A Juventude tem Pressa
Todos estamos indo embora
Uns sem muita pressa
Outros sem demora
Estamos todos de partida
Apesar de parecer
Que alguns não vão morrer
Nossa passagem é só de ida
Se de passagem cá estamos
Porque tanto insistimos
Em fortalecer desatinos
Em se agarrar nos enganos?
Precisamos plantar o bem
Evitar alimentar desdém
Seja a fulano, cicrano ou beltrano
A vida é tão passageira
Para focar em perda de tempo
Deixar amor ao relento
Assim, sem eira nem beira
Enquanto a luz divina
Em teus olhos brilhar
Segue o feixo que ilumina
Segue a luz do luar
Rasgue o véu da cortina
Ame sem predestinar
Sinta no rosto a neblina
Do dia que vai clarear
Corteje o nascer do sol
E contemple o escurecer
Não se detenha nunca de viver
Ouvindo um som em tom bemol
“Jesus corrigiu o erro dos discípulos com tempo e sabedoria, não com pressa e exposição. A verdade não se esconde, mas às vezes espera a hora certa para ser revelada.”
BARCO A NAVEGAR
Eu sou barco a navegar...
O imenso mar da poesia
Sem pressa de regressar
Sem medo da ventania...
Fazendo o tempo passar...
Mais lento do que queria
E quem sabe alcançar?
O patamar da maestria...
Se a solidão me incomodar?...
Eu grito alto com euforia
Uma estrela há de escutar!
E virá fazer-me companhia...
A sua luz vem abrilhantar...
A minha poesia a acaricia
Na quilha vai continuar
E se colar com a maresia...
Verso a verso a se rimar...
Ao avesso da melancolia
Que só me faça ancorar
Quando a noite já for dia...
(BARCO A NAVEGAR - Edilon Moreira, Fevereiro/2020)
A vida tem um jeito silencioso de nos refinar por dentro. Sem pressa, ela muda nossos gostos, desloca as prioridades e altera, com leveza, o jeito como sentimos as coisas. Como as estações, nada em nós permanece igual. Tudo muda.
Tudo se move. E é justamente aí que encontramos a graça da existência. Continue, mesmo quando a estrada parecer embaçada. Deixe Deus guiar o caminho, mesmo quando os passos forem incertos. Há esperança, ainda que disfarçada de silêncio. Há luz, mesmo que, por agora, ela seja apenas um pouco distante no horizonte. Nem tudo fará sentido de imediato e tudo bem. Há uma sabedoria maior alinhando os detalhes que seus olhos ainda não conseguem decifrar. Algumas respostas só chegam com o tempo. Você ainda vai mudar. Vai se despedir, com carinho ou dor, de versões de si que já não servem mais. Vai se encontrar, aos poucos, em novas formas de ser. Carregando sonhos que ainda não se realizaram, e deixando para trás pesos que não conversam mais com quem você está se tornando. Vai aprender a ver beleza nas rachaduras da vida. Vai entender que cada passo é um renascimento, um recomeço disfarçado. Pois viver é isso: se readaptar em constante transformação.
Desacelerar para Avançar
Na pressa dos dias que correm
Perdemos um pouco de nós —
Entre compromissos e telas
Esquecemos do som da voz.
Do riso solto em família,
Do abraço que não tem fim,
Do olhar que entende e acolhe,
Do silêncio que diz: "tô aqui".
A natureza sussurra segredos,
Em folhas, ventos e chão.
Ela fala de Deus em detalhes,
No canto sereno do coração.
É preciso parar, respirar,
Permitir-se sentir, escutar.
Pois só quem se permite a pausa
Descobre novas formas de caminhar.
A pressa faz a gente aceitar pouco… A paciência faz a vida entregar o que a gente merece. Não é sobre esperar qualquer coisa…
É sobre esperar o que vale a pena de verdade. O que chega rápido… nem sempre fica. O que vem no tempo certo… ninguém tira.
Há um instante em que tudo aquieta.
O mundo não corre.
O coração entende —
é agora, sem pressa.
A vida fecha o que não sustenta,
abre devagar o que pode florescer.
E quando não é hora,
ela apenas silencia.
O tempo certo é gentil.
A hora certa, quase um beijo.
Quem sente… sabe.
E só vai.
Desafios!
Para que a pressa? Se agora posso contemplar o (des)conforto da vida.
De que me adianta o medo?
Se a existência é indubitavelmente um desafio que nos assombra continuamente.
Escrever crônicas é como conversar com o leitor na varanda de casa: sem pressa, sem grandiosidades, mas com a intimidade que só a prosa do dia a dia permite.
Cronica “Seu pai não sei ler”
Era fim de tarde quando, na pressa dos dias que a gente já não vive, apenas atravessa, mandei uma mensagem de texto para meu pai pelo WhatsApp. Algo simples, corriqueiro, como quem diz “tô indo”, “compra pão”, “te amo”.
Passaram-se uns minutos. Chegou um áudio. Apertei o play, distraído — e fui parando, devagar, como quem freia diante de algo que nunca deveria ter passado batido. Do outro lado, a voz dele. Firme, mas doce. E, entre pausas que diziam muito, ele soltou a frase que carrego até hoje como cicatriz:
“Filho, fala por áudio, por favor... seu pai não sei ler.”
A frase veio seca, sem rodeios, sem drama. Mas bastou para me desmontar por dentro. Naquele momento, percebi que a ausência das letras tinha um nome, um rosto, e mãos calejadas: meu pai.
Ele, que desde novo trocou cadernos por tijolos. Que largou a infância para vestir o avental do trabalho e o peso de uma casa inteira nas costas. Nunca teve tempo de ser aluno. A escola da vida o esperava com lições duras e sem recreio.
Mesmo sem saber ler, meu pai sempre foi sábio. Sabia interpretar silêncios, somar esperanças, dividir pão e multiplicar amor. Ele escrevia com gestos. E ainda que seus dedos nunca tenham deslizado sobre uma página, eles desenhavam o mundo com dignidade — cada parede erguida, cada telha assentada, era uma frase inteira dizendo: “eu estou aqui”.
Nunca vi meu pai se envergonhar por não saber ler. Mas percebi, nas entrelinhas dos dias, a solidão de quem vive num país onde tudo grita por letras. Placas, receitas, contratos, celulares... O mundo exige leitura. E quem não a tem, acaba empurrado para a margem — como se fosse menos, quando, na verdade, é mais: mais forte, mais lutador, mais humano.
Meu pai é daqueles heróis que não cabem nos livros, porque ele é o livro. Sua vida, cada capítulo, é aula de resistência. Nunca frequentou uma sala de aula, mas me ensinou tudo que importa: respeito, esforço, afeto e verdade.
Hoje, quando falo sobre alfabetização de jovens, adultos e idosos, penso nele. E em tantos outros “seu João”, “dona Maria”, “seu Antônio”, que a sociedade esqueceu. Alfabetizar não é apenas ensinar letras; é devolver a voz a quem só foi ouvido por áudio.
Se um dia eu tiver filhos, e eles me perguntarem quem me ensinou a ler a vida, responderei com orgulho: foi meu pai — mesmo sem saber ler.
“Não tenha pressa, mas jamais desperdice o tempo. Um só segundo, vivido com todo o coração, pode se tornar eterno e marcar para sempre a sua história.”
Escutar a dor do outro sem ceder ao impulso de rotular, julgar, condenar, enquadrar, e sem a pressa de medicalizar.
Quando tu me olhou, perdi a cabeça
Sem perder o tempo, joguei na mesa
Sei que gosta da pressa e da calma
Sei que gosta do jeito que
Eu falo tudo que tu gosta
Crescer não é pressa, é um processo. Às vezes, aquilo que chamamos de demora é, na verdade, o tempo exato que a alma precisa para amadurecer por dentro. Cada trajetória é única, e as experiências vão nos moldando em silêncio. Há lições que doem tanto que parecem injustas. Cada etapa, mesmo a mais difícil, tem uma razão de existir. Cada parte do caminho te constrói. Abrace as suas imperfeições como parte da jornada. Celebre todos os passos dados, mesmo que pequenos. Há beleza em cada tentativa honesta de se tornar quem se é. Entre tropeços e recomeços, avançamos. No caminho, a gente sempre se reencontra com uma versão nossa mais profunda. Chega uma fase em que a gente sente alívio por continuar. Uma paz chega de mansinho, como se dissesse: "Veja só o que você fez com tudo o que tentaram fazer com você." E é aí que tudo começa a fazer sentido. O tempo acaba revelando a força mais bonita, a capacidade que temos de recomeçar. E talvez essa seja a parte mais incrível de todas.
Em decisões importantes, aja com prudência.
Pondere sem pressa, com muita paciência.
Melhor absolver dúvidas do que condenar inocentes. A justiça requer cautela e mentes conscientes.
Livro: O Respiro da Inspiração
Recomeço a Dois
No silêncio após a última estação,
floresceu um olhar sem pressa,
um sopro novo no coração,
como quem planta e não se esqueça.
Não era pressa, era presença,
nem ilusão, mas intenção.
Um gesto simples, sem defesa,
mas cheio de conexão.
O amor veio como brisa leve,
sem prometer eternidade,
mas com vontade que se atreve
a ser verdade, não metade.
Te vi querer como se soubesse
que o querer precisa cuidar.
E eu, que já duvidei do sim,
quis ficar só pra te olhar.
Havia interesse, sim :nos dias,
nas histórias, no café,
no som da tua alegria,
no jeito que a alma é.
E no teu toque, encontrei resposta.
Reciprocidade: doce abrigo.
Não mais um “talvez” na porta,
mas um “eu fico, se for contigo”.
