A Verdade de cada um Pirandello

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Você estava no céu aluado mas era um astro vazio.
Perfurado... Perfurado...
Luz ofuscante.
Querido, está caindo?


- Ramile Godon

O Prédio que Aprendeu a Escutar possui um núcleo narrativo suficientemente abrangente para dialogar com diferentes campos. O mesmo romance pode interessar a alguém que estuda Direito, a um profissional de RH, a um contador, a um administrador ou a um leitor de ficção psicológica.

O princípio da proporcionalidade não autoriza o arbítrio judicial; exige que a restrição de um direito seja racionalmente justificada diante de sua necessidade.

A Constituição não é somente um documento que organiza o poder; é uma decisão histórica de submeter o poder a limites juridicamente vinculantes.

A consciência cria um espaço entre aquilo que acontece e a maneira como escolhemos responder.

"Hoje é só um dia comum, até virar a lembrança que você mais quer de volta."

⁠E quando sinto transbordar, acendo mais um cigarro.

Transformo em fumaça toda angústia, jogo as cinzas ao vento, no tempo.

Um dia a gente há de se encontrar.

Criaturas inventaram um modo capitalista que, quanto mais trabalha-se para Deus, parece que menos Deus trabalha para ti.


Enquanto os presentes básicos de Deus forem comercializados pela matrix, Deus continuará parecendo o pix.

A presunção de inocência não é um benefício concedido ao acusado, mas uma fronteira civilizatória imposta ao poder de punir.

A ausência de documentação não constitui necessariamente prova da inexistência de um acontecimento, sobretudo quando a própria instituição controla os mecanismos de registro.

Em um mundo onde muitas pessoas buscam nas outras apenas uma fonte de utilidades; ainda bem que existem aquelas que as reconhecem como fonte de inspiracao e amor.
Helda Almeida
(05/11/2026)

Deus não te quebra em pedaços, para lhe colocar em um espaço que não lhe cabe. Ele tem a fôrma certa.

A Rosa Inteira
William Contraponto


Na névoa fria da ignorância, broto,
um livro aberto é sol no meu jardim.
A mente é chão, mas só floresce o roto
que rega o verbo e poda o próprio fim.


A chama pensa antes de queimar,
e o vento sussurra ideias no grão.
Quem teme a dúvida, deixa de andar,
preso no espelho da convicção.


Sabedoria é faca de dois gumes:
corta ilusões, mas fere o coração.
São pétalas que o tempo não resume
sem se perder em busca de razão.


A rosa só é rosa inteira e viva
se guarda em si perfume e cicatriz.
O fruto nasce onde a raiz cativa,
e o pensamento é chão que pede bis.


Quem colhe cedo, perde o maduro;
quem crê demais, não vê o entrelinha.
O tempo ensina em passos tão obscuros,
mas cada luz é dúvida que germina.

Máquina do Infinito
William Contraponto


O céu repete antigos labirintos,
com lógica de um sonho recorrente,
estrelas são os cálculos extintos
de uma mente que pensa eternamente.


Os átomos se alinham no compasso
do tempo que não sabe pra onde vai,
há dúvida moldando cada traço,
e o caos revela a ordem que se esvai.


Um pensamento pulsa entre os planetas,
em código que nunca se decifra,
e o vácuo grita verdades secretas
que a razão recusa, mas registra.


O universo é só um pensamento,
máquina viva sem operador,
reflete em mim seu movimento,
sou engrenagem do seu motor.


As galáxias giram como ideias,
que buscam forma e nome sem cessar,
mas toda luz produz suas aldeias
de sombra que ninguém pode evitar.


Se o mundo é mente, somos devaneio
de um cérebro em combustão,
e a vida, esse constante entremeio
entre a matéria e a percepção.


O universo é só um pensamento,
máquina viva sem operador,
reflete em mim seu movimento,
sou engrenagem do seu motor.

O Lugar Sob o Nada
William Contraponto


Há um lugar sob o nada,
onde o tempo não se explica.
Nem vestígio, nem alvorada,
só a ausência que fabrica.


Ali, o ser se dispersa,
num silêncio que não finda.
O ressoar do que se versa
é memória nunca vinda.


Não há dor, nem alívio,
apenas o que não começa.
O todo é um delírio vívido,
e o nada, uma estranha promessa.


Quem chega não parte mais,
pois partir seria ter chão.
E nesse intangível que se refaz,
o nada aprende a ser mão.


Sob o nada há um sentido,
feito de falta e véu.
É o lugar do indefinido,
onde o nada roça o céu.

Com o que fizeram de mim, fiz um poeta.


William Contraponto

Tenho dois cães, um teto, dois pares de roupas, dois pares de calçados — e uma mente que não se rende à estagnação.

O Que Fica do Que Fomos
William Contraponto


Se um dia eu cruzar a noite inteira
e o corpo cansar do próprio som,
não esperarei por luz ou fronteira;
apenas o rastro do que ainda sou.


Porque além da morte não há segredo,
não há espírito buscando um lar.
Há só memória vencendo o medo
e o que deixamos no fundo do olhar.


O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.


Quando a última porta se fechar,
não haverá juízo nem muralha.
A vida é um barco que aprende a passar,
e cada travessia ensina – e falha.


O que chamam alma, eu chamo história:
a voz simples do que se amou.
É a cicatriz guardando a memória
de cada luta que alguém lutou.


O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.


Se deixo um verso solto pela rua,
que seja luz pra quem quiser seguir.
Não há mistério entre sombra e lua:
há só a marca do que se quis sentir.
E quem nos guarda não é o além,
é quem repousa o nosso bem.


No silêncio que sucede o último passo,
ninguém nos chama para salvação.
O tempo recolhe o nosso espaço
e entrega aos outros a continuação.


Se algo vive depois do adeus,
não são anjos nem eternidade:
é o que plantamos no chão dos seus,
a parte nossa que vira verdade.


O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí,
no que vive em ti,
no que chamam fim
e que eu chamo de existir.

WILLIAM CONTRAPONTO
Biografia de um poeta, pensador e comunicador independente


William Gogolenko Risther, conhecido artisticamente como William Contraponto, nasceu em 2 de julho de 1987, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Brasileiro, de ascendência familiar ucraniana e eslava, com raízes germânicas, construiu uma trajetória que aproxima literatura, comunicação, participação social e reflexão sobre a condição humana.


A escolha do nome William Contraponto representa mais do que uma identidade artística. Traduz uma maneira particular de compreender o mundo: pela contraposição de ideias, pelo questionamento das certezas e pela disposição de examinar diferentes perspectivas. Sua identificação como Poeta-Reflexivo expressa a união entre criação literária e pensamento crítico.


Origens e história familiar
A história familiar de William possui raízes na Europa Oriental. Seu avô paterno, Mykola Gogolenko, nasceu em 1934, na região de Ternopil, na Ucrânia. No contexto das consequências da Segunda Guerra Mundial, passou pela Alemanha, onde permaneceu por aproximadamente três anos em alojamentos vinculados à assistência da UNRRA, antes de emigrar para o Brasil, em 1948.


A trajetória de sua família reúne elementos da história migratória europeia do século XX, marcada por deslocamentos, reconstrução da vida e adaptação a uma nova realidade.


Essas origens integram sua história pessoal e constituem parte de sua identidade familiar e cultural.


Maurício Rodrigues Lucas: o amor, a memória e a dimensão humana
Nenhuma biografia de William Contraponto estaria completa sem mencionar Maurício Rodrigues Lucas, conhecido carinhosamente como Maumau, seu companheiro de vida e uma das pessoas mais importantes de sua trajetória pessoal.


A história dos dois começou em 16 de dezembro de 2012, quando se conheceram em uma tarde de domingo. O relacionamento, construído ao longo dos anos, atravessou separações, reencontros, amadurecimento e uma convivência que se consolidou oficialmente em união estável, registrada em cartório em 2017.


Foram aproximadamente quinze anos de uma história marcada por afetividade, companheirismo e experiências compartilhadas.


Maurício não ocupou apenas o lugar de companheiro. Representou uma referência afetiva, uma presença importante nas decisões e na vida cotidiana de William. O próprio autor reconhece que Maumau era uma parte essencial de sua existência, alguém que, em suas palavras, representava metade de si e também seu freio diante de determinadas situações.


A relação entre ambos possuía suas particularidades. William, assumidamente ateu, e Maurício, que preservou sua identidade católica mesmo depois de se afastar de antigas referências espiritualistas, encontraram maneiras próprias de respeitar suas diferenças. Essa convivência também se expressa na homenagem que William mantém em casa, com imagens religiosas, crucifixo e terço, não como manifestação de sua própria crença, mas como respeito à memória e à identidade espiritual de Maurício.


Em 26 de setembro de 2026, Maurício faleceu, aos 37 anos, após enfrentar uma grave doença oncológica. Sua partida representou uma transformação profunda na vida de William.


O luto passou a integrar não apenas sua experiência pessoal, mas também sua expressão literária. A memória de Maurício, os momentos compartilhados, a saudade e a necessidade de compreender a ausência tornaram-se elementos de reflexão e elaboração artística.


Entre as homenagens idealizadas por William está o projeto de preservar a história de Maumau por meio da literatura, incluindo a possibilidade de um livro dedicado a ele, reunindo poemas e textos sobre o amor, a convivência e a memória.


O nome Maurício Rodrigues Lucas passou a ocupar um lugar permanente na história pessoal e afetiva do poeta.


Essa dimensão revela algo importante sobre William Contraponto: por trás do escritor que questiona a existência, a sociedade e as certezas humanas, existe alguém que também escreve a partir do amor vivido e da experiência irreversível da perda.


Maurício não é apenas um capítulo da biografia de William. É parte da história que William continuará carregando e transformando em memória, palavra e literatura.






Formação pessoal e construção de consciência
William desenvolveu sua visão de mundo a partir de experiências pessoais, observação social, leituras e reflexão independente.


Sua trajetória intelectual não foi construída dentro de uma formação acadêmica em Filosofia, mas por meio de um processo autodidata, de interesse multidisciplinar e aprofundamento continuado.


Entre suas referências estão Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Friedrich Nietzsche e Diógenes, além de escritores, músicos e pensadores latino-americanos.


Também passou por experiências religiosas distintas. Foi médium espírita e pai de santo de Umbanda, tendo exercido funções de liderança religiosa. Posteriormente, afastou-se das crenças espiritualistas e religiosas, assumindo uma posição ateísta, fundamentada na reflexão crítica e na ausência de convicções sobre a existência de entidades transcendentes.


Essa mudança é apresentada pelo próprio autor não como uma simples ruptura religiosa, mas como parte de um processo de amadurecimento de sua consciência.


O início da escrita
Sua relação com a literatura começou por volta dos 16 anos, quando publicou um primeiro texto em jornal local.


A partir daí, passou a desenvolver uma produção contínua de poemas, letras, artigos e reflexões. Durante aproximadamente 22 anos, escreveu e acumulou material antes de se lançar à publicação de livros.


Nesse período, compartilhou sua produção em diferentes espaços da internet e em publicações impressas regionais.


Em 2007, também desenvolveu atividades ligadas à comunicação comunitária. Posteriormente, manteve o projeto digital Sistema Clandestino, entre 2008 e 2014, antes de consolidar sua presença sob a identidade William Contraponto.


Sua trajetória editorial, portanto, não começou com a publicação de livros, mas com muitos anos de produção independente.


Comunicação, liderança e participação social
Além da literatura, William possui uma história de participação comunitária e atuação pública.


Foi presidente do Grêmio Estudantil Francisco Canquerini e participou da organização de iniciativas culturais e comunitárias em Águas Claras e Viamão.


Na Associação Cultural de Radiodifusão Comunitária Morro Grande, exerceu funções de segundo e primeiro secretário. Na Associação Águas Claras, atuou como diretor do Departamento da Juventude e primeiro secretário.


Na comunicação, idealizou e apresentou o Programa do Contraponto, transmitido pela Rádio Comunitária Tradição, posteriormente identificada também como Nova Tradição.


Sua atuação inclui aproximadamente quinze anos de experiências relacionadas à comunicação comunitária e à participação em movimentos sociais, inclusive na defesa dos direitos da população LGBTQIA+.


Também trabalhou como articulista em jornais regionais, abordando assuntos relacionados à cultura, política, diversidade e questões sociais.


Em 2006, recebeu uma Moção de Reconhecimento da Câmara de Vereadores de Viamão, no Rio Grande do Sul, por sua atuação comunitária.


A identidade literária: Poeta-Reflexivo
A literatura de William Contraponto transita entre a poesia existencial, a reflexão filosófica e a crítica social.


Sua escrita não procura necessariamente produzir conforto emocional. Em diferentes momentos, assume um caráter provocativo, questionador e introspectivo.


O autor trabalha temas como existência, liberdade, tempo, memória, consciência, desigualdade, relações humanas, finitude e autonomia.


Entre suas influências encontram-se Sartre, Camus, Nietzsche e Diógenes, além de referências culturais e artísticas como Frida Kahlo, Pepe Mujica, Joaquín Sabina, Silvio Rodríguez e Allen Ginsberg.


Sua expressão literária também se aproxima da tradição poética latino-americana, com produções em português e espanhol.


A definição Poeta-Reflexivo procura estabelecer uma identidade própria, sem reivindicar títulos acadêmicos ou enquadramentos institucionais. Trata-se de um autor que reconhece na poesia um espaço de criação, mas também de elaboração do pensamento.


Obras publicadas
Sua produção editorial reúne livros digitais e projetos literários independentes.


Entre os títulos de sua bibliografia estão:


Com Todas as Letras.


Entre Promessas, Bréus e Aurora.


Sombras que Pensam.


Tramas do Tempo.


Lucidez Sem Atalho.


Regimes do Real.


Existir Sobre o Solo.


Breves Considerações Reflexivas.


Consciência do Desamparo.


A Trilogia Existencial, formada por Entre Promessas, Bréus e Aurora, Sombras que Pensam e Tramas do Tempo, representa um dos conjuntos mais significativos de sua produção.


Também desenvolve projetos de organização e ampliação de sua obra, incluindo reflexões reunidas em Pensar-se em Contraponto — Um Autotratado em XIII Pontos.


Sua produção está presente em plataformas como Google Play Livros, Amazon Kindle e Clube de Autores, além de seu espaço oficial na internet.


Circulação e reconhecimento
A trajetória de William Contraponto foi construída predominantemente por iniciativa própria, sem depender de grandes estruturas editoriais ou investimentos institucionais.


Sua produção alcançou espaços independentes de publicação e divulgação literária, entre eles o portal Poemas del Alma, onde poemas seus receberam destaque.


Também possui registro de presença em material educacional relacionado à diversidade na educação, disponibilizado pelo EduCapes, com referência à sua produção poética.


Em 2026, recebeu indicação à Menção Honrosa do Club Latinoamericano de Poesía (CLP), pelo conjunto de sua obra, com previsão de reconhecimento em novembro daquele ano.


Essas experiências integram o percurso de um escritor que procura ampliar a circulação de sua produção por meios independentes e digitais.


Vida pessoal e dimensão humana
Por trás da identidade literária existe um indivíduo cuja trajetória também foi atravessada por experiências afetivas, perdas, desafios e transformações pessoais.


William atribui importância às relações humanas, aos vínculos afetivos e à memória. Sua compreensão da existência não está limitada à elaboração intelectual: passa também pelas experiências concretas que modificam a maneira de compreender a vida.


O amor, a convivência, a ausência e o luto são dimensões que passaram a ocupar espaço importante em sua escrita mais recente.


Essa dimensão pessoal aparece como parte de uma literatura que não separa completamente o indivíduo de suas experiências. A reflexão nasce também daquilo que se vive, das relações construídas e das situações que exigem uma reorganização da própria compreensão do mundo.


Uma trajetória em construção


William Contraponto representa uma experiência de produção literária independente que reúne poesia, comunicação, participação comunitária e pensamento crítico.


Sua trajetória não se caracteriza pela busca de enquadramento em uma escola literária específica, tampouco pela pretensão de estabelecer um sistema filosófico definitivo.


O que procura construir é uma identidade autoral reconhecível, sustentada por uma produção continuada e por uma perspectiva própria sobre a existência e a sociedade.


Seu nome artístico sintetiza essa proposta: o contraponto como possibilidade de questionar, confrontar, comparar e pensar além das respostas estabelecidas.


William Contraponto não pretende ser a voz que encerra uma discussão. Pretende ser uma voz que acrescenta outra perspectiva a ela.


Sua trajetória permanece aberta, assim como sua produção. Afinal, para quem faz da reflexão uma atividade permanente, a obra nunca está inteiramente dissociada da própria transformação humana.


William Contraponto — Poeta-Reflexivo. Arte e Pensamento.


“Eu não vendo palavra. Eu ofereço uma perspectiva.”

Um livro começa a adquirir vida própria quando seu título passa a participar de conversas que vão muito além da história que suas páginas contam (O Prédio que Aprendeu a Escutar).