A Gente Aprende com as Decepções
... Ai então você aprende que a flor é bela
mais não se deve tirar o espinho. Que problemas
existem mais sempre existe uma solução. Você
aprende que não adianta fugir do destino, ele sempre
da um jeitinho de se realizar...
Torna-se desnecessário querer desmascarar as pessoas quando se aprende que quem necessita de máscaras jamais será igual ou mais bonito do que a máscara mais feia de sua coleção.
Amizades que Sabem Ficar
Eu sou feita de profundidade.
Quem me ama aprende a nadar,
quem me teme fica na margem
e me chama de silêncio.
Minhas amizades não me prendem ,
criam raízes.
Algumas vivem sob a terra,
outras sustentam o tronco dos dias,
há galhos que seguem outros sóis
sem nunca romper a origem.
Também acolho folhas.
Elas chegam leves,
embelezam a estação,
partem quando o vento pede.
E está tudo bem.
Nada que foi verdadeiro se perde.
Sou oceano em estado de gente.
Não grito minha maré,
não imploro mergulhos.
Permaneço.
Aprendi cedo
que amar não é disputar espaço,
é reconhecer profundidade.
Que vínculo não se mede pela presença constante,
mas pela lealdade silenciosa
de quem nunca tentou me apagar.
Quando sinto desalinho,
recolho a voz.
Meu silêncio lê.
Meu coração decide.
Quem é raiz volta.
Quem é fruto permanece.
Quem é superfície segue ,
sem mágoa, sem ferida.
E sigo assim:
inteira, líquida, verdadeira.
Com poucas mãos nas minhas,
mas todas capazes de sustentar
o peso bonito de quem eu sou.
Quem atravessa o deserto aprende que cada gota é milagre,
e quem permanece firme na fé descobre que a espera nunca é em vão.
No fim, o vento se aquieta, a chuva cumpre seu propósito,
e o coração que não desistiu floresce com raízes mais profundas,
mais forte, mais sábio e pronto para vencer.
A verdadeira coragem de vencer revela-se em quem aprende com as correções da vida e transforma o conhecimento académico e espiritual em movimento consciente da própria existência.
Aprende a perdoar. É melhor dormires sozinha, em paz, do que dormires todas as noites com o inimigo!
Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo, completa a tua tarefa. Aprende com o silêncio a respeitar a tua vida.
Aprendi a conviver com a ausência
como quem aprende a respirar debaixo d’água.
No começo doeu,
os pulmões queimavam de lembrança,
mas depois o corpo se acostuma
a viver com menos ar,
com menos riso,
com menos você.
Às vezes ainda emergem memórias
como bolhas —
estouram rápido,
mas deixam o peito pesado
por horas.
Meu espelho será sempre o seu reflexo. Eu aprendo, você aprende. Eu ensino, você ensina-me. Eu mostro minha alma, você mostra a sua.
Flávia Abib
“A ciência suave de amar”
Amar é um estado químico que aprende a ser humano.
Começa no corpo antes de virar escolha.
No início, o amor é dopamina em festa: euforia, foco absoluto, aquela vontade quase infantil de estar perto, de repetir o encontro, a conversa, o cheiro. É o cérebro dizendo “mais disso, por favor”. A pessoa vira ideia fixa, não por fraqueza, mas porque a serotonina cai e a mente passa a orbitar um só nome — como se pensar nela fosse um hábito involuntário.
Aí vem o frio na barriga: a noradrenalina e a adrenalina aceleram o coração, suam as mãos, deixam tudo mais vivo. O amor, nessa fase, é risco gostoso. É expectativa. É o corpo em alerta, como quem sabe que algo importante está acontecendo.
Com o tempo — se houver cuidado — a química muda de tom.
A paixão barulhenta aprende a falar baixo.
Surge a ocitocina, que não grita, mas fica. Ela constrói confiança, abrigo, vínculo. É o conforto do abraço que acalma, da presença que não exige performance. O amor amadurece quando deixa de ser só fogo e vira lareira: menos urgente, mais constante. A vasopressina entra em cena e sustenta a ideia de “nós” ao longo do tempo.
Então, pelas experiências humanas, amar é isso:
Um processo onde o corpo se apaixona primeiro
e o coração aprende depois a ficar.
Amor não é só química — mas também não existe sem ela.
É quando os hormônios acendem a chama,
e as escolhas diárias decidem mantê-la acesa.
