Você Nasceu pra Mim
"O amor vem para mim como um veneno
Romeu e Julieta tiveram melhor sorte
Viveriam juntos ou morreriam juntos
Foi recíproco até na morte."
(estrofe do poema: Medusa)
O Amor que nunca foi
Às vezes, eu acho que você jogou alguma macumba em mim.
Cada dia que passa só fica mais difícil.
Eu converso, finjo, conheço pessoas novas, e todas elas eu acabo comparando com você.
Venho gostando de alguém, mas tudo o que ele faz você já fez. Tudo o que pedi para fazermos juntos, eu já fiz com você.
Eu tento não dizer nada, mas a mágoa me consome todo santo dia.
Quando minha mãe me contou o que ela e o Tarcísio viram primeiro, eu senti ódio de você.
Senti tanta raiva, porque lembrei dos meus dias estudando no quarto e depois indo dar um beijo em você, sorrindo porque você entendia eu não poder te dar atenção.
Senti tristeza depois e raiva de novo, mas dessa vez da minha mãe, por ter sido uma pessoa horrível em não me contar assim que viu, com a desculpa de que eu nunca acreditaria.
Ninguém me conhece de verdade. Às vezes, acho que nem eu me conheço.
Eu me odeio todos os dias, pensando em tudo em como isso foi o melhor, em como foi bom e ruim ao mesmo tempo, ou em como eu não via mais futuro em nós.
Não sinto ciúmes ao pensar em você com outra pessoa.
Sinto mais dor em pensar que nunca mais irei sorrir como sorria com você, e que, mesmo tentando, nenhum outro consegue me fazer sentir o mesmo.
Odeio pensar nos finais de semana eles, sim, são os mais doídos para mim.
Odeio lembrar das suas danças malucas ou da sua cantoria desafinada.
Da sua papada quando se deitava ou dos olhos brilhantes quando falava do que gostava.
Odiava quando não prestava atenção no que eu dizia, mas amava te ouvir falar até do que não me importava.
Amava seus memes exagerados, o jeito como me fazia carinho e até sua mania de enrolar o cabelo com tanta frequência.
Odeio como você ainda me faz chorar até hoje.
Gostaria de poder gostar mais dessa pessoa.
Sinto raiva de mim por deixar esperanças nele. Mesmo dizendo que amo outra pessoa, que não quero nada, ele ainda insiste.
Eu tento comer na padaria sozinha, ouvir música sem pensar no que você gostaria e assistir a séries que eu sei que você amaria.
Me odeio por te amar nessa proporção devastadora e te odeio pelo que fez comigo e pelo que me tornou.
Será que um dia você amou alguém de verdade? Ou é só o vazio dentro do seu peito que você tenta preencher?
O pior é que eu não sei se essa pergunta é pra você ou pra mim.
Mas sabe... eu sempre amei o seu cheiro.
Só que, nos últimos meses, eu não consegui mais reconhecê-lo.
Nos últimos meses, tudo mudou.
Eu consigo ser melhor com minha família, consigo ter amigos de novo.
Sinto uma paz e um vazio que, às vezes, me sufocam.
Deve ser a paz que eu não tinha com você e o vazio que é estar sem você.
Às vezes, parece que você não sente nada.
Eu sou impulsiva, besta, idiota, louca e muitas outras coisas das quais acho que nunca vou me orgulhar.
Mas eu sinto muito dentro de mim e era louca por você a um ponto que nunca vou ser por mais ninguém.
Tenho dó desse alguém que gosta tanto de mim, porque eu nunca vou amá-lo.
Nunca vou namorá-lo, nunca vou ser quem um dia eu poderia ter sido se não tivesse te conhecido.
Porque ele ama tudo em mim que você nunca gostou, e eu odeio tudo nele.
Odeio as tatuagens, odeio o jeito como me olha com aquele olhar apaixonado.
Odeio o fato de ele ser gentil até quando eu não sou.
Odeio o fato de ele ser quase do meu tamanho, ou a forma como fala que não quer ter filhos.
Não gosto do estilo, do rosto muito quadrado, das mãos que suam com facilidade.
Agora eu poderia estar dormindo.
Mas me sinto tão cansada ultimamente.
Me odeio.
COERÊNCIA
As coisas que não disse...
O que escondi dentro de mim...
O segredo da verdade...
Ou a mentira já no fim...
O tempo já dormia...
Quando se lembraram de mim...
O sol já brilhava...
Como convite de marfim...
Mas as coisas que não disse...
Continuam dentro de mim...
A vaidade nos atrai...
Mas escolhi ser assim...
António José Ferreira
Se eu desistisse de mim, ninguém se importaria, sinto que a maternidade é muito ingrata, pois por mais que você se doe a ela, nunca será realmente reconhecido...
Somos as mães de Freud.
Morte
Vou te encontrar vestida de mim, pois em qualquer lugar me levará, sem vestir meu cetim, sem saber como aquelesfios finosdeslizariam sob mim.
Levando só a saudade das sensações humanas, queimando minha carne.
Nós momentos que somos, a riqueza que nos acompanha cabe no pensamento, de que não temos fim.
Escrevendo ao ouvir- Canto Para Minha Morte- Raul Seixas
Soneto do jardim
Você levou a melhor parte de mim
Por outro lado deixou no meu peito
Um belo, grande e lindo jardim
Lugar onde faço do amor meu leito
Vejo flores por todos os lados
Porém, em toda rosa há seus espinhos
Por isso, ando com todos os cuidados
Procurando você por todos os caminhos
Amo-te mais do que tudo
Sinto sua falta quando não te vejo
Conto os segundos para teu perfume aspirar
Infelizmente, na vida há algum contudo
Você é o que mais desejo
Como a mulher para a vida compartilhar
Minha vida escorreu de mim
Por Simone Cruvinel
Minha vida escorreu de mim,
e até nisso fui delicada.
Não houve grito, nem rompante,
apenas o silêncio de quem aceita o tempo.
Fui pétala que o vento levou,
sem culpa, sem pressa,
mas com ternura —
como quem se despe do próprio outono.
Ainda assim,
há em mim um fio de doçura,
a leveza de quem perdeu,
mas continua inteira.
Jardim
Doce criança chorosa,
Doce e antiga parte de mim,
antigo afeto à memória,
de quando brincávamos no jardim.
Não existia motivo
e nem hora,
olhar nos olhos
não era difícil para mim.
Se envergonharia ao me ver agora,
me afogando em rótulos
e desânimo sem fim.
Minha mente,
procurou conforto outrora
e me lembrou de quando
brincávamos no jardim.
Você não é apenas o meu amor, é a minha alegria diária e a parte que faltava em mim. Com você, o para sempre deixou de ser um sonho e se tornou a nossa realidade mais feliz. Eu te amo, e a promessa de te amar é o único infinito que me importa.
POEMA AO MEU PAI
Eu não lembro da minha infância inteira.
Ela correu.
Passou por mim como vento,
como pipa que sobe e some,
como carretel que rola ladeira abaixo
e não volta mais.
Um morro virou campo,
o campo virou casas,
e eu virei homem
sem perceber o instante.
Um dia apareci no seu trabalho,
e o senhor me levou ao restaurante do português.
A sopa era ruim,
mas com você tudo tinha sabor.
O refrigerante era grande,
a mesa simples,
a vida imensa por causa da tua presença.
Depois te contei do amor que encontrei.
Você ouviu, aconselhou,
e me ajudou
por uma vida inteira.
Me trouxe para uma terra que eu não imaginava viver,
onde meus filhos nasceram,
onde o pão chegava com o seu chamado de manhã.
Hoje sou eu quem leva o pão,
e a lembrança do seu grito
ainda abre a porta dentro de mim.
Cuidei do senhor como quem segura o próprio passado pela mão.
Troquei carros,
troquei rotinas,
troquei o que fosse preciso
para te levar onde precisava.
E ainda assim,
quando você partiu,
eu estava longe —
longe do instante do adeus,
mas perto da dor que nunca se afasta.
Daquele dia em diante,
eu tive que dizer ao mundo:
“Agora eu sou homem.”
Sem pai, sem chão,
mas com a herança
do que você me ensinou a ser.
Hoje faço o que não gosto,
caminho onde não queria,
mas sigo firme
porque carrego o teu nome,
tua memória,
tua voz que, aos poucos,
volta a me encontrar.
Amo minha mãe,
amo minha esposa,
amo meus filhos —
porque você me ensinou a amar assim:
com força,
com verdade,
com sacrifício.
Pai,
obrigado.
Obrigado por tudo o que fui contigo
e pelo que virei depois de você.
Prometo ir mais longe
do que você um dia sonhou para mim.
Prometo viver,
ainda que doa,
porque viver é a última forma
que me resta de te honrar.
Um beijo.
Um abraço.
E um eco teu que nunca morre,
mesmo quando o resto do mundo
fica silencioso.
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