A Gente se Entende
O tempo é uma serpente que leva a gente pro fim da vida, rastejando silenciosamente e devorando todos os nossos dias.
Os sonhos irão ficando e a gente chegando para despedida, não deixe que seus desejos morram antes de você.
No chicote das lembranças, a gente avança para o fim da estrada, impulsionado pela dor dos erros que não podemos mais corrigir.
Tem dias que a gente precisa esperar nossa alma reencontrar o corpo.
Há dias em que seguimos funcionando por inércia, enquanto algo essencial em nós ficou para trás.
O corpo cumpre agendas, responde a estímulos, atravessa compromissos; a alma, porém, ainda caminha devagar, tentando compreender o peso do que sentiu, do que perdeu ou do que ainda não conseguiu dizer.
Nesses dias, é preciso muita paciência.
Não como quem desiste, mas como quem respeita o próprio tic-tac interno.
Esperar a alma encontrar o corpo é aceitar que nem toda ausência é fraqueza e que nem todo silêncio é vazio — às vezes é só recomposição.
Quando enfim se reencontram, não há alarde.
O passo volta a fazer sentido, o olhar se assenta no presente, e o respirar deixa de ser apenas um reflexo.
Até lá, caminhar mais lento também é uma forma de cuidado.
Porque viver não é apenas estar de pé; é estar inteiro.
Há dias em que o corpo deita e a alma dorme de joelhos.
Em terras abarrotadas de trabalhadores, gente de bem e servos de Deus mijando fora do penico, muito em breve, invocar o Santo Nome de Deus publicamente será blasfêmia.
Feio não é se abrir na internet…
Feio é um mundo tão abarrotado de gente, mais disposta a falar do que a escutar.
Quando alguém se arrisca a desabafar online, muitas vezes não está buscando atenção — está buscando Sobrevivência.
Chegar a esse ponto pode ser, sim, a última tentativa de encontrar um ouvido disposto a escutar, um olhar que não julgue, um coração que ainda tenha espaço para acolher.
Vivemos em tempos muito difíceis, em que quase todos têm voz, mas poucos têm paciência.
Todos opinam, mas poucos compreendem.
Quase todos estão prontos para responder, quase ninguém está disposto a ouvir.
E ouvir, nos tempos de hoje, virou quase um ato de Misericórdia.
Um gesto tão simples, mas tão raro: Parar, Respirar e Permitir que o outro exista na sua dor, sem ser Ridicularizado ou Diminuído.
Porque, no fim das contas, o Desabafo Online não revela a fraqueza de quem fala — mas a ausência de empatia de quem não quer ou não sabe ouvir.
E isso, sim, é tão Feio quanto Medonho.
Com tanta gente Machucada no mundo, até os Carinhos nos cobram mais Cuidados.
Vivemos tempos em que o afeto deixou de ser apenas gesto; virou responsabilidade.
Já não basta estender a mão — é preciso saber onde tocar, como tocar — e até quando tocar.
Porque a pele do outro, tão marcada pelas cicatrizes da jornada, reagiu aprendendo a se proteger antes de se abrir.
E, ainda assim, o mundo continua faminto de ternura.
Talvez por isso os carinhos sejam hoje tão raros e tão preciosos: eles precisam atravessar medos, memórias e desconfianças antes de chegar ao coração que ansiosamente os espera.
E, quando chegam, chegam devagar — quase pedindo licença — porque sabem que qualquer descuido pode reacender dores antigas.
Mas o cuidado não enfraquece o carinho; ele o aperfeiçoa.
É no gesto atento, na palavra que não invade, no silêncio que acolhe, que o afeto encontra seu caminho seguro.
Afinal, quem carrega feridas aprende a reconhecer quem toca para ferir e quem toca para curar.
E talvez seja nisso que a Humanidade ainda tenha Salvação: na coragem de oferecer Carinho mesmo quando ele exige mais cuidado… e na Humildade de recebê-lo mesmo quando ainda Dói.
A gente só para de flertar com a m0rte todos os dias quando descobre que o melhor dia para se viver é hoje.
Há uma espécie de suicídi0 muito silencioso que pouca gente se atreve a nomear como tal.
Ele não acontece apenas nos gestos extremos, nas decisões finais ou nas manchetes trágicas.
Às vezes, ele se instala gradualmente, no adiamento crônico da vida, na rotina de empurrar para amanhã aquilo que já pede coragem no agora, na mania de sobreviver sem realmente habitar a própria existência.
Muita gente não quer m0rrer — quer apenas descansar da exaustão de existir sem sentido.
E é justamente aí que mora o flerte cotidiano com a m0rte: quando se abandona a urgência de viver.
Viver, porém, não é apenas respirar, cumprir tarefas, pagar contas e colecionar ausências disfarçadas de compromissos.
Viver é reconhecer que o tempo não faz promessas.
O amanhã é uma hipótese muito elegante, mas continua sendo hipótese.
O hoje, com todas as suas imperfeições, é a única matéria concreta que temos nas mãos.
E talvez amadurecer seja justamente isso: perceber que a vida não começa “quando tudo se ajeitar”, “quando a dor passar”, “quando houver mais dinheiro”, “quando a paz finalmente chegar”.
A vida está acontecendo agora — inclusive no caos, inclusive nas faltas, inclusive enquanto ainda estamos tentando entender quem somos.
Há quem flerte com a m0rte não por desejar o fim, mas por tratar a vida com permanente negligência.
Negligencia os afetos, as pausas, a própria saúde, os pedidos de socorro da alma, os sinais do corpo, os vínculos que importam, as palavras que deveriam ser ditas enquanto ainda há quem possa ouvi-las.
Age como se viver fosse um ensaio infinito, como se sempre houvesse tempo para recomeçar, pedir perdão, recalcular a rota, amar melhor, ou simplesmente descansar.
Mas nem todo adiamento é prudência; às vezes, é desistência parcelada.
Descobrir que o melhor dia para viver é hoje não é um clichê otimista — é uma revelação muito dura.
Porque obriga a gente a encarar a própria covardia, os próprios álibis e a confortável ilusão de controle.
Nos obriga a admitir que há muita m0rte disfarçada de rotina eficiente, muita apatia travestida de maturidade, muito medo chamado de prudência.
E, ao mesmo tempo, essa descoberta também liberta: porque devolve ao presente a dignidade que o imediatismo e a ansiedade roubaram.
Faz a gente entender que viver bem não é ter a vida perfeita, mas parar de oferecer o próprio tempo em sacrifício a tudo aquilo que nos afasta de nós mesmos.
Talvez a grande virada aconteça quando deixamos de esperar uma razão extraordinária para viver e passamos a reconhecer a grandeza escondida no ordinário: no abraço ainda possível, na conversa adiada que enfim acontece, no descanso sem medo e sem culpa, na lágrima que finalmente se deixa rolar, no riso que interrompe o peso do mundo — ainda que por alguns segundos.
O hoje não precisa ser grandioso para ser valioso.
Ele só precisa ser vivido com presença — e não desperdiçado como se fosse descartável.
No fim, flertar com a m0rte todos os dias talvez tenha menos a ver com desejar partir e mais com não se permitir ficar por inteiro.
E viver, em sua forma mais honesta, começa quando a gente decide parar de se ausentar da própria história.
Porque o melhor dia para viver não é o dia ideal, nem o dia fácil ou o prometido.
É este.
O único que realmente chegou — o agora.
"Feliz Dia das Mães, pelos nossos filhos que a gente não teve, mas que, de alguma forma, já nos ensinaram o que é cuidar.
Pelas noites em que imaginamos seus nomes, pelos sonhos que construímos sem saber se viriam, e por todo o amor que ficou guardado — esse amor inteiro que não tinha outro destino senão ser seu.
Você é mãe também. Pela sua capacidade de gerar afeto, cuidado e acolhimento. E eu te amo mais ainda por ver como esse amor não vivido nos fez mais gentis, mais próximos, mais nossos.
Te amo. E hoje, celebro você — mulher, parceira, e dona de um coração que já amou até o que não pôde ter."
GRATIDÃO!
(15/02/26)
Então, abrir o e-mail e a primeira mensagem que a gente lê, releê e não segura o sorriso! Receber a notícia de que dois dos meus poemas foram selecionados para a Antologia Versos que tocam o coração (LABIRINTO DE UM SONHO
e ENVERGADURA DA ALMA) é uma felicidade imensa. É o reconhecimento de cada linha escrita com a alma. Preparem o coração, pois em breve meus versos estarão em papel e tinta!
Lu Lena / 2026
MANIFESTO DA HIBERNAÇÃO
Do sonho a gente acorda, da realidade às vezes a gente hiberna.
Lu Lena / 2026
O VALOR DO QUE É ETERNO
(Homenagem Póstuma Rita Lee)
Existem palavras que a gente escreve e que ganham asas próprias. Hoje, decidi fazer um resgate de um momento que foi um verdadeiro divisor de águas na minha trajetória literária.
Os que estão me conhecendo agora talvez não saibam, mas essa frase de minha autoria — que nasceu no início das minhas publicações aqui no site Pensador que acabou atravessando fronteiras que eu jamais imaginei.
Em maio de 2023, durante a despedida da nossa eterna Rita Lee, essas palavras foram escolhidas pela atriz Isis Valverde, para prestar uma homenagem póstuma que repercutiu em veículos como a Revista Caras.
"O que importa é o talento que vem da alma, o corpo é perene e em breve se desfaz... a alma se perpetua na imortalidade!"
Mesmo após algum tempo, faço questão de trazer esse registro novamente. Primeiro, porque a imortalidade da alma e do talento (como o da Rita) nunca sai de moda. Segundo, para reforçar que cada micro-conto, cada crônica e cada verso que compartilho aqui carrega essa mesma verdade e dedicação de anos.
Agradeço a cada um que faz parte dessa jornada comigo, desde o início ou desde agora.
Lu Lena / 2026
CHORO DE OUTRORA
A gente não volta ao fundo do poço quando consegue subir a nado através das próprias lágrimas. O esforço nos faz flutuar até a luz.
Lu Lena / 2026
Às vezes, a gente precisa ficar *surdo* para a correria da vida para conseguir sintonizar a frequência do que realmente importa. É um estado depresençaquase meditativo. Onde nossa alma fica irresoluta e se reconstrói.
Lu Lena
SOLIDÃO INTERNA
É quando a gente imergi dentro de si mesmo
e enxerga um corredor longilíneo e afunilado
Nas paredes rebocadas de cal esmaecido…
Sonhos crivados em retratos amarelados
em nossa memória em forma de mosaico.
Em sintonia com ruídos de nossos passos
Seguimos em atos como uma peça de teatro…
PENSAMENTO OFF...
Não é que a gente esquece e sim o nosso pensamento que dá um tempo e adormece, porque também cansa de esperar aquilo que nunca acontece…
COSTURANDO A VIDA...
Nesse nosso presente entre um alinhavo e outro, a gente vai remendando os acertos e erros do passado, cerzindo sentimentos e emoções num futuro incerto numa colcha de retalhos…
