Voce a Luz do meu Viver
No meu peito eclode solar,
Um mistério brilha o olhar,
Longe de tudo e do mundo,
É floração casta a desabrochar.
Livre do despautério alheio,
É leveza de ser e de viver,
É certeza de amar e querer,
É fortaleza sem tabu e receio.
Como é bom te rever no seio,
Revelado melhor ainda será:
amíúde e bem devagar
Sem pressa de nos desfrutar.
Nada ameaça a primavera,
Mesmo aquela adormecida,
- É primavera tímida,
Delicada, poética e dourada.
Livre como um passarinho,
O coração sem noção de perigo,
- Pedindo carinho e abrigo.
Suave como uma borboleta,
O coração segue a mística,
Sempre com certeza crística.
Sinceras centelhas de luz,
Poesias de minha coragem,
Que levam ao mundo beleza,
E dão sentido à paisagem,
Flutuam, vão e e nos veem;
Frutos dessa minha fantasia
Carinhosa e estrondosa,
- acólita e recólita
Crente e indecifrável,
Coisa de quem escreve para si,
- sonhando viver para ti
Divagações amenas, apenas.
Tenho no Filho a minha certeza
De sempre e tanto
Todo o meu maior amor
E todo encanto
Repleto de serenidade, e entrega.
Crendo sempre na caridade
Orante e expansiva,
Ela nos perfuma e nos dá liberdade,
É missão até na clausura,
Verdade que se perpetua,
E dá o tom de plena felicidade,
E nos coloca nos degraus de santidade.
Tenho no Pai a minha direção
Atemporal e atenta
Ao apelo desse amor
Que me chama
Ao serviço de realizar
Uma passagem serena.
O recolhimento é paradoxal
Diante do olhar
Dos que o chamam de descontentamento;
Ele é contentamento espiritual,
É chamamento a experiência
- anônima -
De oração e sentimento.
Tenho no Espírito Santo, sempre
A minha inspiração
- todo o meu canto -
Secretíssimo,
Sacratíssimo,
E verdadeiro;
Por todos os amores
Pelos espinhos e dores
Estou solicita a te servir eternamente.
A cada sorriso teu,
A cada olhar meu,
O céu reverencia,
Amar é rebeldia,
O amor tudo muda,
Nos deixa mudos,
Bom ouvintes,
E melhor observadores...,
É próprio dos amantes
Ter esse tipo de comportamento:
Enxergar no corpo do outro o rio
cristalino e se ver no reflexo dele.
Só o prazer do outro satisfaz,
A fome do outro é audaz,
Tudo sempre surprende,
Tudo muda, brinda, liga,
- e nos religa
Celebrando a vida,
O dia fica mais belo,
A tarde vira audaciosa,
A noite mais brilhante,
Ninguém sabe um terço,
Do que o amor é capaz
De fazer e de revolucionar.
Caminho com o meu tato
Pelo teu corpo,
Como quem caminha
Por uma estrada rural,
Experimentando o teu perfume
Campesino e sensual,
Cheiro de capim-limão
Que inunda o meu coração,
E pertence ao meu olfato,
- fato -
Consumado, escrito e confirmado,
- celebrado
Provocaste-me com o teu jeito de mato.
Não tenha receio
- do destino
E nem de escrevê-lo,
Observe o caminho,
Este é o meu pedido!
Celebram e revoam,
Sob o céu colorido,
E sobre o mar de chumbo,
Assim são os pássaros,
Livres como o teu amor,
Que é o maior do mundo.
Os teus dedos tocam
A Lua e a estrela;
Paciência de esteta,
Que ama com beleza,
E refinada cadência.
As areias seguem o curso,
Somos como elas,
Temos leveza, e pertença
O receio não nos pertence;
Só exclusivamente o perene.
Os teus lábios macios,
Intensos e atrevidos,
Doces e quentes,
Não meteóricos,
Etéreos e atraentes.
Esbanjando essa fascinação,
Airosa sideração,
Não menos dispersa,
Encantamento de quem guarda
Para dois amantes:
o cálice da paixão.
Tenho em ti o meu [atalho,
Tu és o meu orvalho,
Namoro o teu eu inteiro,
Cruzaste o meu [caminho.
Tenho a sina de
[adorar-te,
Encontrando em cada sinal,
Só a tua amante presença,
E como poeta
[desbravar-te.
A poesia senda e claustro,
De talvez nunca ser
[reconhecida,
Poesia sem livro,
Poesia sem dono,
Que corre o risco de ser
[roubada.
Tenho o principal: a [fé.
Misturada as minhas letras,
Que segue erguida sempre;
- corajosa e a [pé.
Tenho o espaço [aberto,
Para esse futuro [incerto,
Esse talvez [concreto,
De um viver [repleto,
Amando [silenciosamente,
Um amor que não sai da [mente,
E do coração, mas que persiste
De sempre seguir em [frente...
O meu olhar errante te procura,
A minh'alma paira sobre a duna,
Sussurro ao vento:
- Sou tua, tua, tua...
Cada sílaba semitonada flutua,
- perfuma
Transformando-se em música,
Louva, comove e se curva,
- em reverência
Ao Sol que se retira ao leito,
E pela noite que vem chegando,
Tingindo o céu delicadamente,
Com a cor lilás das alfazemas,
Despertando triunfal contentamento,
De atinar-me desse teu amor sedento.
E agora? Eu te desafio...
Entre o espaço e o tempo,
Perco-me entre os dois,
O meu nome é pensamento,
Muito é o prazer!
De vencer cada um deles,
- um grande desafio -
Que julgam ser um desatino,
- Um brinde ao desafio! -
E agora? Eu me apoio...
A vida de pernas para o ar,
Imito-a, enfrento-a,
O meu nome é bravura,
Eu sou atleta!
Dessas letras, e das que virão,
Eu sou poeta!
Do olhar ao clique,
- uso a minha sensibilidade -
Enfrento o julgamento,
- Esforçando-me ao máximo!-
E agora? Eu reafirmo...
Tentando alcançar as estrelas,
Mergulhando na tua alma,
O meu nome é desafio,
Ouso, nada sublimo,
Guerreio, enfrento,
Carinhosamente alento,
Sou feita de audácia e arrepio,
Venço os obstáculos, eu os desafio...
Escutei a tua voz saudosa
Tão modulada e clamorosa
O coração saltou pela boca
Apurou o meu paladar
Deu saudades das tuas prosas
E eu atenta a te escutar
Essa tua voz saída do fundo
Lá da garganta do coração
Colocou-me em flutuação
Se for pedir demais
Faça mesmo assim
Misture a tua pele morena
Com a minha cor de marfim
Já sabemos naquilo que resultará
No nosso amor gostoso, enfim.
Lírios amarelos enfeitavam
O jardim ao redor da guarda
O Lusitano exibindo o trote
O amor voltando a galope.
Vejo os rochedos
O pico iluminado
Tudo voltando a brilhar
Você voltando de vez para ficar.
A meu ver não é apenas um sino,
Espia! Existe outro ao lado,
É verdade, que são dois sinos,
Sinos são vozes feitas para escutar,
São vozes anunciadoras do tempo,
Sabem ao seu jeito dar o recado,
- e a escuta despertar
Assim anunciam os sinos,
Que daqui para frente vou contigo.
Seguirei para Isla Negra,
Para qualquer lugar,
Desde que eu volte
- sempre -
para a casa do poeta.
Haja visto, de que a moça
- admirável -
e que ele gosta,
- sou eu
Por uns passou desapercebido,
Que o nosso amor chegou
é despercebido,
Faz parte, foi por obra do destino,
- destarte
O amor hoje é fruto ainda proibido.
A meu ver o tempo sempre inflige,
A pena dessa espera,
A espera sempre vale a pena.
Os sinos sinalizam, abrem a alma
Para aprender a ter calma,
- e se concentrar
No tempo que tem o seu próprio tempo,
Espera com paciência,
Que a oportunidade irá chegar.
Como se não houvesse o amanhã,
Pedi um pouco da tua atenção.
Vem, vem, vem, meu amor,
Só um pouco da tua atenção,
Para abandonar a ideia vã
de que não me tens no coração.
O teu carinho é como o solzinho
de verão se despedindo da tarde,
do canal de Barra do Sul
O teu jeito de ser faz iluminar,
e torna sempre o mundo ainda
mais azul...
A tua atenção sempre chega
em boa hora,
- tens a ternura de quem te
namora
E o amor de quem escreve
sobre o poente e a aurora.
Portanto, meu amor, não
vá embora, daqui a pouco
já será de noitinha...
Farei-te insinuações e as
melhores carícias até de
manhãzinha...
O Nordeste tem um feitiço
Que mexe com o meu juízo
Não penso em outra coisa
Eu vou para João Pessoa
Você não apareceu à toa
Vou te amar de um jeito
Gonzaguianamente especial
Porque com ele eu aprendi
Que posso ir além do xote
E do xeiro no cangote
Posso te furtar um beijo
E aumentar o teu desejo
Só quero, só penso, não nego
Que quero o teu beijo roubar
Sonho com os olhos abertos
Rezo com os olhos fechados
Estou querendo te namorar
Vou te amar arretadamente
Que só a sanfona dá conta
Do nosso forró especialmente
Que vai além da mente
Sacodindo o corpo e o coração
Capaz de fazer chover no Sertão
E inundar o mundo inteiro com paixão
Devagar pela
minha rua
porque o meu
tornozelo
ainda me exige,
e não posso
mais ir longe.
Ah, ao menos
os verdes morros
me fazem tranquila!
Venho assim
sentindo os efeitos
da queda,
e da temperatura.
Ah, como essa
Humanidade
anda estúpida!
Dessa maneira
e todos os dias
venho nutrindo
a utopia de salvar
a mim mesma
e de quem da
salvação precisar.
É dos pássaros
que tenho a melodia
para musicar
e condensar a poesia.
Felinamente escalaste o meu corpo
E bateste abrindo a porta do meu coração,
Explorando o bom dos teus miados
Maliciosos com os meus afetos delicados.
Pegaste este coração desprevenido
E agora deixando-o partido,
Presenteando com um silêncio imerecido
Este mal feito jamais será esquecido.
Não duvide disso,
O afeto foi enorme, e você desperdiçou;
Deixando tons e ritmos de saudades
Ainda que não fomos além do que foi dito.
Ainda eu tenho a chance de ser feliz
Eu hei de encontrar um amor mais bonito,
Que faça valer cada verso escrito
Construindo comigo um caminho para o amor infinito.
Perco-me de tanto contentamento,
Entre o teu aroma e o meu,
Doce confusão,
Que só faz bem ao coração...
Encontro-me com você,
Escondo-me de você,
Para ocultar a paixão,
Faz parte da dança da sedução.
Venero o que vem de você,
Arrumo cada significado,
Dou à entender,
Que o meu respirar é apaixonado.
Sim, o meu respirar e todo o meu ser,
Namoram o que vem de você,
Até debaixo d'água,
Não deixo lembrar o meu pertencer.
Frondosa como uma árvore em floração,
É o nosso amor brotado em chama,
Nascido de versos,
Vamos além da cama - assim espero.
Bate poeticamente o sentimento,
Entre o teu e o meu,
Doce manifestação,
Que bom que o amor nasceu!...
Não consigo disfarçar
mais o meu sorriso,
Resolvi dar tom e forma
ao meu plano,
De te amar sem engano
e sem disfarce;
Porque é lindo o lábaro,
que emana de ti.
Respiro esse teu aroma
bárbaro e joaquino,
Maravilhosa e vana é a glória
de fazer-te(admirado).
Por presunção secreta
de que estás (apaixonado);
Entregue-se para mim,
que serás bem cuidado.
Não consigo parar,
de pensar em você,
Todo o dia é poeticamente
arquitetado,
Quero ser infinitamente tua - inteira;
E fazê-lo amoroso da forma mais perfeita, assumindo publicamente que estás enfeitiçado pelos poemas que são certezas.
Há duas metades e inteirezas
que formam uma ilha,
sabemos ser um mar de rosas
e mil carícias,
Há um desejo de exibir
ao mundo que nos amamos.
Desejamos matar os corações alheios de
- inveja e despeito -
Todo o dia sempre é perfeito:
para fortalecemos que nascemos
um para o outro;
E ainda bem mais do que isso:
não tem mais jeito,
(nós formamos o par perfeito).
Tenho os teus braços para me abraçar,
- eu conheço o meu lugar
Escolhi o teu peito para morar
- tenho as tuas mãos para sassaricar
Beijos em cascata para a gente se amar,
- escolhi você para adorar
Tens o sabor da liberdade,
- a tua ausência me deixa
No desamparo da eternidade
Não domino mais a minha vontade.
Sem você ficou louca de saudade
Porque encontrei em você,
O primeiro elogio ousado
Que deixou o meu [coração animado],
- resolvi tentar amar novamente
Não consigo mais dormir
Sem receber ao menos um beijo quente,
- não existe nada mais
Que me interesse mais que o seu jeito
De ousar e o teu ponto H,
Sonho dia e noite
Que um dia você chegará para ficar,
Escolhi para te amar meu doce pecado.
O quê me importa é que tenho
Os teu lábios para beijar,
- lábios com sabor de quem comigo não está,
Um corpo manso para inquietar,
- um coração para cuidar
Ainda hei de fazê-lo se apaixonar
- fico doida esperando
Para você me procurar,
Se apresse, não perca tempo!...
Aqui é o teu lugar,
- escolhi ser tua,
E não é preciso mais dizer:
- Que agora só depende de você!
Talvez não me leve a sério
Porque escrevo poemas escancarados,
Mas esse é o meu jeito de aparecer
É o jeito que encontrei para dizer:
- O quanto nasci para amar você!
O meu sentido poético
É muito [apaixonado],
É o meu coração sempre
Querendo te deixar fortificado.
Faço questão de te apresentar o meu advogado:
- Dr. Carlos Drummond de Andrade, o poeta.
É com ele que aprendi a te acusar porque
em mim deixaste cravada a saudade.
Não posso fazer nada se o teu relógio
quebraste, e foste embora por qualquer
doido motivo - deixando o meu coração
bem doído (e contrito).
Pegaste o melhor do meu coração,
E partiste fugidio.
Sim, acuso-te com esses versos vivos,
Versos repletos de momentos sentidos,
Acuso-te porque você merece,
E o meu coração por ti partiu-se,
Escrevo com o pedaço finito,
que por ti padece.
Acorda, revive e percebe,
Que este coração é só teu,
Sempre pedi aos céus que
fostes meu,
Desconfio que você me esqueceu.
Cobro, redobro a cobrança da presença
que você me acostumou,
- e cobro ainda mais o amor que sempre prometeu.
Ao caminhares iluminado pelos primeiros raios de sol,
- sentirás a presença do meu coração girassol
E lembrarás de mim ao avistares o canteiro
Das flores mais púrpuras e lilazes,
- seguirás no parque caminhando e levando de nós
os momentos mais audazes.
Em profundo espírito de oração,
Olho para o céu perguntando:
- Foste tu o meu coração?
Ao menos estás aqui dentro,
Um bom motivo para fazer
Companhia para a sombra,
poesia e água fresca.
É um alento trazer-te para cá,
Só a poesia que é que me concede
Tal possibilidade embalada nessa rede,
E escrevendo uma prosa
de que tem sede e morre de amores.
Pode ser que sim, pode ser que não,
Se [realmente] foste tu
O meu coração, você está aqui
embalado por verso, poema e canção.
Hoje mesmo sem ter você por perto,
Tenho um balneário como companhia,
Viverei grande como a poesia do mar,
Navegando nas letras e agarrada
aos cometas - descobrindo o quê é amar
- sozinha -
Minh'alma não te alcança, confesso,
Não te alcança por continuar em lira
Para talvez embalar outros versos,
e amores que sequer foram descobertos.
Talvez o exílio do amor seja a missão,
para os poetas emplacarem com paixão,
e mexerem com toda essa gente
que foge até da emoção,
gente que finge que não sente,
e finge até que não é gente!...
Talvez você sequer tenha me desejado,
sinto por não tê-lo feito apaixonado.
Portanto, amor, mesmo que você não
fique do meu lado, e encontre outro
amor: continuarei escrevendo para você
não se esquecer que um dia alguém nessa
vida te escolheu para viver-te como amor.
Tens nas mãos as carícias plenas,
O meu corpo flamejante,
E a minha boca pedindo pela tua boca,
Por mim e por ti, vou escrevendo
versos de natureza atentatória.
O amor nutre os dias da mulher
Com paixão e graça,
E organizando o coração;
Ele não deixa de ser
Uma sanidade louca,
E vera fonte de prazer.
A onipotência com que me ocupas
Faz com que eu rejeite qualquer
- roupa -
Para que eu viva vestida
De canção poema iluminada
Pelo teu semblante.
Não importa o quê desejas de mim,
Sou uma alma em liberdade,
Que busca viver a vida rejeitando
A parte ilusória - a poesia me faz companhia;
E com ela escreverei a nossa história.
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