Voar como um Passaro Ate seu Coracao
Para cada fingidor de suas ações existe um bajulador para que elas sejas vistas como excelente, pena que ficam apenas como status quando a realidade deveria ser bem diferente.
Desculpa o Auê
Ela invadiu minha vida como um furacão, sem aviso, sem pedir licença. Era do tipo que falava alto, gesticulava demais e ria com a força de quem carregava o mundo no peito, mas preferia gargalhar a chorar. Eu, acostumado ao meu canto ordenado e silencioso, fui pego de surpresa pela tempestade que ela trazia.
“Desculpa o auê”, ela dizia, toda vez que derrubava um copo, esquecia uma blusa jogada no sofá ou começava uma discussão no meio do nada. Mas não era de verdade uma desculpa. No fundo, ela sabia que o caos dela tinha se tornado meu combustível.
Era nos tropeços dela que eu encontrava graça, e nos excessos que eu descobria o sabor da vida. Ela me tirava do meu eixo, me fazia perder a paciência e, ainda assim, eu ansiava pelo próximo “auê” que ela provocaria.
“Desculpa o auê”, ela repetiu, sorrindo de canto, quando esbarrou na minha prateleira de livros e derrubou tudo no chão. E ali, enquanto recolhíamos páginas espalhadas, percebi que aquele tumulto dela tinha organizado algo em mim: meu coração, antes tão metódico, agora pulsava fora de ritmo, mas mais vivo do que nunca.
“Não precisa pedir desculpas”, eu disse. “O auê já é parte de mim.”
As Dores que Escolhi Carregar
Dizia que me amava, mas amava como quem repete um verso decorado, sem sentir o peso das palavras. Amava a ideia de me amar, mas não a mim. Porque, na prática, eu me deixava para depois. Quando choveu, encarei as gotas sem guarda-chuva, aceitando o frio como se meu corpo não merecesse abrigo. Quando a febre me queimou, deixei que ela ardesse, porque gastar com remédio parecia um capricho supérfluo.
E os sapatos que me feriam? Caminhei com eles, como quem carrega um fardo invisível, fingindo que a dor era pequena. Porque, no fundo, acreditava que suportar as feridas fazia parte de existir, fazia parte de ser eu.
Mas o que mais me machucava não era a febre, nem os sapatos. Era o silêncio que guardava quando alguém me feria. Eu calava e, pior, tentava compreender. Tentava justificar os golpes que recebia, como se fosse justo aceitar ofensas, palavras ríspidas e gestos que me cortavam. Perdoava antes mesmo que me pedissem perdão, carregando culpas que nunca foram minhas, tornando-me um depósito para dores que não me pertenciam.
Hoje, olhando meu reflexo, não vejo apenas um rosto marcado pelo tempo. Vejo uma pergunta que ecoa: o que é, afinal, esse amor que digo ter por mim mesmo? Será que amar-me é só esse hábito vazio, essa rotina de sobrevivência? Ou será que amar-me é algo maior, mais profundo?
Talvez amar-me seja o gesto simples de abrir o guarda-chuva na tempestade, de trocar os sapatos que me machucam, de tratar minhas feridas com o cuidado que sempre ofereci ao mundo. Talvez seja entender que minha dor também importa, que meu coração merece repouso, e que o amor que dou ao outro só tem valor se primeiro eu souber oferecê-lo a mim mesmo.
Se for isso, amar-me será um desafio diário. Uma escolha nova a cada manhã. Mas é uma escolha que preciso fazer, porque percebo agora: não sou terreno de passagem para o peso alheio. Sou uma casa que merece abrigo, uma estrada que também precisa de cuidado. Amar-me, enfim, é aceitar que eu não fui feito para ser silêncio, mas para ser inteiro.
Quando a angústia vier como um trovão,
E o céu pesar no peito em noite escura,
Erguerei minhas mãos em oração,
Pois sei que a Tua glória me assegura.
Não calarei meu canto em meio ao medo,
Nem cederei ao ódio ou à pressão.
Teu nome é torre forte em meu degredo,
Rocha que firma a minha decisão.
Se tudo se perder, Tu és constante,
Se tudo for tirado, ainda és fiel.
No vale ou sobre o monte, és meu bastante,
Te exalto com louvor, não com papel.
Se a luz tardar, lutamos adorando,
Pois és o Deus que sempre vem chegando.
Quem disse que não lembro?!
É impossível não lembrar, pois ainda ecoa como se fosse um enjoativo refrão.
Lembro-me dos desaforos diários e de cada dose de humilhação.
Lembro-me das rasteiras silenciosas que me deixaram no chão.
Lembro-me do caminho desértico sem nenhuma proteção.
Lembro-me que consegui levantar e até escalar uma montanha chamada SUPERAÇÃO.
Ô Senhor, tenha misericórdia de mim.
Deixei me levar pela ilusão desse mundo como um animal asno e selvagem. Andei como uma criança querendo conhecer o que o mundo tinha pra oferecer.
Pai, o pior de tudo não foi isto, mas sim o pecado de trocar o Senhor pelo o inimigo, o pecado da castidade e os caminhos tortuosos que não te agradavam.
Ô meu SENHOR tenha piedade de mim meu Pai, me perdoa por favor. Isso me consome tanto! Que sentimento de culpa que sinto por fazer essas escolhas. Sinto muito. Sei que paguei altos preços por essas escolhas malditas. Fiquei preso num buraco sozinho, numa solidão deixando o mau acabar com minha vida.
E não so isso bastou para que eu mudasse meu caráter de mal para pior. Puxei outros filhos seus, pro mesmo buraco onde eu já estava! Só para preencher um vazio, que me preenchia somente por alguns instantes, instantes suficiente para afundar mais ainda esse buraco, até chegar no fundo dele, cavando até encontrar o fim de quem andavam comigo.
Ô SENHOR tenha piedade de mim, me tira esse fardo por favor. Me faça entender que o caminho é outro porquê já Não aguento mais isso pra minha VIDA.
Como isso me dói meu pai.
Salmo da minha semente
Como podes desejar ganhar um espelho se você fura seus olhos para não poder mais se enxergar?
Como podes querer ganhar o céu se apenas olhas para baixo?
Como podes conquistar a vitória se você apenas caminha em direção a derrota?
Insensatez é também tomar direções opostas ao que realmente queres e te faz bem.
A vida não tem uma borracha onde se apaga as atitudes, e como um lápis também não dura para sempre.
As vezes não precisa rugir como um leão, mas correr como um leopardo e se esconder como uma lagartixa.
O poder é algo assim como um sonho, se for transparente te trás tranquilidade e se for pesadelo te trás a maldade.
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