Adão

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CONFISSÕES DE UM ADMIRADOR DELAS.

Mulher: Seu carinho, seu amparo, seu olhar, seu jeito carismático de amar, de ensinar e de corrigir nos acompanham por toda vida. Se não temos uma mulher por mãe a temos por companheira, e se não temo-la por companheira, pelo menos, de um ou doutro jeito perto de nós existe uma.

Mulheres: com a vossa feminidade nos cercam de alegrias insaciáveis, consolos precisos, e doces sopros no ouvido recheados de afeto e de conselhos para uma vida eficaz. Ainda bem que Deus vos criou depois de Adão para que soubéssemos o quanto fazem falta e que, sem vocês, a companhia que nos acompanharia seria uma a solidão deprimente.

Sim, nós vos amamos. Sim, somos gratos por tê-las ao nosso lado por toda vida. Sim, queremos com um canto poético e vociferante dizer que sem vocês não conheceríamos a doçura sem igual da uva, o chilrear dos encantados pássaros que não se cansam de anunciar a felicidade de viver, o cheiro agradável das flores lindas do campo, não experimentaríamos, nunca, o frio agradável do vento matutino, e muito menos conheceríamos o brilho da luz do sol que incansavelmente se impõe todos os dias ao alvorecer.

Pensando bem, talvez pudéssemos existir sim. Existiríamos na amarga e ofegante solidão de não ter ao lado com quem compartilhar as alegrias e os impasses da vida. Oh, quão bom e quão suave é ter a alegria e satisfação de estar com vocês.

Deus, obrigado por nos dar o gosto de viver a vida à moda “Adão e Eva”!

*No princípio eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!* *

Senhor, admiro a sua obra... Mas que paraiso é este que tem cobra?

Inserida por DinoAlvesdeJesus

Um abraço faz toda a diferença, quando estás arrumado de problemas.
Porque o abraço é a desarrumação mais carinhosa que existe.

Das Biografias (1)

em negro
teceram-me a pele.

enormes correntes
amarram-me ao tronco
de uma Nova África.

carrego comigo
a sombra de longos muros
tentando impedir
que meus pés
cheguem ao final
dos caminhos.

mas o meu sangue
está cada vez mais forte,
tão forte quanto as imensas pedras
que os meus avós carregaram
para edificar os palácios dos reis.

Comensais

A minha pele negra
servida em fatias,
em luxuosas mesas de
jacarandá,
a senhores de punhos rendados
há 500 anos.

Agora

É hora
de amolar a foice
e cortar o pescoço do cão.

– Não deixar que ele rosne
nos quintais
da África.

É hora
de sair do gueto/eito
senzala
e vir para a sala
– nosso lugar é junto ao Sol.

“Faça a diferença, sendo diferente. Diferentemente da maioria, que pensa que ser diferente é ser esquisito”.

É muito fácil criticar uma mulher......Difícil é sentar e Ouvir

AQUI NA ROÇA

Tem moço da cidade cantarolando
As maravilhas de se viver na roça
Cavalgar pelos campos, nadar no rio
Fogueira, roda de viola e cachaça

Aqui tem tudo isso

Mas aqui também se acorda cedo para trabalhar
Cavalo, porco, cachorro, galinha, gado para alimentar
Lavoura pra plantar, cuidar, colher e vaca para ordenhar
Aqui fim de semana ou feriado não se pode parar

A vida na roça não é fazenda de novela
Peão de roupa limpa, mão sem calo e rosto sem suar
Aqui na roça o trabalho é pesado
Mas pra quem já está acostumado
Essa é a melhor vida, esse é o melhor lugar

O maior vencedor é aquele que perde com dignidade e assume a responsabilidade

O que mais atrapalha o processo de perdão é gastarmos energia procurando quem é o errado.

⁠Perdoar é livrar-se do lixo atômico que contamina a alma.

⁠Irritar-se é da natureza humana. O problema é administrar mal esse ato.

Onde a desiguldade tenha fim eu louvei,
que as crianças da minha terra não mora de fome...

Faça sol ou faça tempestade

faça sol ou faça tempestade,
meu corpo é fechado
por esta pele negra.

faça sol ou faça tempestade
meu corpo é cercado
por estes muros altos,
– currais
onde ainda se coagula
o sangue dos escravos.

faça sol
ou faça tempestade,
meu corpo é fechado
por esta pele negra.

Enquanto o dia infinito sem sol se arrastava, eu piscava devagar para o teto rachado, onde aranhas teciam teias preguiçosas como minhas próprias desculpas. "A banda parar de tocar", murmurava para mim mesmo, ecoando aquela frase quebrada que o usuário jogara, talvez um erro de digitação, talvez um grito abafado de uma mente cansada como a minha. Mas que banda? A orquestra invisível da vida, com seus violinos desafinados e tambores surdos, que nunca parava de martelar na cabeça, mesmo quando eu implorava pelo silêncio?

Sozinho no sofá que cheirava a mofo e memórias podres, eu rolava para o lado, evitando o esforço de acender a luz. Amargo era o resíduo do café na língua, misturado ao gosto metálico da derrota autoimposta. A preguiça me ancorava, uma âncora enferrujada no fundo, de um mar de nada, onde peixes mortos flutuavam como promessas quebradas. Por que me mexer? O mundo lá fora, com suas corridas e risos forçados, não sentia minha falta e eu, solitário rei de um reino vazio, não sentia falta dele.

Deixei os pensamentos vagarem como nuvens cinzentas, preguiçosos demais para chover. O tigre flamejante?
Agora era só um gatinho ronronando debilmente, sua fúria dissipada no ar úmido. A morte, ah, ela demorava, preguiçosa como eu, talvez deitada em seu próprio sofá eterno, esperando que eu a chamasse. Mas eu não chamava. Somente esperava, no vazio que se expandia, engolindo horas como um buraco negro faminto. Continuei assim, ou melhor, parei de continuar porque no fim, o que era a história senão uma sucessão de nadas, amargos e solitários, ecoando até o silêncio final.

Enquanto o eco dos versos passavam, se dissipando no ar úmido da noite, eu me arrastava para o sofá puído, onde o tempo se esticava como uma goma velha e mastigada. A amizade, esse amor disfarçado que ela cantava, não passava de uma piada amarga para mim agora, vazio em um quarto sem janelas. Preguiça? Ah, ela era minha companheira fiel, enrolando-se em mim como uma cobra sonolenta, sussurrando que o esforço era para tolos, que o mundo lá fora girava sem precisar do meu olhar.

Sozinho, via o céu como túmulos de sonhos esquecidos, inalcançáveis aos meros preguiçosos e fracos. O tigre flamejante rugia distante, o gatinho gritava em vão? Eu nem me mexia. Por que lutar contra o medo, contra o tempo que devora tudo? Deixei o relógio ticar, o amor passar como um trem que nunca para na minha estação abandonada. Amargo era o café frio na xícara, solitário o silêncio que engolia minhas risadas antigas, preguiçoso o corpo que se recusava a levantar.

E assim, continuei a história, ou melhor, a falta dela. Deitei ali, esperando que a morte, essa preguiçosa rainha, viesse me buscar sem pressa, sem drama. Pois no fim, o que restava? Somente o vazio, o amargo gosto de nada, e a solidão que se estendia como um dia infinito sem sol.

Alguns vão escolher viajar no futuro e algumas no passado. O peso que nos consome são diferentes.

Estar de terno não define o grau de importância das suas palavras, mas palavras importantes coadjuvam muito bem com um terno.

Inserida por Giltuane