Agradecimento aos Colegas de Trabalho
“Crônica do Inferninho”
Eu estava prestes a sair do trabalho quando decidi chamar um Uber para me levar para casa. Assim, poderia relaxar um pouco no caminho de volta, depois de um dia bastante cansativo.
Quando o Uber chegou, entrei no carro e disse:
Boa noite!
O motorista respondeu educadamente:
Boa noite, senhor!
Seguimos em direção à minha casa.
De repente, o motorista me fez uma pergunta:
O senhor não gostaria de passar pelo inferninho antes de chegar em casa?
Respondi imediatamente:
Não, obrigado!
Pouco depois, ele perguntou novamente:
Tem certeza de que não quer passar pelo inferninho antes de ir para casa, senhor?
Tenho! Quero chegar em casa o mais rápido possível!
Mais uma vez, o motorista insistiu:
Tem certeza mesmo de que não quer conhecer o inferninho, senhor?
Já com certa irritação, respondi:
Não! Quero ir para casa. Estou muito cansado e quero descansar.
Mas, novamente, o motorista tocou no assunto:
Tenho certeza de que o senhor vai gostar do inferninho.
Dessa vez, alguma coisa despertou minha curiosidade.
Afinal, o que é esse tal de inferninho?
O motorista respondeu com um sorriso nos lábios:
O senhor precisa ir até lá para conhecer.
E completou:
Quem vai ao inferninho gosta muito.
O senhor não quer ir lá conhecer?
Não! Quero ir para casa, por favor!
respondi, já bastante irritado.
Claro, senhor. Não vou mais falar do inferninho.
Fez-se um silêncio total dentro do carro…
Mas, de repente, fui eu quem ficou com vontade de perguntar:
Onde fica esse inferninho?
O motorista respondeu:
O senhor gostaria de ir até lá?
Mas me diga primeiro: que diabos é esse inferninho?
Ele respondeu:
O senhor precisa ir lá para descobrir.
Você não pode simplesmente me dizer o que é esse inferninho?!
Não. O senhor tem que ir até lá!
exclamou o motorista.
Sério?! Eu tenho mesmo que ir para descobrir o que é?
Com uma voz muito convincente, ele respondeu:
Tenho certeza de que o senhor nunca viu um lugar como o inferninho.
Aquilo aumentou ainda mais a minha curiosidade.
E o motorista completou:
Tenho certeza de que o senhor vai gostar!
Pronto. Minha curiosidade foi parar nas alturas.
Comecei a imaginar que devia ser um lugar cheio de mulheres, muita bebida, música alta… uma verdadeira zona!
Fiquei pensando naquele inferninho durante alguns minutos e, finalmente, perguntei:
Você pode pelo menos me dizer o que tem lá?
O motorista respondeu:
O senhor precisa ver com os próprios olhos. Não posso dizer nada.
Aquilo me deixou com a pulga atrás da orelha.
Que lugar seria aquele? Até o nome era uma tentação! Devia ser bom demais. De repente, até o meu cansaço havia desaparecido.
E agora? O que eu faço???
Minha mulher pensa que estou trabalhando…
Hum…
O que eu faço???
Uma coisa era certa: se eu não fosse conhecer aquele inferninho, aquilo ficaria martelando na minha cabeça pelo resto da vida. Afinal, a curiosidade de um homem que se preze pode ser maior do que qualquer outra coisa!
Mas não.
Não cometi esse erro.
E ponto final!
Está bem falei para o motorista.
Pode me deixar em casa.
E ele me levou.
Mas aquele inferninho ficou na minha cabeça, me perturbando…
E tenho certeza de que ainda vai me perturbar por muito tempo.
Afinal…
Que diabos é esse inferninho???
E você?
Teria ido para casa… ou teria pedido ao motorista para levá-lo ao inferninho?
Trem da vida
Linha trabalho hoje desembarcar 3 passageiros o trem segue no seu trilho quem sabe ele volta nessa estação quem ou talvez essas pessoas consigam entrar novamente, futuramente em outro ciclo do trem, o vagão fica vazio mas na próxima estação entrará novos passageiros com desafios diferentes seguimos...
A Dignidade do Próprio Esforço
Conquistar um objetivo material através do próprio trabalho, da honestidade e do suor da alma traz uma alegria que dinheiro nenhum pode comprar. A espiritualidade valoriza o esforço digno, pois é no labor do dia a dia que exercitamos as nossas capacidades de criação e perseverança. Não subestime as suas pequenas vitórias cotidianas. O teto que você sustenta, o alimento na mesa e as metas alcançadas são o reflexo direto da sua dedicação. Vencer na matéria com dignidade é uma das formas mais bonitas de honrar as ferramentas que a vida nos deu.
A INDIFERENÇA TAMBÉM DEIXA MARCAS
A chuva fazia aquele trabalho sujo de sempre: cair sobre todo mundo sem perguntar quem merecia.
Eu estava no bar, diante da vidraça embaçada, com um copo que já tinha perdido a graça fazia algum tempo.
O bar estava cheio.
Gente falando alto, rindo de coisas que provavelmente não teriam graça no dia seguinte. Gente reclamando do preço da cerveja, do governo, do chefe, da vida, do casamento, do trânsito.
A vida humana em seu estado mais sofisticado: reclamar de pequenas merdas enquanto outras pessoas desaparecem a poucos metros.
Foi então que eu o vi.
Caminhava devagar.
Muito devagar.
Como se cada passo precisasse ser negociado com o corpo.
Um bastão em uma das mãos.
Uma trouxa enorme pendurada nas costas.
Aquele tipo de bagagem que não parece carregar roupas.
Parece carregar anos.
Ele levou a mão ao rosto.
Não sei se chorava.
Talvez estivesse apenas cansado.
Talvez tivesse vergonha.
Talvez estivesse protegendo os olhos da chuva.
Ou talvez estivesse tentando esconder de si mesmo o espetáculo miserável de continuar vivo.
E ninguém parou.
Ninguém.
Alguns passaram por ele com aquela pressa característica de quem tem compromissos importantes.
Um homem esbarrou em seu ombro.
Nem olhou para trás.
Uma mulher desviou como se tivesse encontrado uma poça.
Outro simplesmente continuou andando.
A cidade possui uma técnica admirável para isso.
Ela transforma pessoas em obstáculos.
Depois transforma obstáculos em paisagem.
E, finalmente, transforma paisagem em nada.
Fiquei olhando.
E comecei a me perguntar quando foi que aprendemos a não nos importar.
Talvez tenha começado cedo.
Quando descobrimos que sentir demais dói.
Então construímos pequenas paredes.
Depois paredes maiores.
Depois uma casa inteira dentro da cabeça.
Chamamos aquilo de maturidade.
Chamamos de experiência.
Chamamos de inteligência emocional.
Na verdade, muitas vezes é apenas medo com uma boa roupa.
A gente aprende a olhar sem ver.
A ouvir sem escutar.
A passar por alguém sofrendo e dizer:
Não é problema meu.
É uma frase eficiente.
Curta.
Prática.
Quase elegante.
Serve para tudo.
Para o mendigo.
Para o velho.
Para o vizinho.
Para a criança.
Para o amigo.
Para o planeta.
Para a própria consciência.
Não é problema meu.
E assim vamos ficando especialistas em não pertencer a nada.
A tragédia é que ninguém nos avisou que, quando você se separa suficientemente dos outros, começa também a se separar de si mesmo.
Porque aquele homem ali não era somente aquele homem.
Era uma possibilidade.
Uma versão futura.
Uma lembrança de alguma coisa que poderíamos ter sido.
Ou simplesmente alguém que teve menos sorte.
E essa é a parte que incomoda.
Porque é fácil desprezar aquilo que acreditamos estar muito distante.
Mas e se não estiver?
E se a diferença entre aquele homem e o sujeito sentado aqui no bar for apenas uma sequência de acidentes?
Uma doença.
Um abandono.
Uma dívida.
Uma perda.
Uma velhice que chegou sem pedir licença.
Uma mão que ninguém segurou quando ainda havia tempo.
É aí que a coisa fica desagradável.
Porque começa a desaparecer a confortável fronteira entre eu e ele.
Nós gostamos de acreditar que somos indivíduos separados.
Eu tenho minha vida.
Ele tem a dele.
Eu tenho meus problemas.
Ele tem os dele.
Uma pequena matemática moral para justificar nossa covardia.
Mas existe uma coisa incômoda chamada humanidade.
E ela não respeita nossos muros.
Ela passa por dentro deles.
O homem continuava caminhando.
A chuva continuava caindo.
A motocicleta continuava estacionada.
As pessoas continuavam indo para algum lugar.
E eu continuava atrás do vidro.
Isso também me incomodava.
Porque observar o sofrimento não nos torna melhores.
Às vezes apenas nos torna espectadores mais sofisticados.
Você pode escrever sobre a fome e continuar jantando tranquilamente.
Pode falar sobre compaixão e não oferecer um minuto a ninguém.
Pode publicar frases bonitas sobre humanidade enquanto passa por uma pessoa caída na calçada olhando para o celular.
A consciência é uma coisa estranha.
Ela permite que você se sinta culpado sem precisar mudar absolutamente nada.
Talvez essa seja uma das maiores fraudes que inventamos.
Sentir não basta.
Pensar não basta.
Indignar-se não basta.
A compaixão que não atravessa o corpo e chega às mãos é apenas uma emoção bem-comportada.
E talvez seja disso que este homem esteja nos lembrando.
Não com palavras.
Não com discursos.
Não com nenhuma bandeira.
Apenas com aquele corpo cansado.
Aquele bastão.
Aquela trouxa.
Aquela mão cobrindo o rosto.
Ele não precisa saber que está nos ensinando alguma coisa.
Talvez nem queira.
Talvez só queira chegar a algum lugar.
E existe uma brutalidade nisso.
Ele está tentando chegar.
Nós também.
A diferença é que alguns carregam uma mochila.
Outros carregam apartamentos, carros, diplomas, investimentos, fotografias de família, rancores, traumas, vaidades, fracassos e uma quantidade absurda de medo.
Todos carregamos alguma coisa.
A questão é o que fazemos quando percebemos que outra pessoa não consegue mais carregar a dela.
Viramos o rosto?
Aceleramos o passo?
Ou paramos?
Talvez seja esse o ensaio mais simples para recuperar alguma coisa que perdemos.
Parar.
Olhar.
Reconhecer.
Cuidar.
Não porque somos santos.
Não porque precisamos salvar o mundo.
Mas porque, antes de todas essas teorias sobre sucesso, liberdade, mérito e individualidade, existe uma coisa muito mais antiga dentro de nós.
A necessidade de cuidar.
Ela está lá.
Debaixo do cinismo.
Debaixo do orgulho.
Debaixo das cicatrizes.
Debaixo dessa couraça ridícula que construímos para não sofrer.
Você foi feito para cuidar.
E eu sei que isso soa ingênuo.
Num mundo que transforma gentileza em fraqueza, parece até uma piada.
Mas talvez a verdadeira fraqueza seja justamente o contrário.
Passar por alguém quebrado e precisar fingir que não viu.
Porque para não sentir a dor dos outros você precisa amputar alguma coisa dentro de si.
E amputações emocionais também deixam cicatrizes.
O homem desapareceu na chuva.
O bar continuou cheio.
Pedi outra cerveja.
Não porque tivesse esquecido o que vi.
Mas porque ainda não sabia o que fazer com aquilo.
Talvez começar seja exatamente isso:
não esquecer.
Não deixar que aquela imagem vire apenas mais uma fotografia entre milhares.
Não permitir que a dor de alguém se torne paisagem.
Talvez a mudança comece antes da ação.
Comece no instante em que você se recusa a olhar para o outro como um estranho.
Porque, no fim, somos todos passageiros da mesma coisa.
E a cidade continuará esbarrando em nós.
A chuva continuará caindo.
Os bares continuarão cheios.
As pessoas continuarão com pressa.
E algum homem continuará caminhando devagar, carregando nas costas tudo aquilo que ninguém quis carregar com ele.
A pergunta não é se podemos salvar aquele homem.
Talvez não possamos.
A pergunta é outra.
O que ainda existe dentro de nós quando vemos alguém sofrendo e escolhemos não nos importar?
Talvez seja aí que a humanidade comece.
Ou termine.
Depende do que você fizer depois de olhar.
"Vez por outra tem gente querendo saber se eu trabalho, que chatice! Eu não trabalho, já disse e repito. Nem tenho trabalho para oferecer a quem está sem trabalho e sem ter o que fazer (de útil)."
Frase Minha 0494, Criada no Ano 2010
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Meu outro cunhado, rico de berço, diz que, pra ele, trabalho é igual dentadura. Não precisa e por isso não usa!"
Frase Minha 0677, Criada no Ano 2013
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
" 'O Trabalho Enobrece', disse alguém! E daí? Eu não suporto Nobreza, Monarquia e coisas do gênero!"
0701 | Criada por Mim em 2014
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Muito menos no Dia do Trabalho eu trabalho. Isso incomoda alguém? Será que não 'enobrecerei'? Será que nunca estarei dignificado? Será que vou queimar no mármore do Inferno? Será?"
Texto Meu 0883, Criado em 2018
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Apesar do meu respeito ao trabalho do saudoso José Datrino, noto que, ultimamente, nem sempre 'Gentileza Gera Gentileza' entre alguns. Que lamentável!"
Texto Meu 0901, Criado em 2018
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Dicionario com defeito. Já viram? Exemplo: Trabalho Voluntario, no meu dicionario, é o trabalho não remunerado que eu faço para quem merece, para quem não pode pagar por não ter receita e cujo resultado beneficiará, gratuitamente, outras pessoas. Não parece que há dicionario com defeito para alguns que realizam certos eventos esportivos? Poizé!"
Texto Meu 0965, Criado em 2020
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Saudade eu tenho daquela Professora que passava Trabalho de Casa, encomendando narração de como foi nosso final de semana. Tinha que ser em Redondilha Menor e não tínhamos a menor ideia do que era isso de Redondilha. Pronto! Ela nos fazia pesquisar e, com 'poucas cajadadas, matava vários coelhos'! Genial."
TextoMeu 1392
1606
"O trabalho de Evangelização deve considerar e respeitar que nem todos pensam igual, que nem todos têm que aceitar o que Outros desejam e que cada um tem seu modo de ver, de amar e de seguir Deus. Evangelizar sem considerar isso é o quê?"
0494 "Acontece muito... Gente querendo saber se eu trabalho, que chatice! Eu não trabalho mas sei quem tem trabalho para quem está sem trabalho e sem ter o que fazer de útil."
1392 📜 "E aquela Professora que passava Trabalho de Casa? Nossa resposta teria que ser, por exemplo, em versos (Redondilha Menor) e não tínhamos a menor ideia do que era. Ela nos levava a pesquisar e, com isso, aprendíamos tudo, bem e melhor. Saudade dela!"
2486 📜 " 'O trabalho Enobrece', dizem. A questão é que Eu, Eu mesmo, não gosto disso de 'Enobrecer', não gosto da Nobreza nem gosto da Monarquia. Essa é a questão!"
0494 📜 "Tem Gente querendo saber se eu trabalho, HeHeHe! Eu não trabalho mas sei quem tem trabalho para quem gosta de se meter com a vida alheia. HeHeHe, de novo!"
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