A Semente da Vitoria
Conheci um cara que era feliz no casamento, mas se separou para não se arrepender mais tarde de não ter mudado.
"O INVENTÁRIO DA AREIA E DO VENTO..."
Ah! Alcancei a crista da onda, aquele ponto cego onde o oceano se torna abismo e as águas, memória; um ápice que não é o topo da montanha, mas o momento em que a descida se torna a única forma de abraçar a terra. Já tenho em mãos o inventário do mundo: o sangue ramificado em filhos, o suor cristalizado em ofícios e os pequenos templos de tijolo que chamo de lar, mas à mesa, o banquete é de silêncio e o tilintar do garfo no prato vazio ecoa uma fome de ser...
A água na geladeira, guardada em vidros gélidos, retém o gosto de todos os rios que não naveguei, sabores de partida, espera e esquecimento que se misturam aos meus pensamentos, cavalos selvagens chicoteados pelo cronômetro. Eles galopam para o ontem em busca de um rastro, caem mortos no solo estéril do agora e fixam o olhar vítreo num amanhã que nunca se deixa tocar, enquanto meu centro se desfaz como um catavento enferrujado tentando ler o sentido dos ventos em dispersão...
Aos quarenta e oito invernos, o corpo reclama o aluguel do tempo e a força, antes uma lança de ferro, hoje é um fio de seda segurando o peso de uma existência que parece ter durado séculos. O álcool deixou de ser celebração para tornar-se um solvente, um mergulho em águas turvas para ignorar o naufrágio das células e os pequenos motins que minha própria biologia organiza contra mim...
Sinto a falta daquela euforia bruta dos finais de ciclo da juventude, da liberdade que cheirava a asfalto quente, antes que o acúmulo de dias se tornasse uma biblioteca de angústias. O livro da [minha] vida decidiu queimar suas próprias páginas; a história quer se abreviar, quer o ponto final antes que a tinta acabe, transformando-me em um ancião que assiste à própria biografia ser devorada pelas traças da finitude, enquanto o horizonte insiste em escrever capítulos sobre minha pele cansada...
Nesse processo de liquefação, aprendi a coreografia secreta do riso para mascarar o estrondo das quedas, descobrindo o luxo de chorar por dentro, uma chuva privada que irriga jardins que ninguém visita. Distanciei-me das âncoras que me prendiam a portos de gente falsa, buscando uma ecologia do ser onde o propósito é a presença da luz e o silêncio dos pensamentos que já pararam...
Não há mais o que explicar sobre a vista que embaça ao tentar ler o que está perto; talvez a alma tenha decidido focar apenas no que é infinito, desdenhando o que é ainda palpável. Sigo agora por este desfiladeiro onde a avalanche dos dias transforma o concreto em névoa e as lembranças em espectros sombrios e distantes, aceitando que tudo morra finalmente em mim, para que eu possa, despojado de tudo, renascer, quem sabe um dia, no vazio...
--- Risomar Sírley da Silva ---
Tanta gente confundindo José Maria com Maria José que, se elas encontrarem a Paz de Espírito na rua, é capaz de pedir desculpas e dizer que estão esperando o Espírito da Paz...
--- Risomar Sírley da Silva ---
METÁFORA// _ "Sinto falta de reviver o que perdemos; e muita saudade de viver o que esquecemos." (Autor: Mestre malaquias da viola).
Nihil Obstat
É preciso que a música aparente
no vaso harmonizado pelo oleiro
seja perfeitamente consistente
com o gesto interior, seu companheiro
e fazedor: o vaso encerra o cheiro
e os ritmos da terra e da semente,
porque antes de ser forma foi primeiro
humildade de barro paciente.
Deus, que concebe o cântaro e o separa
da argila lentamente, foi fazendo
do meu aprendizado o Seu compêndio
de opacidades cada vez mais claras,
e com silêncios sempre mais esplêndidos
foi limando, aguçando o que escutara.
Bruno tolentino
O que é a beleza? É tudo aquilo que nossos olhos veem e que, por alguma razão, provoca um deleite diferente — uma pausa, um suspiro, um silêncio interior. Há quem diga: “Se foi criado por IA, não vale.” Como não vale? O valor da beleza está na emoção que desperta, não apenas na mão que a executou. A beleza não perde sua essência por causa da ferramenta; ela se confirma no impacto que produz em quem a contempla.
O céu e a chama
Havia um céu claro, inteiro,
um azul de infância, sem mágoa,
um tempo certo, verdadeiro,
que a chuva vinha quando era água.
Surgiu uma espessa fumaça,
nascida do metal e da pressa,
que tingiu o azul de desgraça,
e a chuva em ácido desce em praga.
Corrói a folha, a colheita,
ferve os rios, apaga o orvalho,
um verão que nunca aceita
o outono, nem seu trabalho.
E quando a última nuvem se esvai,
nem o azul nem a água voltarão...
Esse céu é o pacto que fizemos.
Aquela fumaça, a nossa ambição.
Me pergunto se ainda há quem faça uso de uma caneta para escrever sobre páginas virgens...
Se ainda há quem coloque água para ferver na chaleira para passar o café no coador de pano...ou que antes de coar no bule ,
cozinhe o café por alguns minutos
inebriando o olfato do ambiente
e dispersando o aroma té chegar ás narinas mais distantes...
Semana passada , uma amiga da adolescência veio me visitar, ficou surpresa ao me ver preparar um café à moda antiga
(com chaleira, coador de pano e bule)
falando da praticidade da cafeteira elétrica...
E observou também os blocos, cadernos e canetas na minha escrivaninha , em vez do notebook ( que está fechado dentro de uma gaveta)...
Um dia desses
vou abri-lo e fazê-lo viver novamente
sob as minhas digitais poéticas...
As vezes me auto defino pré-histórica 😂 (podem até não acreditarem...mas é verdade!) , nem o tal do PIX eu tenho,
mas ... sei que vai chegar o dia
em que vou ter que me modernizar,
mas enquanto der ...
vou vivendo sem essa forma de pagamento, como de outras modernidades...
O que fazer?! ... Sou de Nanã 💜
(para quem não sabe...) é a Orixá
mais antiga/ancestral da Umbanda.
O que eu escrevo, na verdade,
não é sobre o café e nem sobre a caneta.
É sobre ritmo. É sobre tempo.
É sobre presença.
É sobre o pulsar da vivência.
E isso não é pré-histórico.
É ancestral.
Quando eu falo da água
fervendo na chaleira,
do pó cozinhando antes de ir ao coador,
eu penso em algo que não cabe
na pressa da cafeteira elétrica: o ritual.
O cheiro que se espalha pela casa
como se fosse memória líquida,
isso é quase uma liturgia doméstica.
Quando afirmo que sou de Nanã 💜
isso faz todo o sentido.
Nanã é lama primordial, é o barro antigo,
é o tempo que antecede o tempo.
É a senhora das águas paradas, profundas, densas. Ela não tem pressa. Ela tem paciência.
Ela é "alérgica" á pressa.
Ela sabe que tudo retorna ao útero da terra.
Ser de Nanã não é ser atrasada ou antiga.
Ser de Nanã não é parecer velha nas preferências e ações.
É ser terra fértil e ser raiz.
O mundo corre, eu decanto.
O mundo digitaliza, eu tatuo a página.
O mundo paga com PIX,
eu pago com dinheiro vivo
e presença ativa .
Modernizar-se não precisa significar abandonar o que me constitui.
Pode ser apenas acrescentar ferramentas
sem entregar a alma.
O notebook pode viver sob minhas digitais poéticas, mas a caneta continuará sendo a extensão do meu pulso, do meu corpo,
da minha respiração, do pulsar do meu âmago.
Há algo profundamente político nisso também; escolher o tempo lento
num mundo estantâneo que monetiza a urgência.
Eu não sou pré-histórica,
sou guardiã de um modo lento de existir
que o mundo tenta esquecer....
E no mundo?
Sim!
Ainda há quem escreva à mão.
Ainda há quem ferva água na chaleira.
Ainda há quem escolha sentir o aroma
antes da praticidade.
E isso não é resistência ao progresso.
É fidelidade ao próprio tempo e história.
É lealdade ao próprio ser e existir.
✍©️@MiriamDaCosta
Com qual régua da moralidade Trump classifica o Irã como regime?
Quando ele mesmo governa os EUA com regime repressivo que persegue, detém e silencia.
Com qual régua da moralidade Trump define a condição das mulheres iranianas ?
Quando sobre ele mesmo pairam acusações de envolvimento de tráfico, comércio e abusos sexuais com moças e crianças.
Com qual régua da moralidade Trump acusa o Irã de censura?
Quando seu próprio governo manipula e utiliza a informação em escala digital?
Com qual régua da moralidade Trump fala em negociação democrática?
Quando o seu primeiro ato é ameaçar, atacar e eliminar?
Com qual régua da moralidade Trump profere a democracia?
Quando ele mesmo desrespeita a Constituição Americana e as Leis e os tratados internacionais?
Com qual régua da moralidade Trump diz defender a liberdade?
Quando ele mesmo governa pelo medo e ameaças a 360°?
Com qual régua da moralidade as Nações Européias , aliadas aos EUA, defendem o que não tem defesa e nem nunca terá?
Quando elas própriasdesde sempre, hipocritamente, negociam, comercializam e lucram em cima das guerras made in USA?
✍©️@MiriamDaCosta
