Abandona
Despeço-me da roupa
como quem abandona o dia
e encontro-te na sombra macia do quarto.
Os teus olhos percorrem-me devagar,
com a saliva tranquila de quem sabe esperar. Sinto o teu toque subir pela minha pele como um fogo lento que acorda cada nervo.
A tua boca aproxima-se do meu pescoço, quente, demorada —e o ar entre nós torna-se
mais pesado, carregado de desejo.
A minha boca perde-se
nos teus famintos seios
descobre os caminhos que o corpo guarda para noites em que a razão adormece.
E quando finalmente me puxas para ti, pele contra pele, respiração contra respiração, o mundo encolhe até caber entre os nossos corpos.
Ali ficamos, presos um ao outro,
num ritmo antigo e secreto,
onde cada suspiro diz
aquilo que as palavras
nunca ousariam dizer.
Poesia vive em mim
Poesia quero morar contigo
Poesia não abandona o meu coração
Poesia seja o meu pensamento de cada amanhecer
“O homem justo não se vende, não se corrompe e não abandona a justiça para agradar a ninguém. Por sua integridade, será respeitado por uns e odiado por outros.”
— Angelino de Jesus
O Zonista não abandona facilmente, mas quando percebe que só ele se importa, aprende a ir embora para sempre.
“Toda sociedade que abandona a presunção de inocência acaba precisando provar a inocência de todos.”
“Quando a lei abandona a dignidade, a vida continua existindo, mas deixa de encontrar proteção onde deveria encontrar justiça.”
“O jurista que abandona a razão transforma a lei em instrumento; o jurista que abandona a justiça transforma a razão em ornamento.”
A ciência jurídica avança quando abandona dogmas que já não conseguem responder às perguntas da realidade.
Quando o Direito abandona a pergunta pela justiça e se submete à lógica da conveniência, a barbárie já não precisa romper a ordem: basta administrar-se por meio dela.
A sociedade que abandona o infrator depois de puni-lo apenas prolonga a cadeia de consequências que afirma combater.
