra a mesma figura que um piolho de uma linha de altura e de um quinto de largura sobre uma montanha de mais ou menos 15700 pés de circunferência.

A marca de uma boa ação é que, retrospectivamente, parece inevitável.

A música de jazz é uma inquietação acelerada.

Para o cinema tudo se torna uma imensa natureza-morta, até os sentimentos dos outros são qualquer coisa de que se pode dispor.

Federico Fellini

Nota: Autoria não confirmada

A morte fala-nos com uma voz profunda para não dizer nada.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa