Aceitação
Nesse nau de estilhaços em meio a isso,
Quer o sentimento após o afago
Indagado por si na busca da aceitação
Não se prende e se cobra,
Será uma obra a mando da cobra,
que se cobra pela obra dentro de si por falta de desafeição?
Indagação, por razão ao sentir-se sozinho por vezes não dói,
Buscando um alivio para o que atormenta a cabeça, por vezes se destrói,
O comportamento é destrutivo
enquanto a fábrica de sorrisos projeta mais um alivio,
nesse nau de estilhaços em meio a isso,
eu vos falo que a solidão é bela vista e não sentida
Me salve com um afeto, para depois me matar com seu desamor.
Me acostumei com ao ritmo de correr o máximo que posso
me acompanhe ou eu te acompanho
o amor assusta por ser estranho,
me sinto surpreso quando bem quisto tu me fazes,
mas não tão abalado quando cansada, você se afastar.
É o costume se despedir então,
não se esqueça disso quando a porta se abrir
E se abrir voe se solto,
não se prenda como eu faço,
a vida é uma então se jogue.
O esforço de tentar mudar a minha cabeça era tão exaustivo que, num determinado ponto da adolescência, eu apenas aceitei que eu era assim. Não foi o tipo de aceitação que deixava a gente aliviado. Aceitar que eu sou gay significou aceitar que eu vou para o inferno e viver constantemente com medo da morte. Esse tipo de pensamento não me assombra com tanta frequência como antes, mas ainda existem noites em que, antes de dormir, eu olho para o teto e penso que, em algum lugar, existe um Deus que está extremamente desapontado comigo.
A paz advém de saber que não podemos mudar as coisas, por mais que despertemos a meio da noite aos soluços.
A paz da aceitação.
Aprendemos a viver com o facto.
(Alice Barros)
Voe
Abra a parte de você que quer se esconder
Você pode brilhar
Esqueça as razões que não a deixam brilhar em sua vida
E comece a tentar, porque essa é sua hora,
Hora de voar
DESARMADO
Desarmei-me de tudo que pensava ser,
que não sou...
Atinei para as coisas que penso em ser.
Parece confuso?
A certeza de pensar que sou o que não sou,
Priva-me de lutar pelo que desejo ser.
Detesto enganar-me!
Ainda confuso?
é que acerta-se em tudo, quando,
Se aceita ser apenas o que se é...
A certeza de se ser um ser humano,
Eleva-me no que realmente sou!
Prefiro estar desarmado..
E não enganado.
Eu adoro roupas, glamour e ser invejada nas redes, sério. Mas às vezes sinto, como uma mulher não magra e não branca, que tenho que me esforçar em dobro. Tipo: “Sou mulata e curvilínea, mas estou usando um vestido caro e fiz escova, então é seguro! Me aceita!” É exaustivo. E caro.
Em vez de tentar ser aceito por outras pessoas que também tem problemas iguais a você descubra-se, reinvente-se, procure novas perspectivas e transforme-se, dentro de você tem toda a força que você procura!
Não te rendas!
Ainda está em tempo de alcançar e começar de novo.
Aceitar as tuas sombras;
Enterrar teus medos;
Largar o lastro;
Retomar o voo.
Alí todo seu mistério belo, leve, natural. Naquela noite, era somente sombra e resquícios de luz que desenhavam todas as curvas do AMOR.
A vida é um imenso jardim e as pessoas são como as flores, existindo nas mais variadas formas, aromas e cores, sendo algumas ainda botões, outras desabrochando e outras morrendo. E tem gente que gosta de margarida mais do que de rosa e não gosta de girassol.
O LATENTE E O MANIFESTO
Quem sou eu?
Tudo o que dizem que sou?
Ou o que reconheço em mim?
A quem pertence a veras de si?
Meu rosto eu pintei
Disseram que eu menti
Mas só porque eu nasci de um jeito
Nele devo permanecer até o fim?
Eu também nasci ignorante
Devo então morrer idiota?
Ninguém evolui parado
Que mal há em melhorar os fatos?
Esqueceram de um detalhe
Isso no meu rosto é arte
Que ora esconde a naturalidade
E ora expressa minha personalidade
Mas uma coisa eu aprendi
Se me aceito como sou
Posso então mudar
E não sou responsável
Por expectativas alheias
Ser autêntico nada tem haver
Em provar aos outros o que se é
Mas em conhecer a própria verdade
E aceitar-la com idoneidade
(20/03/2016)
