A Gente se Entende
Talvez um dia a gente aprenda a dar mais valor
Pra quem nos traz paz
E menos valor pra quem traz renda
O tempo passa, o tempo voa, a gente cresce, amadurece.
A vida é curta, mas vou viver cada momento que aparecer.
Quero a tranquilidade de uma vida clara, a alegria de um amor sincero e a companhia de gente iluminada.
Quero degustar a vida sem pressa, com o coração leve e a alma feliz.
Quero gastar energia só com que me interessa e nem mesmo toda mazela vai me fazer desacreditar que tanto eu quanto toda gente certamente nasceu destinada a ser muito Feliz!
Como é que vai a sua vida?
Em algum momento se lembrou de mim?
Já faz tanto tempo que a gente não se vê
Será que até já me esqueceu?
Ficaram tantas coisas desse amor
Me acompanhando em minha solidão
Hoje de você eu guardo só recordações
E vivo dessa consciente ilusão.
Procuro não pensar mas sempre sonho com você
Seu beijo, seu perfume, sua pele a me tocar
Prefiro não lembrar mas não consigo esquecer
Aquele seu sorriso e tanto amor no seu olhar.
Para ser sincero eu já tentei me enganar
Pensando um dia encontrar outro alguém
E hoje para ser mais sincero ainda
Como você não há ninguém
Mas eu não quero ouvir você dizer
Que um dia a gente vai se ver por aí
Olha, meu amor, sabe o que mais
Mentir para quê, assim não dá, quero voltar para você!
É fácil demais, viver em paz a gente é quem complica tudo, vem, vamos viver, viver Jesus pra gente ser feliz!
Medo
A gente já falou, aqui, sobre o medo.
Todo mundo tem ou já teve medos. Pode ser de aranha, de avião.
Pode ser medo do mar, e até de fantasma...
Medo é coisa que dá em gente, não é?
E é até bom, porque ajuda a nos proteger dos perigos do dia-a-dia.
Mas tem medos que paralisam a vida.
Que impedem a gente de crescer.
Quando a gente ama alguém, tem medo de perder.
Rejeição dá medo mesmo.
Quando a gente tem um trabalho, tem medo de perder.
Desemprego dá medo mesmo.
Mas sabem o que é pior que o medo?
A falta de ousadia, de persistência, de coragem de arriscar...
O medo do novo, o medo da mudança, o medo da recusa, o medo da velhice...
Isso tudo é medo que vai adiando a felicidade.
Na geladeira lá de casa tem um ímã com uma frase que eu gosto muito.
É assim:
"O homem é realmente livre quando não tem medo do ridículo"
Ter medo do ridículo é ter medo de se expor. e se você se esconde, jamais saberão quem você é, quais são os seus talentos, suas idéias...
O medo é um sentimento legítimo, mas ele não pode reger a vida da gente.
Eu tenho medos como todo mundo, mas faço uma força danada pra espanar ele pra longe de mim.
E eu vou dizer uma coisa pra vocês:
Todas as vezes que eu superei o medo, eu fui feliz ou, no mínimo, aprendi coisas muito importantes.
E o medo da morte?
Esse sim é o primeiro e o maior de todos.
Mas se a gente ficar pensando nela, não vive.
Aí os dias passam sem graça e a gente acaba sem ter o que contar pros nossos netos.
No fundo, quem tem medo que as coisas se acabem, perde o melhor da festa, que é o agora.
Então, cuidado se você sofre demais com esse medo de morrer...
Isso pode ser apenas...
Medo de viver.
Lá na infância
Qualquer pessoa que já tenha se separado e tenha filhos sabe como a gente se preocupa com a reação deles e procura amenizar qualquer estrago provocado por essa desestruturação. É preciso munir-se de muito respeito, delicadeza e amor para que essa ruptura seja bem assimilada e não produza traumas e inseguranças.
Muito do que somos hoje, do que sofremos e do que superamos, tem a ver com aquele lugar chamado "infância", que nem sempre é um paraíso. Por mais que tenhamos brincado e recebido afeto, é lá na infância que começamos a nos formar e a nos deformar através de medos, dúvidas, sensações de abandono e, principalmente, através da busca de identidade.
Por tudo isso, estou até agora encantada com a leitura de Marcas de Nascença, fenomenal livro da canadense Nancy Huston e que deixo como dica antes de sair de férias. O livro é narrado por quatro crianças de uma mesma família, em épocas diferentes, todas quando tinham seis anos: primeiro, um garotinho totalmente presunçoso, morador da Califórnia, em 2004. Depois, o relato do pai dele, quando este também tinha seis anos, em 1982. A seguir, a avó, em 1962, e por fim a bisavó, em 1944. Ou seja, é um romance genealogicamente invertido, começando logo após o 11 de Setembro e terminando durante a Segunda Guerra Mundial, mas é também um romance psicanalítico, e é aí que se torna genial: relata com bom humor e sem sentimentalismo todo o caldeirão de emoções da infância, mostrando como nossas feridas infantis seguem abertas a longo prazo, como as fendas familiares determinam nossos futuros ódios e preconceitos e como somos "construídos" a partir das nossas dores e das nossas ilusões. Mas tudo isso numa narrativa sem ranço, absolutamente cativante, diria até alegre, mesmo diante dessas pequenas tragédias íntimas.
A autora é bastante conhecida fora do Brasil e ela própria, aos seis anos, foi abandonada pela mãe, o que explica muito do seu fascínio sobre as marcas que a infância nos impõe vida afora. É incrível como ela consegue traduzir os pensamentos infantis (que muitas vezes são adultos demais para a idade dos personagens, mas tudo bem), demonstrando que toda criança é uma observadora perspicaz do universo e que não despreza nada do que capta: toda informação e todo sentimento será transformado em traço de personalidade.
Comecei falando de separação, que é o fantasma familiar mais comum, mas há diversas outras questões que são consideradas "linhas de falha" pela autora e que são transmitidas de geração para geração. Permissividade demais gerando criaturinhas manipuladoras, mudanças constantes de endereço e de cidade provocando um desenraizamento perturbador, o testemunho constante de brigas entre pessoas que se dizem amar, promessas não-cumpridas, pais que trabalham excessivamente, a religião despertando culpas, a política induzindo a discordâncias e exílios, até mesmo uma boneca muito desejada que nunca chegou às nossas mãos: tudo o que nos aconteceu na infância ou o que não nos aconteceu acaba deixando marcas para sempre. Fazer o quê? Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria. Todos temos nossas dores de estimação. O que nos diferencia uns dos outros é a capacidade de conviver amigavelmente com elas.
A gente precisa ter alguém que a gente possa cuidar e que cuide da gente também. O nome disso é sobrevivência. Mas se você coloca um encantamento nesse pensamento, aí já não é mais sobrevivência, é amor…
A gente cansa, sabe? Cansa de ser romântico com quem não sabe o que é amor. Cansa de ser compreensivo pra quem só é intolerante. Cansa de ser gentil pra quem é arrogante. Cansa de falar o que sente porque vamos ser ignorados.
A gente cansa de tantas coisas… E eu simplesmente cansei.
Se lutar por quem a gente ama for sinal de fraqueza, morrerei lutando pra pelo menos não ser covarde ao desisitir de um grande amor!
Se o ar não se movimenta, não tem vento; se a gente não se movimenta, não tem vida.
A gente não pode viver a vida olhando para o que passou. Ninguém tem a obrigação de fazer você feliz. Não posso querer que alguém satisfaça meus desejos. E não devo, de maneira alguma, colocar na mão do outro a minha felicidade.
