A Máquina
Máquina do Infinito
William Contraponto
O céu repete antigos labirintos,
com lógica de um sonho recorrente,
estrelas são os cálculos extintos
de uma mente que pensa eternamente.
Os átomos se alinham no compasso
do tempo que não sabe pra onde vai,
há dúvida moldando cada traço,
e o caos revela a ordem que se esvai.
Um pensamento pulsa entre os planetas,
em código que nunca se decifra,
e o vácuo grita verdades secretas
que a razão recusa, mas registra.
O universo é só um pensamento,
máquina viva sem operador,
reflete em mim seu movimento,
sou engrenagem do seu motor.
As galáxias giram como ideias,
que buscam forma e nome sem cessar,
mas toda luz produz suas aldeias
de sombra que ninguém pode evitar.
Se o mundo é mente, somos devaneio
de um cérebro em combustão,
e a vida, esse constante entremeio
entre a matéria e a percepção.
O universo é só um pensamento,
máquina viva sem operador,
reflete em mim seu movimento,
sou engrenagem do seu motor.
Você não repete erros porque quer, mas porque seu cérebro é uma máquina de economizar energia que prefere uma dor conhecida a uma felicidade desconhecida. Mudar exige confrontar a biologia do hábito.
O narcisista é uma maquina de projetar imagens da sua persona. Quando uma imagem decai ou deteriora, ele projeta a de vítima, de arrependido, recupera seu descrédito e continua no controle. (Walter Sasso)
PoesIA, pós-IA...!!!
(Nilo Ribeiro)
Antes da máquina falar,
minha palavra já sangrava,
antes da máquina tudo dominar,
a incerteza me frustrava
desde o silêncio cativo,
ao joelho dobrado ao chão,
do sentimento aflitivo,
às dores no coração
aqui, a máquina não escreve,
pois, não sabe o que é saudade,
apenas o poeta que se atreve,
pois ele conhece a verdade
a IA chegou resoluta,
rápida, precisa, tudo perfeito,
mas, o poeta não deixou a luta,
pois, sua poesia vem do peito
a IA escreve, mas não sente,
ela calcula, mas não pesa;
o poeta adoece
quando o verso o menospreza
a palavra é um sopro,
a IA um dispositivo,
a palavra é um esforço
que não cabe em aplicativo
mas na minha poesIA
só entra o amor divino,
pois, o verbo que guIA
não se escreve sem destino...
Amém...!!!
O universo é só um pensamento,
máquina viva sem operador,
reflete em mim seu movimento,
sou engrenagem do seu motor.
William Contraponto
Instruções para Não Ser Máquina
Não nos ensinem
a fazer amor
como quem planta trigo
em solo fiscal.
Não nos paguem
para gerar corpos
como se o útero fosse
fábrica de cidadãos
e não templo
de escolhas silenciosas.
Vocês marcam nossas noites
com relógios de Estado,
apagam nossas telas
para que façamos
o que vocês chamam
de “futuro” —
mas que é só
mais carne
para os canhões
dos seus mapas.
Dizem: “Tenham filhos.
É seu dever.”
Mas onde está o pão?
Onde está o teto?
Onde está o direito
de olhar nos olhos
de quem se ama
sem pensar
em bônus,
em certificados,
em perdão de dívidas
como moeda de afeto?
Amor não tem preço.
Tem território:
o espaço entre dois corpos
que decidem,
livres,
sem medo,
sem decreto,
se querem
ou não
criar mundo
juntos.
Enquanto isso,
vocês contam cadáveres
e chamam de estatística.
Contam berços
e chamam de vitória.
Mas não perguntam
se há paz
na casa
onde a criança nasce.
Nós não somos soldados
do vosso inverno demográfico.
Nem peões
num tabuleiro
de nações ansiosas.
Somos gente.
E gente
não se programa
com isenção de impostos.
Deixem-nos
errar.
Deixem-nos
esperar.
Deixem-nos
ficar sós
sem serem julgados
como desertores.
Porque o verdadeiro futuro
não nasce
onde há dinheiro.
Nasce
onde há liberdade
para dizer:
"não hoje",
"sim, mas com quem eu quiser",
"Jamais, e ainda assim sou inteiro".
Que nenhum governo
decida por nós
quando o coração
deve bater
mais forte.
Que nenhuma lei
meça o valor
de um abraço
pelo número
de berços
que ele produz.
E que, um dia,
as nações entendam:
não precisamos
de mais corpos.
Precisamos
de mais alma.
A palavra de hoje é e sempre será "GRATIDÃO"
por sermos uma máquina perfeita chamado humano, criada por um ser perfeito chamado DEUS.
De fato o mesmo é quem nos dá o sono e nos acorda, o mesmo que nos dá inteligência, o mesmo que a todo momento nos livra.
Saber respirar e enxergar a vida com o olhar de gratidão independentemente de qualquer coisa é o mínimo que devemos fazer pois Deus tem um propósito para cada um de nós.
Aprendemos que a anatomia humana é feita de carne e osso;
Mas temos que viver como máquina para superar o que fica;
A Máquina do Tempo
Se existisse uma máquina do tempo, muita gente a usaria para voltar.
Voltar ao dia em que não falou.
Ao dia em que falou demais.
Ao dia em que ficou.
Ou ao dia em que foi embora cedo demais.
Mas a verdade é que ninguém quer mudar o passado por curiosidade histórica.
Quer mudar por dor.
A gente não sente falta do tempo.
Sente falta de quem éramos quando ainda acreditávamos mais, quando doía menos, quando não sabíamos tanto porque saber demais também pesa.
O passado costuma parecer mais bonito porque já passou.
Ele não discute mais com a gente.
Não exige decisões.
Não cobra coragem.
E o futuro… o futuro assusta.
Porque ainda não tem forma.
Ele pede escolha.
Pede risco.
Pede responsabilidade.
Talvez por isso tanta gente viva tentando apertar um botão invisível de “voltar”, enquanto a vida insiste em seguir para frente.
Mas e se eu te disser que a máquina do tempo existe?
Ela não tem alavanca.
Não faz barulho.
Não atravessa décadas em segundos.
Ela funciona em silêncio.
Toda vez que você aprende com um erro, você voltou ao passado sem precisar revivê-lo.
Toda vez que perdoa, você altera uma linha da sua história.
Toda vez que escolhe diferente, você reescreve o que parecia destino.
O nome disso não é viagem no tempo.
É consciência.
O ontem não pode ser mudado.
Mas pode ser compreendido.
E quando o passado perde o poder de doer, ele deixa de mandar no presente.
O amanhã também não está garantido.
Mas pode ser construído um gesto de cada vez, uma escolha de cada vez, um passo honesto de cada vez.
No fim das contas, a máquina do tempo mais poderosa que existe é esta:
o agora.
É nele que você decide quem não será mais.
É nele que você escolhe quem está disposto a se tornar.
O resto…
é só lembrança tentando ensinar
ou futuro pedindo coragem.
A máquina do tempo
Ainda não inventaram uma máquina do tempo.
Daquelas que fazem tudo voltar exatamente ao ponto antes da escolha errada.
Antes daquele caminho que você já sabia que daria errado, mas mesmo assim seguiu.
Não por ingenuidade.
Mas porque, às vezes, a gente precisa errar para encerrar.
A vida é cheia de bifurcações silenciosas.
Algumas oportunidades passam rápido demais.
Outras nos encaram de frente, exigindo decisão imediata.
Como aquela prova do concurso tão sonhado.
Horas de estudo, planos guardados, expectativas contidas.
E então surge ela: a questão que divide o destino em duas alternativas.
Você lê.
Relê.
Duvida.
Marca.
Dias depois, o gabarito revela o erro.
E junto com ele vem o pensamento cruel:
“Se eu pudesse voltar atrás…”
Mas não dá.
Diversas oportunidades surgem durante a nossa estada na vida.
Muitas deixamos passar. Outras até aproveitamos.
Mas é preciso atenção: a oportunidade de ouro quase sempre aparece uma única vez.
E o arrependimento de não tê-la agarrado não a trará de volta.
O tempo não devolve. Ele apenas substitui.
E alguém pode ter segurado o que soltamos.
É aí que mora o peso.
Não no erro em si,
mas na certeza de que estivemos perto.
Só que a máquina do tempo não existe.
E talvez isso seja um favor.
Porque se ela existisse, viveríamos presos corrigindo o passado
e nunca aprenderíamos a sustentar o presente.
O erro não veio para te punir.
Veio para te ensinar.
Talvez aquele caminho não fosse o seu.
Talvez aquela porta fechada estivesse apenas te protegendo de um lugar onde você não permaneceria inteiro.
A vida não se resume a uma prova, a uma escolha, a um único momento.
Ela se constrói na sequência.
Na insistência.
Na capacidade de aprender e seguir.
Nem tudo que deu errado foi perda.
Algumas coisas foram livramento.
Outras, preparação.
E o conforto, por mais estranho que pareça, está nisso:
o tempo não volta, mas também não para.
Enquanto houver movimento, há possibilidade.
A máquina do tempo não existe.
Mas a chance de recomeçar…
essa aparece todo dia, disfarçada de hoje.
A Máquina do Mundo
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
(Texto foi extraído do livro “Nova Reunião”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1985, pág. 300. Fonte: Projeto Releituras)
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