A Semente da Vitoria
Ser um enfermeiro ou enfermeira docente é algo gratificante, pois permite transformar para melhor "reles estudantes" em profissionais de renome.
“O cristão que olha para a situação política do Brasil e não acredita em mudança, afirmando que já está escrito na Bíblia que tudo vai piorar, certamente não tem fé no Deus Todo-Poderoso, que pode mudar todas as coisas, e simplesmente rasgou da sua Bíblia 2 Crônicas 7:14.”
— Anderson Silva
A semana dita "santa"
Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.
Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.
Eu olho,
e não vejo santidade.
Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.
Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.
Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.
E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?
Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?
Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.
Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.
Mas eu não consigo.
Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.
Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.
Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.
Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta
Sabe qual é a diferença entre o Sol e Lua?
é que o sol trabalha trabalha, mas quando chega em casa vai descansar.
e a lua, como tão querida, va lá pra cuidar!
As dificuldades, dores e limitações da vida (os "espinhos") servem como mecanismos de Humildade, impedindo que o orgulho humano cresça descontroladamente.
A herança da humanidade
é a loucura.
O deus da humanidade
é a ignorância.
A religião da humanidade
é a hipocrisia.
A política da humanidade
é a indiferença.
A essência da humanidade
é a solidão.
✍©️@MiriamDaCosta
Oh! Oceano Atlântico!
Que feitiço é esse
que me invade por dentro
quando fecho os olhos
e respiro as Vossas ondas
como se fossem pulmões antigos
que já foram meus?
Há uma saudade líquida
escorrendo nas minhas veias,
um eflúvio salgado
de tudo o que fui
antes de ser corpo.
Oh! Oceano Atlântico!
E quando abro os olhos,
não sou eu quem vê,
é o mar que transborda
em mim.
Minha boca verte maresia,
meus versos nascem úmidos,
e há uma serenidade funda, abissal,
que me acalma como quem reconhece
o próprio berço.
Eu sei,
Vós sabeis,
não há distância entre nós,
a minha alma
não apenas é bordada,
ela é tecida, encharcada,
entalhada
com o Vosso sal.
✍©️@MiriamDaCosta
Nesses meus anos de vida
pude perceber que as pessoas
que mais encheram a boca para falar
de Jesus ou de Deus...
foram as que mais
(de um modo ou de outro)
tentaram infernizar o meu viver...
e as que mais demonstraram ser
as concorrentes do diabo
nesse meu trilhar a vida.
Visto e considerado esse dado de fato,
perdi a total confiança em qualquer pessoa
que em qualquer tipo de proferimento inclui o nome de Jesus ou de Deus.
Sobretudo aquelas que como fossem, de alguma forma, superiores aos demais,
estufam o peito , levantam o rosto e exclamam como fosse uma intimidação:
- Eu tenho Jesus!
- Eu vivo em Jesus!
- Jesus vive em mim!
E por aí vai...
E eu?!
Aprendi a observar,
escutar
e "sofrer" de afonia.
✍©️@MiriamDaCosta
Oh, Itaipu!
reconheço as raízes profundas
dos meus pés
entre o vosso mar, vossa lagoa,
vossas dunas, ilhas e igarapés.
Os meus passos eu sei de cor
nesse sereno andejar a compor
o meu singrar o tempo,
o vento e o sol
mansamente a se pôr...
Oh, Itaipu!
Em vós reconheço
que o movimento dos meus pés
não são passos,
são raízes que caminham.
Entre o vosso mar salgado
de eternidades,
a lagoa que espelha silêncios,
as dunas que guardam
segredos do vento,
as ilhas que flutuam
como pensamentos antigos
e os igarapés que sussurram histórias
que só a poesia da terra entende...
eu me reconheço.
Os meus passos, eu sei de cor,
não porque os decorei,
mas porque fui escrita por eles.
Nesse sereno andejar
que me atravessa,
vou compondo o que sou
com o que me antecede.
E singro,
não apenas o tempo,
mas o sopro invisível das horas,
o vento que me desarruma e arruma
inteira por dentro,
e esse sol que, ao se pôr,
não morre,
me dissolve em serena luz.
Oh, Itaipu!
Há raízes nos meus pés
que só em ti reconhecem
o seu lugar.
Entre o mar, a lagoa,
as dunas que respiram
e os caminhos de água
que murmuram,
eu caminho lentamente,
como quem se escuta.
Sei de cor os meus passos
(versos tatuados de brisa e areia),
porque eles já me conheciam
antes mesmo de eu existir.
E nesse manso caminhar,
vou singrando o tempo,
o vento
e o sol que se despede,
como quem aprende,
em silêncio, a pertencer
mais do que já pertence.
Óh! Itaipu!
Posso até distanciar-me de vós,
mas nunca serás distante de mim.
✍©️ @MiriamDaCosta
