A Verdade de cada um Pirandello

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A existencia e um enorme vazio se não tiver com quem partilhar a sua curta passagem neste mundo sem sentido.

Que todos os seus dias comecem com paz de espírito e um coração tranquilo... E que você sempre se lembre de que muitos pensam em você com todo o carinho, pela bondade que você partilha, pela alegria que você traz a cada um, a cada dia.

"A filosofia surgiu na Grécia como um esforço de apreender e dizer o 'ser' das coisas. A palavra 'ser' implica o reconhecimento de uma realidade objetiva estruturada, inteligível, comunicável de homem a homem."

Na liderança de um sentimento com poder de sedução, desejos provocantes invadem corações que "aos extremos do amor" entram em delírios extasiantes inexplicáveis.

Para estudar o passado de um povo, de uma instituição, de uma classe, não basta aceitar ao pé da letra tudo quanto nos deixou a simples tradição escrita. É preciso fazer falar a multidão imensa dos figurantes mudos que enchem o panorama da história e são muitas vezes mais interessantes e mais importantes do que os outros, os que apenas escrevem a história.

A princípio foi esse olhar um simples encontro; mas, dentro de alguns instantes, era alguma coisa mais. Era a primeira revelação, tácita mas consciente, do sentimento que os ligava. Nenhum deles procurara esse contato de suas almas, mas nenhum fugiu. O que eles disseram um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido; confissão misteriosa e secreta, feita de um a outro coração, que só ao Céu cabia ouvir, porque não eram vozes da Terra, nem para a Terra as diziam eles. As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única.

Machado de Assis
Helena (1876).

Coisas ruins acontecem as vezes com pessoas boas. Não existe um motivo para isso, elas apenas acontecem.

⁠A felicidade é o desejo de eternizar um instante de alegria, um momento que você não quer que acabe.

A UM SUICIDA

À memória de Tomás Cabreira Júnior

Tu crias em ti mesmo e eras corajoso,
Tu tinhas ideais e tinhas confiança,
Oh! quantas vezes desesp'rançoso,
Não invejei a tua esp'rança!

Dizia para mim: — Aquele há-de vencer
Aquele há-de colar a boca sequiosa
Nuns lábios cor-de-rosa
Que eu nunca beijarei, que me farão morrer

A nossa amante era a Glória
Que para ti — era a vitória,
E para mim — asas partidas.
Tinhas esp'ranças, ambições...
As minhas pobres ilusões,
Essas estavam já perdidas...

Imersa no azul dos campos siderais
Sorria para ti a grande encantadora,
A grande caprichosa, a grande amante loura
Em que tínhamos posto os nossos ideais.

Robusto caminheiro e forte lutador
Havias de chegar ao fim da longa estrada
De corpo avigorado e de alma avigorada
Pelo triunfo e pelo amor

Amor! Quem tem vinte anos
Há-de por força amar.
Na idade dos enganos
Quem se não há-de enganar?

Enquanto tu vencerias
Na luta heroica da vida
E, sereno, esperarias
Aquela segunda vida
Dos bem-fadados da Glória
Dos eternos vencedores
Que revivem na memória —
Sem triunfos, sem amores,
Eu teria adormecido
Espojado no caminho,
Preguiçoso, entorpecido,
Cheio de raiva, daninho...

Recordo com saudade as horas que passava
Quando ia a tua casa e tu, muito animado,
Me lias um trabalho há pouco terminado,
Na salazinha verde em que tão bem se estava.

Dizíamos ali sinceramente
As nossas ambições, os nossos ideais:
Um livro impresso, um drama em cena, o nome nos jornais...
Dizíamos tudo isso, amigo, seriamente...

Ao pé de ti, voltava-me a coragem:
Queria a Glória... Ia partir!
Ia lançar-me na voragem!
Ia vencer ou sucumbir!...

Ai! mas um dia, tu, o grande corajoso,
Também desfaleceste.
Não te espojaste, não. Tu eras mais brioso:
Tu, morreste.

Foste vencido? Não sei.
Morrer não é ser vencido,
Nem é tão pouco vencer.

Eu por mim, continuei
Espojado, adormecido,
A existir sem viver

Foi triste, muito triste, amigo, a tua sorte —
Mais triste do que a minha e malaventurada.
... Mas tu inda alcançaste alguma coisa: a morte,
E há tantos como eu que não alcançam nada...


Lisboa, 1° de outubro de 1911
(aos 21 anos)

Por que não nos deixam viver como a vida é proposta na sua ideia inicial, um dia após o outro, e não sofrendo por antecedência com ameaça de inferno e céu.

"Um navio no porto é seguro, mas não é para isso que os navios foram feitos." – John A. Shedd

Devemos ter coragem e sair da nossa zona de conforto! Quando você está em movimento, é normal enfrentar marés, as vezes elas são calmas, outras vezes você pega marés turbulentas... O importante é não estar parado, você tem que estar sempre em movimento rumo ao destino onde quer chegar.

Foi um amor imenso, sem escolha, autoritário. Meu coração escolheu sem me auscultar. E o amor instalou-se, repentino como susto. Faltava-me garfo para lutar contra a paixão, e amei com desgrenhadas medidas.

Sempre que eu acordar, farei um pedido à Deus, que Ele me conceda forças para continuar, alegria para viver, luz para irradiar, paz para aconchegar, saúde para trabalhar e amor para compartilhar”... Porque a vida é feita de emoções, nós somos o reflexo do que diz o coração, somos a partilha de um bem chamado “imensidão”.

Um sorriso inocente de uma criança toca até os corações mais rancorosos.

”Formiga é um ser tão pequeno que não agüenta nem neblina. Bernardo me ensinou: Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas. Achei fácil”.

(Extraído do "Livro Sobre Nada" (Arte de Infantilizar Formigas), Editora Record - Rio de Janeiro, 1996, pág – projeto releituras)

No Brasil, ser um intelectual é um direito assegurado por lei a todos os incapazes.

Que minhas palavras sejam um farol
Que brilhe em meio ao escuro
Para que mesmo em dias sem Sol
Elas sejam uma guia a qual
Conduza o navegante a um porto seguro.

Não espere das outras pessoas um respeito que nem você tem por si mesmo. Você estará se iludindo!

Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.

Se um amor está gerando muito sofrimento, provavelmente não se trata de um amor verdadeiro, sendo apenas uma idealização feita da pessoa, em que alguém se apaixona por aquilo que pensa que o outro é, e não por aquilo que ele realmente é