Vou te Levar
Quando alguém mostrar os dentes me perguntando se a gente pode se conhecer, vou responder e perguntar. Depende, quais os métodos que você costuma usar para decepcionar?
E eu nunca vou te esquecer. Não porque eu não posso, porque eu não quero também. Você sabe que é verdade que eu vou conseguir ter você de volta, mesmo que seja a última coisa que eu faça. De todos os amores encontrados e perdidos e nunca mais vistos você é o único que corre repetindo na minha cabeça.
Não vou dizer que hoje a tristeza não vem mais, porém agora, felizmente, ela é menos intensa. Eu finalmente descobri que apesar de todos os percalços e dificuldade, vale a pena viver. Há sempre um bom motivo para sorrir e acreditar.
Agora eu vou, com os olhos molhados,
com os sonhos partidos, os passos cansados.
Mas ainda guardo ... Bem no fundo da alma aberta...
Uma chave esquecida pra um dia... quem sabe... a porta certa.
Um dia vou te encontrar de novo. Não por acaso. Por destino atrasado.
Já não serei a mesma pessoa.
Nossas vidas estarão diferentes.
Outros caminhos, outras versões, outras cicatrizes.
Mas algo em mim ainda vai reconhecer você.
Em uma tarde fria de um dia qualquer, vou tentando me reerguer… entre lembranças que insistem em doer e a esperança que, mesmo frágil, ainda teima em permanecer. Cada passo é lento, mas carrega em si o peso da coragem de não desistir.
Aos poucos vou me reconstituindo, tentando colar os pedaços de mim que a vida esfarelou, mas sei, com uma dor que queima por dentro, que nunca serei inteiro. Sempre restarão fendas abertas, buracos que sangram lembranças e ausências que me rasgam por dentro.
Elegantemente, vou ignorando tudo e todos, um gesto contido que guarda meu silêncio como quem preserva um relicário.
Em vão eu vou carregando o peso dos anos acumulados, se não transformarmos a experiência em aprendizado para os outros.
A tristeza tem territórios que eu ainda não visitei. Vou a pé, com uma lanterna de medo e coragem. Algumas ruas são estranhas e pedem licença para entrar. Outras me reconhecem e me oferecem cadeiras antigas. Sento-me e descubro que conversar com a dor é arte.
Eu vou escrever até meu último maldito fôlego, não importa se vão achar bom ou não.
"Vou viver este amor enquanto ele durar.
Depois eu me recolho numa ilha deserta à recordar..."
☆Haredita Angel
