Voce Acendeu a Luz da minha Vida

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A Garrafa da Educação

Finalmente, a educação brasileira encontrou sua maior recompensa: uma garrafa! Sim, senhoras e senhores, acabou a era em que as pessoas escolhiam universidades por qualidade acadêmica, projetos inovadores ou corpo docente qualificado. Agora, tudo se resolve com um brinde. E que brinde!

A campanha é simples, mas genial: indique um amigo para se matricular na faculdade e ganhe uma garrafa. Não um desconto, não um material didático, nem uma vaga garantida no mercado de trabalho. Uma garrafa. Certamente, é o que faltava para motivar você a compartilhar o futuro acadêmico dos seus conhecidos. Afinal, quem precisa de um diploma forte se pode ter um utensílio de plástico ou alumínio no armário da cozinha?

E vamos falar a verdade: essa garrafa é revolucionária. Cada vez que você toma água nela, sente o sabor da responsabilidade social e da valorização da educação. É quase como se dissesse: "Eu ajudei a formar um futuro profissional por causa disso aqui."

É importante reconhecer o esforço criativo dessa campanha. Em tempos de crise, a solução não é melhorar os cursos ou investir em professores. É transformar cada estudante em um recrutador, prometendo brindes que poderiam ser conseguidos com pontos no supermercado. Quem sabe na próxima campanha, por cinco amigos indicados, a faculdade não ofereça um chaveiro ou um adesivo para decorar sua garrafa?

Ironias à parte, se isso é o ápice da valorização do ensino superior, fica a pergunta: o que será que estão oferecendo para quem se forma? Uma mochila? Um cupom para fast-food? A educação, coitada, merecia mais do que um marketing tão sedento de criatividade quanto os estudantes estarão para usar sua nova garrafa.

Indique, estude e... beba água. Afinal, conhecimento pode não saciar a sede, mas a garrafa sim.⁠

Inserida por MariadaPenhaBoina

Metamorfose por completude

Querer ser é humano
Ser per se stante
Não, é perjúrio introspecto

Professa com imprudência
valores internalizados
avivados de senso comum

Sem moral e com medo
ceifa a consciência
alivia a vergonha, silencia

Apartado de si e sem ser
não persuade
debalde luta pela plenitude

Certo da incompletude
metamorfoseia-se algures
abasta-se com qualquer ser

Inserida por MariadaPenhaBoina

A morte do amor

Para que o amor não fique insosso
Não dure somente uma canção
Não passe de uma paixão
Sou capaz de planejar anos e anos em solidão
Multiplicar tudo que for tangível
Segurança à união
Depois, concretar a alma e o coração
Alicerce para uma duradoura relação
Os desatinados não acreditam nisso
Acham que, se existe amor, mora-se até no lixo
Não existe amor que dure
Quando falta o tostão
Dói tanto outros órgãos do corpo
Que se esquece o coração
Morre a afeição.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Efêmera

Sou quem planta a planta dos pés
no fundo do rio das ariranhas
na poeira cósmica
no vértice do kilim

Nada me enaltece
nada me tortura
para cada sensação
revolvo as quimeras da infância

É volátil o voo da emoção
é como seguir os rastros que deixei
nas infinitas dunas em que caminhei

Todo elemento com o seu movimento
cada momento, enriquecimento
os meus fascínios, passatempos.

Inserida por MariadaPenhaBoina

À Hanna

Hanna possui milhares de "amigos"
tem a Tina, a Lene,
talvez a Celine, Dora e Deusa também
é interminável a lista, impossível falar de mais alguém

Hanna política, artista
toca flauta transversal erudita
em perfeita melodia
mas, somente quando lhe convém

Conheço Hanna de touca
com sorriso cativante e olhar meigo
não é lá boa boca

Hanna é bem do tipo
não é do ambiente boa bisca
joga cartas com o amigo do amigo
e tira proveitos disso

Hanna necessita de estar em evidência
como não tem lá muita inteligência
só faz pacto com a demência.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Saudade II

Sinto muita saudade
das mentiras que me contava
elas me divertiam mais que novas piadas
eu conseguia passar horas e horas a ouvi-las
eram por demais, engraçadas
eu engolia a satisfação, não ria.
Pode me chamar de louca
louca sempre fui um pouco
mas sabendo toda a verdade
e poder ouvir as estórias mais tresloucadas
durante anos a fio da sua boca
era fruição de graça.
Sinto muita saudade
saudade das sua mentiras.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Esquecimento

Não me lembro mais das aventuras que tive
O cheiro não chega mais com o soprar do vento
Tento através de um esforço hercúleo
relembrar dos sorrisos, dos gestos
e dos sons das palavras ditas
e não me lembro
Tentei eternizar o efêmero
foi a minha mais pura tolice
Nasci com inclinação para o imortal sentimento,
me traí, mas não me repreendo.

Inserida por MariadaPenhaBoina

O vazio do Jeca

Vai lá neguinha
esquentar os pezinhos
é a estação mais propícia
para tomar chá e tirar a cortiça
Vai lá neguinha
seja ao menos coadjuvante
para esse triste cenário
solitário, invernal
leve o seu calor no abraço
nem só de outono
vivem os palhaços.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Carnaval 2016

Carnaval, eita! como é bom
Samba no pé, pele suada
a rua, um cabaré
Eita!... como é bom
de um lado um beijo molhado
do outro, um desejo danado
e o coração zabumba bumba
no ritmo da canção
Eita! carnaval
overdose de pulsação.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Desequilíbrio

Eu não sabia onde estavam as fotografias
sempre me perguntava em que lugar estavam
eu não entendia a pergunta
eu não sabia sobre quais fotografias
Também me perguntava sobre o edifício
se tinha elevador ou era de escada
para mim não fazia sentido
esqueceu do meu grau de exigência
já não me conhecia
Eram questionamentos estranhos
sobre meus carros, trabalhos, números de assoalhas,
piscina, festas e alegrias...
mas, do meu eu, do meu interior
não queria saber nada
Através das perguntas insensatas
me subjulgava
como uma mandriona interesseira
eu já não valia nada
As minhas fotos sem filtro
meu rosto sem maquiagem
meu corpo não é malhado
e sem bronzeado
Minha vida é trabalho
meu espaço de lazer é tomado por livros
Como consequência, homeostasia
Só bem mais tarde eu entendi
que ele tinha outras fotografias
subia de escadas e nem era da própria casa
pois casa, já não possuía
seu carro uma lata velha desengonçada
seu trabalho acabou em nada
em festas não encontrava alegria
Tentou outras mulheres que me substituísse
as perguntas eram para as sua comparações
que tolice...
O que ele pretendia de mim se desacreditava?
O que vale a estética?
Vale um alto grau de entropia.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Na primeira oportunidade que tive em ter
segurei e tive
Tivesse tido antes, teria tido ainda mais que tive
Cultive o que sobrou daquilo que não obtive
me contive.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Pira

Pirado pela pira, suspira
Olhos fitos na pira
Deslumbrado, alucinado
pelo brilho da pira, pira
nem a pira na verga
verga o caipira
desvairado, deu o pira.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Alarico
"foi mau" não ter escutado
a experiência do seu pai
ele sempre lhe dizia
- tenha a sua única flor
que, para se ter muitas
tem que ser mais que um bom procriador
Aqui, Alarico, já é outono
mais um outono sem cor
Então, curta a sua primavera
comece deste agora, polinizar todas as flores
para que elas transmutem em glória
e façam a corte nas jarras de opulentos soberanos.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Astúcia 2001

O meu sentimento acabou
quando arremessei o cinzeiro de vidro
com veemência ao chão, estilhaçado
os cacos resvalaram em direção à janela
abrindo uma larga fenda
por onde escapou a minha dor.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Caruaru

Vamos benzinho
pro agreste nordestino
vamos pra Caruaru
dançar o forró agitado

Eu, com o meu vestido de chita floral rodado
e as madeixas enfeitadas
com as flores do mandacaru

Tu, chapéu de cangaceiro
fingindo sotaque maneiro
escondendo o forasteiro

Tomaremos goles de capeta
comeremos petiscos com cumari
empoeiraremos o terreiro

Para depois do cansaço, uma bela rede rendada
amparada nas paredes de taipa
de um velho bandoleiro.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Indício

Escrevo poesias sinistras
Para muitos sem sentido
Declamadas em falsete
Desespera o celerado.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Útil

Não sofra se uma dia compreender
o quanto é manipulado e usado
Absorva como mérito
por ser um idiota útil
A maioria dos seres humanos são idiotas
e passam a suas vidas
sem nada prover.

Inserida por MariadaPenhaBoina

O diálogo em 22/05/2016

O telefone toca pelas 14:11 horas, ligação privada
não atendi
O telefone toca pelas 14:13; 17:00 e 17:42 horas, ligação privada
não atendi
já havia uma ligação pelas 14:10, tinha o telefone marcado
não atendi, pois o telefone não toca, o número é bloqueado
Pelas 17:43 horas o telefone toca, ligação privada
atendi
- Alô
- Olá, como estás?
- Bem, e você?
- ...
- És um falsete
- Não estou entendo...
- Nunca entendes nada, nunca entendestes nada
- Não, nunca entendo nada, nunca entendi nada
O silêncio tomou conta e o telefonema terminou.
O telefone toca pelas 19:58 horas, ligação privada
atendi
- Alô
- Desculpa por estar a ligar-te
- Tudo bem...
- Achei que tivesses mudado
- Não, não mudei , continuo aqui no mesmo lugar
- É que sonhei contigo, achei que tivesse acontecido alguma coisa
- Não aconteceu nada, estou bem
Silêncio...
- Como foi o sonho?
- Sei lá, um gajo sonha de noite e quando acorda já não se lembra...
- Ok
- Não irei mais telefonar, não desejo perturbar a paz do seio familiar (ironia)
- Ok.
Será o que o pobre diabo queria?
Ah! Eu nunca entendo nada, nunca entendi nada.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Desgarrada

Observa como ela passa desatenta
sem pressa, sem lugar
vai, segue indo
É tudo lindo?
Já não vê
está sem rumo
não sente a vida
não tem destino.

Inserida por MariadaPenhaBoina

Poesia-me,
mesmo sendo xucro
ludibriado pelo sonho roto
transcreva, que seja escroto
abduzido e saudoso
meio vivo, meio fogoso
poesia-me.

Inserida por MariadaPenhaBoina