Alexander Lowen
Numa cultura tecnológica, os únicos valores reconhecidos são dinheiro, poder e sucesso. Autenticidade é uma coisa do passado, atualmente representada por peças genuínas de antiquário. Daí o seu valor.
O modo ter baseia-se em relacionamentos possessivos. O si-mesmo é enxergado como um eu que tem esposa, casa, carro, emprego, até um corpo. Uma vez que o eu tem um corpo é o ego, o modo ter representa uma posição egocêntrica. Este modo desenvolveu-se a partir da propriedade privada, do poder e do lucro, dependendo destes fatores. Seu foco incide sobre o indivíduo ao invés de sobre a comunidade. O modo ser, por outro lado, fundamenta-se no amar, no dar, e em relacionamentos compartilhados. Neste modo, a medida do si-mesmo não é dada em termos do que a pessoa possui, mas sim em termos do quanto ela dá ou ama. No modo ser, a pessoa encotra sua identidade através de sua responsabilidade para com a comunidade.
Os neuróticos estão sempre tentando se modificar usando a força de vontade, mas isso serve apenas para torná-los mais neuróticos. A saúde emocional só pode ser atingida com autoconsciência e autoaceitação. O esforço para mudar o próprio ser só os enreda mais profundamente no destino que estão tentando evitar.
Quando vencer é mais importante do que jogar, a atividade ou o esporte não são mais um jogo, mas um trabalho.
Se nenhuma raiva for sentida em uma perda, nenhuma tristeza real poderá ser experimentada e não terá lugar uma lamentação adequada. É da natureza dos seres humanos protestar contra sua dor e não sufocar o protesto masoquisticamente. Logo, parece estranho que nossa cultura admire tanto um indivíduo que consegue encarar a morte estoicamente sem mostrar nenhuma emoção. Qual a grande virtude que há na repressão das emoções? Este comportamento pode revelar que o ego da pessoa domina e controla o corpo, mas também indica que um aspecto importante de sua humanidade está perdido.
A pessoa neurótica tem medo de abrir seu coração ao amor, teme estender a mão para pedir ou agredir; amedronta-a ser plenamente si mesma.
"Se pretendo evitar ser narcisista, não devo negar meus sentimentos, o que me coloca num estado de conflito com a moralidade."
As pessoas que não têm medo de viver, não temem morrer.
Na qualidade de adultos, não podemos ser traídos a menos que sejamos ingênuos. Se somos ingênuos, traímos a nós mesmos, negando nosso passado.
O herói é mais caracterizado como ele vive do que como ele morre.
Numa cultura em que o progresso é um valor importante, o conflito entre as gerações irá inevitavelmente se desenvolver.
Os seres humanos são os únicos animais capazes de ações ditadas pela vontade. Através de sua vontade, o homem transcende sua natureza animal e cria cultura mas, neste processo, afasta-se da natureza e se torna vulnerável a doenças.
O pai se ressente da ideia de que o filho tenha uma vida melhor do que a que ele teve. "Por que você deveria ter uma vida melhor do que a que eu tive?" – eis aí uma sensação ignorada por muitos pais com respeito aos filhos.
Em nossa cultura, quando uma criança não vai bem na escola, o pai considera geralmente o fracasso do filho como sinal de seu próprio fracasso. Pela mesma razão, o êxito do filho infla o ego do pai.
Racionalizamos o impulso de poder falando de segurança, de confortos materiais, das conveniências asseguradas pelos mesmos mas, quando todas essas necessidades estão satisfeitas, o impulso para ter mais dinheiro e mais poder prossegue.
Ter êxito significa vencer o pai, e, portanto, ter a mãe.
O vidente pode prever o futuro porque ele não consegue ver o interior da natureza das coisas. Mas Tirésias era cego: a visão do profeta não é uma função de consciência do ego, como a visão comum, mas sim do inconsciente, ou da função divina do hemisfério direito, (...).
Um terapeuta ideal seria como o profeta Tirésias, capaz de ler o caráter e predizer o destino.
As pessoas que não são envolvidas com seus egos, que conservam uma forte identificação com sua natureza animal, não temem a morte.
Não se pode assegurar a paz estocando armas, porque os exércitos, pela própria natureza, provocam a guerra.
