A Verdade de cada um Pirandello

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Podemos ser enganados tanto pela mentira que aceitamos quanto pela verdade que recusamos, sobretudo quando reconhecer a realidade ameaça a narrativa que construímos sobre nós mesmos.

O corpo é a primeira fronteira da consciência e talvez sua mais incômoda verdade: antes de sermos ideias, projetos ou biografias, somos matéria vulnerável atravessando o tempo.

Mil palavras podem ornamentar a ignorância; uma única verdade, quando compreendida, pode despojá-la inteiramente.

Não transformes a tradição em verdade apenas porque o tempo lhe concedeu antiguidade.

Aquele que busca a verdade precisa conservar uma pequena pátria interior onde até suas próprias certezas possam ser julgadas.

A verdade raramente nasce do isolamento; muitas vezes ela começa quando duas consciências ousam discordar sem destruir a possibilidade do diálogo.

A liberdade de consciência começa quando o Estado reconhece que nem toda verdade religiosa pode ser convertida em verdade jurídica.

Quando uma convicção exige imunidade contra evidências, ela já não está procurando a verdade; está protegendo a própria identidade.

O ser humano frequentemente chama de verdade aquilo que apenas aprendeu cedo demais para questionar.

A verdade científica não precisa de fiéis; precisa de evidências, crítica e possibilidade de refutação.

Chamamos de verdade aquilo que nossa época decidiu tolerar como explicação.

Muitas pessoas não temem a verdade; temem a versão de si mesmas que precisariam abandonar depois de conhecê-la.

A verdade costuma ser ofensiva quando ainda ameaça interesses e banal quando já se tornou inofensiva.

A verdade pode entrar em uma sala cheia de pessoas, mas dificilmente sai dela sem ferir alguma vaidade.

Quem se acostuma a dizer a verdade economiza uma quantidade impressionante de memória e uma quantidade ainda maior de desculpas.

Quando o absurdo conquista a consciência como verdade, a violência encontra na crença uma autorização para agir.

O fanatismo transforma a convicção em febre: já não procura compreender a verdade, mas destruir tudo aquilo que ameaça sua certeza.

A dúvida é uma espécie de humildade armada: não destrói a verdade, apenas impede que alguém a use como propriedade particular.

A verdade não se torna falsa porque ninguém acredita nela; assim como a mentira não se torna verdadeira porque encontrou milhões de espectadores.

Conhecer a si mesmo é descobrir, dentro da própria consciência, tanto os fundamentos da verdade quanto os limites da própria arrogância.