Voce esta Mudando minha Vida
Minha Aura Cigana 💃
Por tudo o que vivi,
senti, sofri,
sangrei e chorei,
aprendi a não criar raízes
onde o chão era lágrima,
insegurança e medo.
Minha alma carrega estradas,
olhos atentos ao horizonte,
bolsos vazios de posses
e o peito cheio de destino.
Trago no corpo os vestígios do tempo
e no espírito a liberdade inquieta
de quem nunca pertenceu ao cárcere
do que é fixo, morno ou imposto.
Sou passagem,
sou vento que não pede licença,
sou chama que arde,
que aquece, que queima,
mas não se deixa apagar.
Minha aura é cigana
porque escolheu a travessia
em vez do conforto,
a verdade em movimento
em vez da paz mentirosa do repouso.
Por tudo o que vivi,
senti, sofri,
sangrei e chorei,
preferi não fincar raízes
em solos contaminados de medo.
Carrego comigo lembranças e cicatrizes
que não pedem e não suportam
curiosidade, piedade e nem falsidade
apenas passagem.
Minha alma aprendeu cedo
que permanência, muitas vezes,
é apenas uma forma educada de prisão.
Trago nos olhos a dor das despedidas,
nos pés a poeira das estradas,
no peito um coração indomável
que sangra, mas segue adiante.
Sempre!
Sou feita de partidas,
de incêndios internos,
de escolhas que doem
mais nunca, a renúncia
a mim mesma.
Nunca!
Minha aura é cigana
porque recusou o conforto
doce da mentira
e escolheu vagar com a verdade
latejando na carne,
pulsando nas veias,,
acariciando a mente
e pacificando a consciência.
Por tudo o que vivi,
senti, sofri,
sangrei e chorei,
aprendi a ouvir o chamado
das estradas invisíveis
mais plenas de visão.
Minha alma
dança com o vento,
baila com as marés,
reconhece constelações
onde outros veem apenas noite.
Carrego no coração um mapa
que não conhece fronteiras e limites
e um tempo que se move
no compasso da liberdade.
Oh! Amada Liberdade!
Senhora do meu viver!
Sou feita de travessias serenas,
de tempestades arrebatadoras,
de silêncios que ensinam,
de palavras que ecoam,
de versos que florescem
sem pedir residência.
Minha aura é cigana
porque prefere o caminho
ao destino, e faz do mundo
um eterno lugar de passagem.
Vivi, senti, sofri,
sangrei e chorei,
por isso sigo adiante.
Sempre!
Raízes me pesam e sufocam,
Estradas do viver e do sentir
livre e leve, me salvam.
Minha aura é cigana:
não pertence,
atravessa o seu caminho.
E nada e ninguém
vai tomar posse
de mim.
O sol me ilumina,
a Lua me protege,
a vida me ensina
que seguir livre
é a minha sina.
✍©️@MiriamDaCosta
Meu olhar se embriaga
na poesia do pôr do sol,
que irrompe da janela
da minha cozinha
como um poema em chamas.
O céu escreve, em tons alaranjados,
os seus silêncios,
enquanto o dia se retira devagar,
com a serenidade
de quem conhece o próprio tempo.
Sobre a pia,
a louça reflete o esplendor
desse arco-íris poético.
E a minh’alma,
pincelada por essa paleta de cores,
deleita-se
num estado puro de êxtase.
E eu, inspirada,
derramo estes versos
de gratidão à Natureza,
por conceder-me
tamanha bênção.
✍©️ @MiriamDaCosta
As canções que que o tempo não conseguiu apagar
Desde pequeno, lembro-me de ajudar minha mãe a preparar o almoço para os lavradores que trabalhavam em nossas quintas, só para ter o prazer de ouvir música pelo rádio. O tempo passou, cresci e meu pai comprou um toca-discos. Foi quando as garagens de nossas casas se transformaram em pequenos salões de baile, onde a música reunia amigos, sonhos e, muitas vezes, futuros namorados.
Vieram os anos 70 e, com eles, a música romântica. Nos bailes, os casais dançavam quase parados, agarradinhos, enquanto muitos romances começavam ao som de uma canção. E, como não poderia deixar de ser, também havia disputas e brigas entre rapazes pela conquista da mesma moça. Afinal, naquela época, a música não era apenas trilha sonora: muitas vezes, era o caminho para chegar ao coração de alguém.
A música acompanha o ser humano desde os tempos imemoriais e possui algo que sempre me fascinou: consegue comunicar emoções e ideias sem precisar de palavras. Melodias, ritmos, sons e vozes conseguem expressar alegria, tristeza, saudade e esperança, independentemente da língua em que são cantados. Quando o amor e a paixão nos deixam sem palavras, é a música que muitas vezes diz por nós aquilo que gostaríamos de falar.
Aristóteles dizia: “A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição.” Talvez seja por isso que cada pessoa encontre na música uma espécie de identidade. Ela carrega histórias, tradições, culturas e sentimentos, ao mesmo tempo em que proporciona equilíbrio, bem-estar e momentos de profunda reflexão.
Nas minhas caminhadas, a música se tornou uma companheira inseparável. Há momentos em que escolho uma canção que combina perfeitamente com a paisagem, com o silêncio da estrada ou com a paz que encontro pelo caminho. Quantas vezes ela já me ajudou a refletir? Quantas vezes despertou uma lembrança ou inspirou uma história que depois tive vontade de contar?
Se alguém me perguntasse o que seria de mim sem a música, eu responderia simplesmente: minha vida não teria a mesma graça. E talvez o mais bonito seja perceber que, aos quase setenta anos, ainda consigo ouvir mentalmente aquelas canções que um dia me fizeram dançar, sonhar e acreditar, como continuo acreditando, que **amar sempre vale a pena**.
Peregrino Nino Carneiro
É bom lembrar.
Não lembrei. Esquecimento.
Esqueci, do meu chinelo.
Esqueci, a minha bota.
Pedi para uma pessoa,
da minha família pegar.
Eu não me abaixo para recolher provocações
porque faz mal a minha coluna...
que prefiro mantê-la ereta.
Mas ...
se for para recolher pérolas...
minha coluna se curva com imenso prazer.
Ode à Mariazinha da Praia das Conchinhas
(Erê/Entidade da Umbanda)
Erêzinha minha, tão queridinha,
com sua meiguice e carinho,
nunca me deixa só no meu caminhar,
sorri como a brisa fresquinha
que beija a maré baixinha...
pequena guardiã da areia dourada,
dança e trabalha entre conchas
estrelas do mar e brincadeiras
sua voz é brisa, sua presença é estrada,
que conduz a alma cansada...
nos olhos pequeninos
traz a profundidade do Oceano,
na pele o sol desenha um manto,
e em cada gesto tão puro e singelo
há um refúgio doce e belo...
Mariazinha, criança do mar,
és poesia que insiste em ficar,
como concha que guarda segredo antigo,
como onda que sempre retorna ao abrigo...
Erêzinha da praia e da espuma,
nascida do primeiro sussuro da maré,
com tua doçura me atravessas
como raio de sol nos dias cinérios...
Nunca me deixas só!
és faísquinha de luz e és clarão,
és concha que ressoa o meu silêncio,
és mar sereno dentro do meu coração...
Mariazinha, tua meiguice alenta e cura,
teu carinho é sol que ilumina a noite
para que o dia seja tenro
sobre a areia escaldante da vida...
Trazes nos olhos o mistério do Oceano,
e nos pés a dança inquieta das marés
tu não caminhas;
tu adoças os caminhos,
e me obrigas a seguir,
mesmo quando o meu coração
quer naufragar...
És a guardiã das conchinhas,
mas em cada uma delas
há um pedaço meu
que o Mar te confiou...
Mariazinha, menina doce do mar,
com teu sorriso miúdo,
acolhes meu passo cansado
como quem sabe o peso do silêncio...
És conchinha guardada na palma,
tesouro pequeno, mas infinito,
presença que o Oceano me dôou
para que eu nunca esquecesse
a ternura escondida
nas marés da vida...
Teu carinho é brisa leve,
que me envolve sem nada pedir
e tua presença é farol discreto,
luzinha que não deixa a solidão
se tornar escuridão em mim...
Mariazinha, tão queridinha,
és infância que retorna em onda mansa,
és a poesia que se escreve sozinha
na areia úmida da minha lembrança...
Mariazinha da Praia das Conchinhas
a te dedico essa ode cheia de riminhas
para agradecer do fundo do coração
todo o teu carinho e proteção ...
Salve a tua Praia e as tuas conchinhas!
✍©️@MiriamDaCosta
A alternância do equilíbrio...
Às vezes preciso dessedentar
a minha força
com a minha fragilidade...
outras vezes preciso nutrir
minha fragilidade
com minha força...
É nessa alternância
que reside meu equilíbrio...
✍©️@MiriamDaCosta
Sinta meu toque.
Venha, tome minha mão;
Deixe eu conduzir os teus caminhos junto ao meu.
Sinta a sensação de bem estar, através do toque dos meus dedos.
Venha, não tenha medo;
Quero que conheça meu mundo e que faça parte da minha vida.
Venha e sinta junto comigo, a respiração acelerada do amor que sinto por você;
Quero que sinta o toque dos meus dedos, acariciar todo teu corpo.
Venha e deixe eu te sentir e te amar mais e mais.
Hoje durante a minha caminhada
na Serra da Tiririca, entre árvores 🌳 🌴, plantas nativas 🌾🌿, flores 🌼🌺
e frutos 🥭🍌🍒🥑🥥 ...
oxigenei o meu olhar
com o ar puro da mata🌳🌳🌳
e a minha alma de silêncio e serenidade.
No caminho, voltando para casa 🏠
observei casas com muros altíssimos, câmeras de segurança em cada ângulo dos muros e nos portões... em todas!
Da mata aberta para os muros fechados,
a paisagem mudou, e com ela, o jeito de viver...
Lembrei de um tempo, onde as casas disputavam serem as que tinham o jardim mais bonito...
com varandas cheias de vasos pendurados com samambaia chorona, renda portuguesa, dólar, dinheiro-em-penca , lambari roxo e tantas outras espécies de plantas que pendem dos vasos... os canteiros do jardim com rosas vermelhas, amarelas, brancas, rosas🌹 ... dálias de todas as cores🌸... jasmim, margaridas, girassóis 🌻flores de todos os tipos e cores🌼⚘... era um verdadeiro arco-íris... cores e aromas...
As vezes, na ida para a escola, a gente "roubava" uma das flores para presentear a professora ... ou na volta para casa para agradar a vovó, a mãe, a madrinha ou a tia...
a família , quase que toda, morava na mesma rua ou bairro...
Onde foi parar o cenário de um tempo?
Nas cercas floridas dentro do recinto amarelado das memórias.
✍©️@MiriamDaCosta
WE foi bordando as minhas feridas
com versos,
que as cicatrizes da minha alma
se tornaram paisagens de poesia.
✍ @MiriamDaCosta
Enquanto uns assistem
ao jogo de futebol
e soltam fogos estrondosos...
Eu, da minha varanda,
entre a renda portuguesa
e a escuridão da noite,
assisto ao jogo
da grande bola no céu,
em disputa silenciosa
com as nuvens,
e solto faíscas
de versos silentes...
✍ @MiriamDaCosta
A Senhora Inspiração
Pedi à senhora Inspiração
para guiar a minha escritura
e me fazer escrever algo belo,
profundo, marcante e visceral.
Ela me respondeu que
não é serva de vaidades apressadas,
nem ornamento para desejos de grandeza.
Disse-me, com a calma
de quem conhece o tempo,
que o belo não se pede,
revela-se.
Que o profundo não se inventa,
escava-se.
Que o marcante não se força,
atravessa.
E o visceral?!
ah, o visceral,
não se escreve com canetas ou teclas,
mas com aquilo que pulsa
e que sangra no âmago.
Então, pediu-me silêncio.
Mandou-me despir as palavras
fáceis e corriqueiras,
abandonar os enfeites,
e descer, sem garantias,
à parte de mim
onde nem eu ouso permanecer.
“Escreve dali”, ela disse.
“Do lugar onde a dor não se explica,
onde a memória não pede licença,
onde a verdade não aceita maquiagem.”
"Escreve olhando nos olhos
a inata escritora que és."
E partiu,
como partem as coisas sagradas,
sem ruído,
sem promessa,
sem retorno marcado.
Desde então,
Ela vai e vem... vem e vai...
como as ondas do mar.
E eu,
não peço mais nada à senhora Inspiração,
simplesmente, sigo obedecendo-a.
"Manda quem,
obedece quem tem juízo. "
Escrevo para ser inteira.
Simplesmente, escrevo com a alma.
©️✍@MiriamDaCosta
Não custa nada
Encantar
Minha mãe e pai
Minha filha
Meus irmãos
Meus amigos
As pessoas que encontrar
Encantar
Amar
Sonhar
Só se leva o encanto
De um para o outro
Vai se embora
O encanto fica
Não esqueça você
Faz parte de mim
Leva um pouco
E deixa para o outro
O encanto sem fim.
Filha:
Voa minha borboleta
Seja leve e linda
Como uma violeta
Qualquer dia desses
Aperto suas bochechas
Quem ama cuida
Seja abençoada
No juizo
Busque o equilibrio
Entre a razão e a emoção
Com a paz vinda
Do coração
Há um irmão cuja força rivaliza com a minha, mas que fez das sombras seu único refúgio. Não atravessa o caminho que leva até mim, não pronuncia meu nome, nem ousa romper o silêncio que ergueu entre nós. Ainda assim, sua voz encontra outra estrada: alcança os ouvidos de meu pai.
Ignoro quais palavras derrama. Talvez sejam preces, talvez veneno; talvez verdades mutiladas vestidas de luz. Apenas sei que, enquanto evita meus olhos, conversa com os fantasmas da minha ausência.
E nas noites em que o vento parece carregar segredos, pergunto-me se é a culpa que o oculta nas trevas... ou se as próprias trevas já aprenderam a chamá-lo de filho.
O Homem que Carregava o Frio
Eu carregava sacos de gelo durante o dia,
mas era a minha própria alma que congelava aos poucos.
Minhas mãos tocavam o frio da pedra,
enquanto meu corpo aprendia uma nova forma de dor.
Ao chegar em casa, a noite não trazia descanso;
trazia o julgamento do próprio corpo.
Cada músculo queimava como brasa escondida,
cada respiração era uma lembrança
de que eu ainda precisava continuar.
Deitado no escuro, entre o silêncio e a agonia,
eu não pedia riqueza, nem uma vida perfeita.
Minha única oração era simples:
“Que eu acorde amanhã.”
Porque havia um peso maior que a dor dos braços,
maior que o cansaço dos ossos:
era saber que o mesmo sofrimento me esperava no dia seguinte.
E mesmo assim eu levantava.
Vestia minha coragem como quem veste uma roupa velha,
pegava o caminho de sempre
e enfrentava mais um dia.
Ninguém via as lágrimas que eu engolia,
ninguém ouvia as batalhas travadas dentro de mim.
Mas ali estava eu —
um homem ferido pelo tempo,
mas ainda de pé.
Não porque era fácil suportar,
mas porque havia algo em mim
que a dor nunca conseguiu destruir.
Minha dança Hinokami Kagura não é mais com a katana, mas com o lápis e o papel. E, nesta dança, não existe inimigo capaz de me parar.
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