Agora foi o fim do nosso Amor

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“A insegurança pode até se prolongar... ou talvez seja só uma fase de fragilidade. Mas no fim, você escolhe: ou bate a poeira e segue em frente, ou se deixa ser dominada por ela.”


— uma mulher que decidiu se levantar




Autora:
Letícia Ribeiro Bilharva Fleck

Meu Calor



Ela é o meu calor.
Quando penso nela, o meu corpo arde sem fim, como se cada célula queimasse num fogo doce e cruel.
Não sei em que feitiço me meti — mas sei que não consigo, nem quero, sair dele.
Pensar nela é uma tortura… uma sede impossível de saciar, um sofrimento de querer, mas de não saber se é certo.
O meu apocalipse pessoal.

Aqueles olhos… pequenos, mas infinitos.
Olhos que dizem mais do que mil palavras.
Eu conheço todos os seus rostos — sei ler cada nuance, cada sombra, cada brilho, como se fosse um livro de romance que só eu pudesse folhear.
Os seus lábios… pequenos, carnudos, únicos.
Chamam-me, silenciosos, como se soubessem que eu viria sempre.

Cada dia que passa, ela brilha mais do que no dia anterior.
Não sei se, isto é, amor ou paixão — talvez seja um veneno disfarçado de mel.
Mas sei que me prendeu neste jogo sem regras.
Não porque me acorrentou…, mas porque eu quis ficar.
E sofro. Sofro para entender o amor.
Dizem que ele move céus e montanhas…
Mas o meu, ah… o meu moveria o que é visto e o que não é.

Amor — quatro letras.
Suficientes para me destruir e me reconstruir,
para me fazer mudar por algo que não vejo, apenas sinto.
Assim como o calor.
O seu cabelo molhado brilha mais que qualquer estrela,
a sua pele é seda quente e suave.
Ela surge nos meus sonhos e parte sem explicações,
deixando o vazio perfumado de lembrança.

Quero correr com ela na chuva.
Quero contar estrelas ao lado dela.
Quero escrever as melhores histórias da nossa vida para que os nossos filhos saibam que ainda há brilho no mundo —
brilho que nasce do seu sorriso tímido e bondoso.

Eu sempre me imaginei com ela,
porque só comecei a sonhar quando a vi pela primeira vez.
Foi um amor puro, crescendo devagar, ameaçando apagar-se com o tempo…
Até que eu me perdi na escuridão.
E foi quando a vi novamente que todas as sombras dentro de mim se desfizeram.
Naquele instante prometi nunca mais deixá-la ir.

Tornei-me prisioneiro do amor.
Ele acorrentou-me, torturou-me…
e eu gostei.
Gostei porque a dor tinha a forma de calor.
E então enlouqueci — enlouqueci por ela.
Mataria, morreria, por um único sorriso seu.

Gosto do seu jeito.
Despreocupada, mas cuidadosa.
Forte onde eu sou fraco.
Ela é o meu demónio e o meu paraíso, o meu calor e o meu pôr do sol.
E eu… eu sou o escravo voluntário deste amor.
Não sei quanto custa o amor para o mundo,
mas para mim o preço é este:
o sofrimento de estar amarrado sem saber
se algum dia serei liberto.

Ao fim do deserto vem um novo bioma, diferente do que se vagava antes do deserto, com vastas oportunidades, mistérios e sombras, nos fazemos relutantes em vagar pelo hábito de onde estivemos, mas quando começamos a agir as inseguranças e hábitos vão sumindo no horizonte.

Nunca é tarde para viver. Mesmo no fim da vida você pode lembrar de renascer.

Quero me jogar de um poço sem fim,

Afundar nas trevas que me prendem aqui.

Me afogar em lágrimas que ninguém vê,

Afogar minha voz que insiste em sofrer.



Quero me cortar em pedaços mil,

Espalhar meus cacos pelo chão frio e sutil.

Me estilhaçar em pedaços sem rumo,

Desfazer meus sonhos, apagar meu prumo.



Sumir, desaparecer como fumaça no ar,

Me despedaçar em silêncio, sem ninguém notar.

Não ouvir nada, e nada, e nada

Só o vazio ecoando a dor calada.



Quero que o mundo se cale ao meu redor,

Que não exista som, só um sufocante torpor.

Que a escuridão me tome de vez,

Que o peso seja a única minha altivez.



Quero gritar sem som, me perder no escuro,

Me dissolver, me perder, não quero mais futuro.

Mas cada lágrima que escorre no rosto,

Carrega a luta mesmo que seja desgosto.



Porque mesmo no abismo onde me deixo cair,

Há uma centelha que insiste em resistir.

Uma sombra tênue, um fio de luz,

Que diz: “Você pode mesmo sem saber como.”



E enquanto essa chama fraqueja e dança,

Eu carrego a dor, carrego a esperança.

Um relacionamento, quando chega ao fim, transforma a pessoa que você tanto amou e tinha tantas afinidades numa completa estranha!

A fome, a enfermidade e a guerra vão ter fim quando os homens deixarem de competir para somarem forças.

"O fim é o começo, na vastidão da incerteza, onde a mente ingênua, tomada pela ânsia, vagueia em busca de certezas"

Quando a adrenalina do término chega ao fim, vem a dor interna sem anestesia.

O fim de um relacionamento sempre é triste e desconcertante, pois transforma uma pessoa que você tanto amou numa completa estranha!

Nosso coração, vasto como o céu sem fim,
é um farol que nunca se apaga.
Com mãos que tocam o invisível,
transformamos tudo em pura beleza,
em simplicidade plena,
em amor que não exige,
mas que se dá, incessante.
Somos como uma corrente tranquila
que flui e se expande em toda direção,
sempre mais, sem fim,
sem necessidade de retorno.
No silêncio da nossa união,
não há som que se compare
ao murmúrio da nossa luz interna,
aquela que brilha sem pedir licença
e dissolve toda sombra que ousar existir.
A felicidade não é uma busca,
mas um estado que já habita em nós,
e em nosso ser, o mundo inteiro encontra seu lar.

Descobri, no fim, que a verdadeira loucura era tentar caber no que chamam de normal.

⁠Eu sou um poema sem fim. E sem ter quem leia para criar fim.

Liana Ferraz
Um prefácio para Olívia Guerra. Rio de Janeiro: HarperCollins, 2023.

A ideia de Deus é gigantesca, mas a inexistência dele é um abismo sem fim, uma vida sem esperança... O vislumbrar no escuro.

🎹 Fim Do Mês 🇵🇹


[Intro]
Fim do mês outra vez…
Carteira vazia, Estado a comer à mesa.


Contas na mão, salário já foi,
Três dias depois, já nada ficou.
Renda a subir, mercado a roubar,
Político sorri, povo a chorar.


Trabalho não falta, mas paga é miséria,
No bolso só dívida, na boca só espera.
Promessa quebrada, mentira no ar,
Enquanto eles brindam, eu corro a pagar.


[Refrão]


Fim do mês, bolso seco, revolta a ferver,
Portugal cansado, mas pronto a bater.
Se o Estado não ouve, a rua vai gritar,
Aqui é o povo, ninguém vai calar.


Hospital sem médico, escola sem giz,
Mas a dívida cresce e chamam de país.
Trabalhador preso, sistema a sugar,
Quem faz a riqueza não consegue jantar.


É luta diária, sem férias, sem nada,
O luxo é deles, a pobreza é calada.
Mas cada palavra que cuspo no beat,
É raiva do povo gravada no mic.


[Refrão]


Fim do mês, bolso seco, revolta a ferver,
Portugal cansado, mas pronto a bater.
Se o Estado não ouve, a rua vai gritar,
Aqui é o povo, ninguém vai calar.


Não é fado triste, é grito de guerra,
Do bairro, da fábrica, da nossa terra.
Se o jogo é sujo, eu não vou jogar,
É rap consciente, é voz popular!


[Refrão]


Fim do mês, bolso seco, revolta a ferver,
Portugal cansado, mas pronto a bater.
Se o Estado não ouve, a rua vai gritar,
Aqui é o povo, ninguém vai calar.


Não é fado triste, é grito de guerra,
Do bairro, da fábrica, da nossa terra.
Se o jogo é sujo, eu não vou jogar,
É rap consciente, é voz popular!


-

🎹 Salário Curto 🇵🇹


[Intro]
Yeah… é Portugal na rima,
Fim do mês chega e a carteira rima fina…


[Verso 1]
Fim do mês, contas batem à porta,
Luz, renda, gás – a vida não corta,
O salário voa, não chega ao final,
E o Estado assobia, jogada normal.


Na fila do banco, papel na mão,
Prometem futuro, dão-nos ilusão,
Trabalho pesado, pensão que não vem,
Quem levanta o país, nunca recebe bem.


[Refrão]
É fim do mês, contas pra pagar,
Portugal resiste, não vai quebrar,
Entre promessa e mentira no jornal,
A verdade é dura: isto é Portugal.


[Verso 2]
No café da esquina falam baixinho,
"Tá tudo caro, não sobra um vintinho",
Impostos sobem, saúde a cair,
Mas na Assembleia só sabem sorrir.


O povo aperta, mas segue em frente,
De norte a sul, sempre resistente,
Quem governa esquece quem sua no chão,
Mas a rua tem força, tem voz, tem razão.


[Refrão]
É fim do mês, contas pra pagar,
Portugal resiste, não vai quebrar,
Entre promessa e mentira no jornal,
A verdade é dura: isto é Portugal.


[Final]
Fado moderno, rima popular,
Do bolso vazio nasce o rap pra lutar,
Se o futuro demora, nós vamos cantar,
Portugal é do povo, ninguém vai calar!


-

No fim, não importa quem teve razão na discussão. Importa quem conseguiu dormir depois dela.

No fim é preciso lembrar: Muito do que sonhamos pode não acontecer. Até lá, vive-se.

Fecho os olhos
A fim de desenhar lá no fundo
de mim
um novo vento,
novas flores
um canto de repouso
tenro e suave
Onde meus sentidos
aflorem
lentamente a
um céu de alento
em
eternidade !
É tudo que pode me salvar
desse inquieto e silene
momento !

Pegada

Meu peito é nada mais nada menos
Que um mar de ondas.
- Vai e vem pelas areias
Sem fim. Meninos pequenos

A construir castelos, e a criar
Em suas imaginações, dragões
E eu com a minha amada, a beijar
O tempo... E peixes por entre rufões

Águas marinhas a fazer o encanto,
Conchas a espalhar-se pelo chão,
E o vento a fazer do meu peito lamento

Minha amada partindo, vai paixão,
Nada posso dizer vai, deixando pranto
E assim acordei do sonho, presas no coração.