Voce foi o meu Momento Inesquecivel Amor
MEU POEMA PREDILETO
O azul, a lua enfeita;
Cena feita de outrora.
Afloram horas de saudades,
Das auroras e dos poentes,
Lourejantes, em carmesim.
De tanto olhar para o céu, enfim,
O céu olhou para mim.
Percorri décadas de poesias!
Quadrinhas, sonetos, trovas,
Concretas, líricas,
Dramáticas e épicas,
Muitos metros metrificados,
Redondilhas maiores, menores,
Amores em versos espalhados!
Das rimas ricas que ouvi na vida,
Das vidas que vi nas rimas,
Em uma coletânea completa,
Esquecidos, todos os dilemas,
Abstraídos, todos os problemas,
Vem o mais belo dos poemas,
Chegou a Cora, a minha neta.
Sérgio Antunes de Freitas
23 de novembro de 2022
Dentro de algum caderno, escondido pelo meu quarto, existe uma lista com segredos que nunca contei a ninguém!
Antes, meu mico era quando a corrente da minha bicicleta caía. Hoje em dia, meu mico é quando acaba a gasolina da minha moto no meio do trânsito.
Campo de Batalha -
Sou um campo de batalha
onde a contenda é travada
e o meu corpo é a mortalha
de uma guerra inacabada!
Um sou eu desde que nasci
com um peso sem idade
outro o Poeta que recebi
e me castra a liberdade!
Dois que em não se entendiam
num confronto imortal
dois que em mim não percebiam
o quanto o corpo era mortal!
E como a lava de um vulcão
ou a cinza da lareira
resta nada e solidão
junto à minha cabeceira!
Os meus olhos bebem Fado -
Os meus olhos bebem fado
e o meu corpo solidão
ai de mim preso ao passado;
levo a dor na minha mão
deste Sol que está cansado
de nascer em dia vão!
A minha boca bebe fado
nunca mais verei o dia
só há sombras a meu lado;
já não sinto alegria
sou um pássaro errado
na rota da poesia!
E nesse longe onde fiquei
num jardim abandonado
dei-me tanto que nem sei;
se o poeta ao meu lado
foi verdade ou se o sonhei ...
A minha Alma bebe Fado!
Por Instantes -
No meu corpo, por instantes,
visto as dores de quem vive
num doer que é constante
por um amor que nunca tive.
Bailam dores nos meus olhos
como as flores pelo vento
como espadas e abrolhos
baila em mim o pensamento.
E bailas tu no meu cansaço
baila a vida e a saudade
no vazio do meu regaço
bailo eu com a cidade.
E verás, quando algum dia,
tu souberes que eu parti
como até na terra fria
esperarei, amor, por ti ...
No meu Corpo há um lugar -
No meu corpo há um lugar
onde alegrias se aninharam
onde amores se encontraram
onde esperei o teu olhar.
E na loucura de te encontrar
dei o corpo a tantos cantos
chorei dores, chorei prantos
na distância o teu olhar.
Cortei os pulsos ao Sol-posto
não me lembro de o fazer
só me lembro de te ver
a palidez, rubra, no rosto.
Mas um dia quis morrer
na minha cama d'ilusão
e dei meu corpo à solidão
morri cansado de sofrer.
O meu Corpo é um Navio -
O meu corpo é um navio
que se arrasta nas marés
pelos mares sem ter frio
à deriva sem ter Fé.
Os meus olhos dois lamentos
dois cansaços que me assaltam
dois martirios, dois tormentos
duas velas que se apagam.
Num caminho sem destino
dei-me à vida sem pensar
tantas dores no caminho
tanto espinho em meu olhar.
O meu corpo é um fado
que está preso à tua imagem
meu destino está marcado
teu amor é uma miragem.
Um abraço vale mais que um milhão de palavras bonitas,
Precisei confortar meu amigo só com palavras,
mas ficou um vazio imenso.
Meu lar
Lugar onde nasci, cresci e vivi
Lugar onde brinquei, sentei e deitei
Lugar onde chorava, resmungava e gostava
Festas, sonhos e decepções
Medos, conquistas e lições
Visitas, presentes e reações
Mamãe, papai e irmãos
Tios, avós e primos
Bisavós, tataravós...
Vinha daqui, voltava de lá
Queria ficar como sempre fazia
Um local sereno que me satisfazia
Pode não ser limpo, chique e luxuoso
Pode não ser calmo, organizado e silencioso
Pode ser precário, pobre e feioso
Apesar de tudo isto
Saiba, este é meu lar!!
O meu planeta grita por socorro
No meu planeta espécies somem do mapa
A extinção é uma praga que tudo assola
A catástrofe no processo evolutivo é produzida e apoiada pela ganância de muitos e sustentada pela impotência de outros
A extinção é o empreendimento de homens que tudo ferem, que tudo querem, que tudo (des)matam.
No meu planeta a guerra é prática e técnica
Seu poder beligerante produz pilhas de corpos ultrajados que fazem volumes anônimos
A humanidade se divide em gente importante e gente sem nome.
Gente que merece viver e gente que deve morrer quando não tem utilidade.
No meu planeta há esperança, tímida e frágil, mas desejante de futuro, feito crianças.
Linda,
Aproveitas que amanhã será o dia da criança.
Venhas aqui no meu apê
Pra nós brincarmos de casinha.
