Viver e Nao se Preocupar com o Futuro

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A aerodinâmica é para os fracassados que não sabem fazer motores.

Cieumenta?! sim , talvez. Mas nao teria ciúmes se nao tivesse me dado motivos!!

Que a vida seja feita de momentos que durem
e não apenas de “momentos”.
Que tudo se realize de acordo com suas vontades e verdades,
não como o sistema lhe oferecer.
Que tudo seja lindo ainda que triste.
Seja claro ainda que escuro.
Que os olhos de sua alma vejam além.
Que seu sorriso possa transbordar a felicidade de um choro.
Que sua face revele o doce e o amargo.
Que perca até sua ultima moeda.
Que o gelo te aqueça. Que resfrie.
Que teu perfume exale mesmo como incomodo.
Que teus dedos possam tocar o intocável.
Que visite o espaço mantendo-se no chão.
Que o circo pegue fogo quando o palhaço rir.
Que possa chover no seu dia de sol.
Que seja triste e seja alegre, seja doce, seja amargo,
seja frio, seja quente, normal ou inesquecível.
O importante é que as lagrimas sejam sempre
com o propósito de gravar a sua existência.
E o sorriso apenas assinar embaixo.

A sua memória é um monstro; você esquece, ela não. Ela é invocada pela sua própria vontade. Você acha que tem uma memória, mas é ela que te tem.

MULHER NÃO É OBJETO - POR (FdePaula P Costa)
Mulher não é vassoura pra usar quando quiser.

Mulher não é tapete pra você limpar o seu pé..

Mulher não é geladeira pra você deixar trancada.
E vir procurar ela quando quer água gelada

Mulher não é botijão pra ta casada com o fogão..

Não é seu guardanapo pra você limpar a mão.

Muito menos sua cachaça de provar e jogar no chão.

Mulher não é sua cama pra você deitar e rolar..

Então respeita ela e para de lhe maltratar

Não é um endereço pra você apontar o dedo, e dizer que é perigoso só pra ela sentir medo..

Não é saco de pancada pra você ficar treinando.

Ou você se acha o tal enquanto ela está chorando..

Não é sua sandália pra você ficar pisando...

E nem seu mega fone pra você ficar gritando....

Mulher é joia rara eu acho bom ficar esperto, trata ela como dama e não como objeto..

Mulher não é quebra mola pra você passar por cima..

E nem montanha russa pra te dar adrenalina...

Não é o seu parquinho pra você se divertir..

E não é obrigada a ter que sorrir pra ti..

Não é liquidação pra ti pegar e sair correndo...

Também não é buzão pra dar sinal, e cair pra dentro..

Não é ventilador pra tá girando ao seu redor...

Se não ta dando certo deixa ela e fique só.

Você não pode agredir-la e faça disso uma lembrança..

Tô cansado de ver corpo de mulher em ambulância...

Quebrada, violentada, agredida, esquartejada

Por um bando de canalhas que pra mim não valem nada.⁠⁠⁠⁠..

Te amo
Te odeio
Te venero
Te desprezo
Isso
Resume
O que sinto
Por você
Não estamos
Ligados
Já há algum
Tempo
E isso
É como
Veneno
Que mata
Aos poucos
Se fosse
Pra morrer
Deste jeito
Preferia
Ter ficado
Com você.

“Não sou mais aquela adolescente desesperada por atenção e algum tipo de afeto. Eu cresci e meu pensamento amadureceu. Não mereço uma pessoa que não sabe o que quer. Mereço certezas. Mereço que seja recíproco. Não quero alguém que me bajule o tempo todo. Não precisa abrir porta de carro, oferecer diamantes, pagar o jantar. Só precisa ser sincero. E real. E, principalmente, se entregar por inteiro. Porque não estou aqui para receber metade de nada. “

Senta aqui!
Não tenha tanta pressa
Senta aqui!
Porque toda essa angústia?
Não fique aí tão quieta
Quebra o teu silêncio
Se abre comigo...

Ei! Senta aqui!
Não fique assim tão tensa
Senta aqui!
Eu sei que você pensa
Que ela me incomoda
Mas pode ter certeza
Que eu te quero...

Eu sei que não é tão fácil
Me amar assim
Com toda segurança
Num recomeço
Com o tempo você vai sentir
Que as suas dúvidas
Irão sumindo aos poucos
Será melhor prá nós
Será melhor prá nós...

Senta aqui!
Não jogue tudo fora
Senta aqui!
Confia em mim agora
Não fique aí pensando
Juntos acharemos um caminho...

Eu sei que não é tão fácil
Me amar assim
Com toda segurança
Num recomeço
Com o tempo você vai sentir
Que as suas dúvidas
Irão sumindo aos poucos
Será melhor prá nós...

Agora dá um sorriso
E vem prá cá
A gente já brigou demais
Por essas coisas
Vem me dá uma força
Porque eu te amo
Eu sei que não é tão simples
Só o tempo vai dizer
Só o tempo vai dizer...

Senta aqui!
Vem me dá um sorriso
Senta aqui!

MENTIRAS

Meu amor, preciso te falar, você mentiu para mim, me contou mentiras que não sei como pode;
Me disse que não era boa com palavras, mas seu “eu te amo” carrega as mais belas poesias de amor; Disse que não sabia demonstrar seu afeto, mas no profundo do teu olhar me afogo em seu amor;
Me disse que não era perfeita, mas não vejo falhas, o que são erros quando se tem esse belo sorriso?

Seja honesta comigo, o que tem em seu toque que causa tantos arrepios por todo o meu corpo?
Me fale a verdade, que brilho é esse que você possui que quando eu te vejo fico hipnotizado?
Me disse para não procurar conforto em você, mas é em seus braços que eu consigo descansar;
Você me disse que eu não te suportaria, mas como não se não consigo ficar sem sua presença?

Você tem uma voz suave que acalma, como escudo perto de ti a dor do mundo não me ataca;
Me disse que eu era seu ponto de paz, mas sou eu que sinto paz quando sinto seu beijo;
Se estou com você todo dia é feriado, quando não estamos juntos até sábado parece uma segunda;
Deus caprichou quando te criou, difícil acreditar alguém com tal beleza seja a exterior ou a interior;

Não sei o que há em você que não consigo explicar, te acho bela em qualquer tempo ou história;
Você me faz sentir como se fosse verão mesmo no inverno, o que é frio diante de todo o seu calor?
Você é festa em meus dias de luto, e quando não me acho suficiente você completa com o seu amor;
Quando estou com você não exite solidão, você é a personificação de todos os bons sentimentos;


Não sei como consegue, você é a minha fraqueza, mas quando segura minha mão sou mais forte;
Se não me deixar sozinho, prometo te amar mesmo diante de toda adversidade, você é o meu amor;
Meu amor preciso te falar, você mentiu para mim, mas essas mentiras eu aceito de bom grado.
Diante de você eu não tenho palavras, por isso todo meu amor são palavras e atitudes, eu te amo.

Além de sermos otimistas temos que ser realistas, pessoas realistas não perdem tempo com decepções

Desculpe-me se os pensamentos são críticos, a sinceridade não me deixa domá-los.

TALVEZ EU NÃO SEJA DO TIPO NAMORÁVEL

Cansei de jogar a culpa nos outros, a verdade é que eu não sou uma pessoa fácil. Demoro para ser cativado, tenho dificuldades para perdoar mentiras e minha sinceridade quase sempre afasta as pessoas de mim. Quando as pessoas falam “eu te amo” na primeira semana eu fico com o pé atrás pensando: “de duas uma, ou ta falando isso só para ver se eu vou dizer se também amo, ou de fato não deve dar o mesmo valor que dou para um eu te amo”, enfim... Ando meio cético no terreno dos sentimentos e tenho desenvolvido o péssimo hábito defensivo de querer descobrir primeiro o defeito das pessoas, na tentativa frustrada de depois não ser surpreendido. E sabe o que eu descobri com tudo isso? O óbvio: que ninguém é perfeito, que todo mundo tem defeitos e que se procurarmos motivos para não ficar com alguém, sempre vamos encontrar vários. E em meio a qualidades e defeitos de pessoas que eu mal conheço, eu me pergunto: “Será que eu conseguiria conviver com isso a longo prazo?”, “Será que com o tempo essa pessoa vai continuar a sorrir quando eu contar as minhas piadas sem graça?” “Será que se eu não ligar, ela vai me ligar?”, “E se eu ligar? Como eu vou saber se ela teria me ligado?”,”Como poderei saber se sou ou não indiferente pra ela?”. No fundo, eu sei que todo esse questionário se resume a uma palavra: medo. É o velho medo de sofrer... Existe uma frase do Paulo Coelho (eu nunca pensei que um dia fosse citar Paulo Coelho, mas esta frase é realmente muito sábia), que diz: “O medo de sofrer é pior que o próprio sofrimento”. E mesmo sabendo disso, a gente continua a temer. Afinal, é natural ter medo de andar em labirintos, depois que se descobre que existem armadilhas nele. Antes disso a gente anda no labirinto e mesmo não sabendo para onde estamos indo, não nos sentimos perdidos. Engraçado essas coisa, né?! E levando em consideração as minhas feridas abertas, meu traumas, medos e fantasmas eu cheguei a conclusão que talvez eu não seja do tipo namorável, mesmo que uma outra parte de mim discorde, a parte racional é a quem escreve agora. E eu queria poder dar voz a minha outra parte, aquela que só quer um pretexto para por meu lado romântico em prática, mas isso me torna tão vulnerável... Sabe, a gente se abre, a gente acredita, a gente sonha e depois quando as coisas não dão certo, damos um jeito de nos culpar por isso. Mas é besteira esse lance de se culpar por acreditar, porque agora vejo que bem pior do que se culpar por ter acreditado em algo que não deu certo é não conseguir acreditar mais em nada. É... Talvez eu não seja do tipo namorável, talvez eu deva dar um tempo das pessoas, ou admitir que eu sou um solteiro convicto. Mas a verdade é que eu não sou, e por mais que eu queira convencer meu lado racional disso eu não consigo. Porque quando meu Eu racional diz “talvez eu não seja do tipo namorável” o meu Eu emocional responde em um lonnnnnnnnngo e pesado silêncio, e mesmo sem proferir uma única palavra, neste silêncio impossível de ignorar, é como se ele dissesse: “hey, eu ainda estou aqui viu?!”. Talvez eu não seja do tipo namorável, mas talvez eu seja mais do que aquilo que o meu racional diz. Talvez eu seja até um sonhador, um bipolar, um lunático, um romântico, talvez eu seja a minha ultima esperança.

não existe par perfeito, existem sim pessoas que se esforçam para permanecerem juntas.

A amizade não é demonstrada quanto estamos perto, mas é manifestada mesmo quando estamos distantes.

Se acaso me faltar coragem pra seguir em frente, eu volto pra trás,não por covardia, mas pra ter mais tempo de aprender a ir mais longe!

A maioria das pessoas finge não ligar pra opinião alheia, e você realmente não dá a mínima.

Wandinha (série)
1ª temporada, episódio 8.

Não sou uma pessoa legal. E o problema é que não tenho mais 13 anos.

Não quis te apagar, mas também não quis te recordar. Você me dói de tantos jeitos …

Eu sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia desde o início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era tanto, que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor, entender um amor, tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase pediu, me deixe. Ora, pra que me enganar: você realmente pediu, sem pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare em como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia em que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde em que ainda nem tínhamos iniciado nada e eu já amadurecia o fim, e assim foi durante os dois anos em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto, me preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando que isso era maturidade. Que idiota eu sou, o que é que amadureci?
Nada, nem a mim mesma, jamais deixei de ter 10 anos, nem quando tive 30, nem quando fiz 40. Nunca tive idade, ela de nada me serviu, ser lúcida sempre foi apenas uma maneira de parecer elegante, uma estratégia para a convivência. Você lembra como eu chorei aquela noite, lembra do fim, você não pode ter esquecido aquela cena, entramos em casa sem acender as luzes, você olhando para fora da janela enquanto eu derramava toda a minha frustração e meu desespero, como se a culpa fosse minha e não sua, ou fosse sua e não minha, como se existisse culpa para o término de um relacionamento que simplesmente não tinha mais combustível, nem mais estrada. Faz quanto tempo desde aquela cena? Eu consigo enxergá-la por vários ângulos, vejo você de costas pra mim, parecia um soldado, tão ereto, em vigília de si mesmo, querendo saltar do terceiro andar, sair sem precisar passar pela porta, sem passar pelo adeus, e eu, curvada, amparada em algum móvel, demolida, e então, na cena seguinte, nós de frente um para o outro, mas com as cabeças abaixadas, você não queria ver meu rosto, e eu estava espantada com o seu, tão sereno, aliviado, quanto tempo faz, 15 minutos, vinte minutos desde que você saiu aqui de casa? Eu ainda estava quieta agora há pouco, eu ainda estava sem pensar e sem sentir, de repente me deu uma calma, nenhuma desgraça aconteceu, você desceu pelas escadas, eu fechei a porta do apartamento e não chorei mais, eu vi pela janela o seu carro saindo da garagem e não chorei, eu fui para o banheiro escovar os dentes, acho que escovei os dentes, não lembro, e botei uma camisola e fui pra cama e não chorei, não pensei, não senti, não chorei, entendi, não entendi, não pensei, não sei, acho que dormi.

Você não ligaria no dia seguinte, era domingo, fui até a cozinha lavar a louça, mas não havia louça para lavar, o combinado era jantarmos fora na noite anterior, não jantamos, ninguém se alimentou, quanto tempo faz desde aquela noite, parece um século, foi ontem. Decidi seguir a rotina: o que eu fazia aos domingos de manhã? Eu caminhava, eu ia ao parque, então caminharei, mas falta você, coloquei o tênis, saí a pé de casa, falta você e não falta, o estrondo está diminuindo, o barulho cessou, será que eu já percebo o acidente? Dou uma volta no parque, duas voltas, três voltas, você não virá aqui me ver? Volto. Telefono pra minha mãe, não telefono pra você, conto pra ela que acabamos, meu relato é muito coerente, ela lamenta mais ou menos, já ouviu eu contar essa história antes, somos reincidentes em finais, mas agora é pra valer, quem me acredita? Eu não me acredito, mas agora não te quero mesmo, e eu já ouvi isso antes, de você, de mim, agora não tem mais volta – dei tantas voltas no parque, é tão ridículo caminhar pra lugar nenhum, para quem vou ficar magra e saudável? E voltei a dizer: não, mãe, acabou de verdade, e pela primeira vez reparei em minha voz tremida, pela primeira vez naquele domingo eu fraquejei, as palavras saíram entrecortadas, eu catava as sílabas que me fugiam, e ela do outro lado da linha fingia que não doía nela também.
Liguei o computador, escrevi, que é como organizo meu pensamento, escrevi e parecia que eu estava ditando a mim mesma um texto requentado, agora acabou, agora é comigo, sei que vou conseguir, tenho meus motivos, e me dei várias explicações, tentei me convencer, eu estava tão racional, tão genial, eu quase consegui, e não almocei, zanzei pela casa, tomei um banho, troquei de roupa, tirei suas fotos dos porta-retratos e desabei pela segunda vez, a primeira sem que você testemunhasse.
Guardei na gaveta aquela fotografia em que você estava de boné, parecia um garoto, me agarrando pela cintura. Guardei todas. Aquela outra, nós dois, eu de novo enlaçada por você. E uma de você sozinho, um flagrante, você não percebeu, bati a foto enquanto você lia o jornal, tão lindo, você era tão lindo, você ainda é o mesmo homem depois de ontem, o mesmo homem sem mim? Eu me olho no espelho e não me enxergo, não sou mais a mesma, perdi a identidade. Tirar suas fotos de vista me pareceu uma providência curativa, agora você não o verá mais, querida, vai esquecê-lo mais rápido, como somos inocentes. E eu lá quero esquecê-lo? Sua presença ainda está tão quente dentro desse apartamento, o colchão ainda está meio afundado do lado em que você dormia.

Não sei se as pessoas choram de forma diferente umas das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare, não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem limite, eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero, sinto que caí num vácuo, perdi a parte boa da minha história, e não quero outra, enquanto choro penso que se alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, prestaria socorro, chamaria uma ambulância, eu nunca vi você chorar, você alguma vez chorou por mim, você sofre a minha ausência, sente minha falta? Estar sozinha nessa aflição me condói de mim mesma, é o labirinto do inferno, não há saída, não há saída, você não está me esperando lá fora, nem hoje, nem amanhã, você não vai fazer nenhum gesto para me resgatar, e se fizesse, eu não estenderia minha mão, e é isso que me faz descrer de tudo, eu sei que acabou, eu estava infeliz ao seu lado, eu estou infeliz sem você, mentira, eu era feliz ao seu lado, e nem sei se a palavra é essa, feliz. Felicidade é um resumo fácil, uma preguiça de investigar o muito mais que nos ergue diariamente, na época era o que me bastava, eu sabia onde estava e com quem, eu não estou infeliz, eu só estou perdida e não consigo mandar nenhum S.O.S., ninguém sabe onde estou, largaram meu corpo em cima dessa cama e ninguém me procura.
Choro, choro muito, choro agora feito uma guitarra dedilhada por um bêbado, sinto uma piedade inconsolável de mim, de tanto que recordo o quanto te quis e o quanto te admirei por amares a mim, era paixão inveterada, paixão de doer, paixão de não dar certo mesmo, paixão de perder o tino, e perdi por completo, hoje tento compreender duas ou três frases e nem isso me cabe, ficou tudo sem lógica, eu que prezo tanto a lógica, não entendo mais nada, mergulhei no escuro da minha perplexidade, você era meu até bem pouco tempo, mas vou sair dessa, veja, já estou enxugando as lágrimas, procurando meu celular para fazer uma ligação qualquer, esses compromissos que a gente inventa para fingir que a vida continua. Marquei hora no cabeleireiro sem ter motivo algum pra ficar bonita.

Não consigo mais ser uma pessoa comum, dessas que conseguem ver uma novela sem se afligir e que dirigem prestando atenção apenas nos sinais de trânsito, agora eu só assisto à tevê com o controle remoto na mão para que eu possa trocar de canal a qualquer indício de que virá cena de beijo, não consigo ver um homem e uma mulher se amando, é como se fosse uma agressão pessoal, vamos massacrar essa coitada, vamos fazê-la lembrar, mas não, eu não fico lembrando de nós dois, é muito mais torturante que isso, eu fico imaginando você com outra mulher, você beijando outra mulher, e isso me dá uma náusea que quase me faz desmaiar, fico em posição fetal, eu penso que vou ficar louca, como se já não estivesse, eu não posso ver uma foto de mulher bonita que já imagino o quanto você vai se interessar por ela, e vai desejá-la, eu passei a ter ódio de todas as mulheres que cruzam seu caminho, meu caminho. E no trânsito, eu só tenho olhos para as placas dos carros que são da mesma cor e marca que o seu, e quando um se aproxima eu rogo a Deus para que não seja você, e ao mesmo tempo quero que seja, e às vezes consigo não olhar, me sinto tão valente, consigo por minutos olhar só em frente, não reparo em nenhum veículo a minha volta, é como se estivesse sozinha na avenida, e é nessas horas que corro o risco de bater, eu acelero sem perceber e depois freio muito em cima dos outros carros, eu saio da minha pista sem sinalizar, eu esqueço pra onde estou indo, eu vejo você caminhando pelas calçadas e não é você, de repente todos os homens do mundo ficaram idênticos a você, e eu ainda não me envolvi num acidente por um triz, ou talvez já esteja mais do que acidentada para ainda ter que enfrentar essa dor na carne, de verdade, sem ser apenas uma metáfora. Evito olhar os casais de namorados nas paradas de ônibus, e tem um painel publicitário em que um homem olha para uma loira com um desejo tão escancarado que me retorço e choro só de imaginar você olhando assim para outra mulher, e eu sei que você está, ninguém precisa me contar, eu sei como é que você se cura, se trata, você não chora nem lamenta, você volta pra rua, você vai atrás de todas as mulheres nuas feito um vira-lata, você está olhando nesse instante para outra mulher, está entrando nela, dizendo a ela como ela é gostosa, você está me matando dentro de você, e eu morro a quilômetros de distância, a sós comigo mesma, você transa com outra e me mata, você goza e me mata mais um pouco, você dorme e me deixa insone pra sempre, eu sei que não vai ser pra sempre, mas eu não enxergo o dia de amanhã, hoje eu só estou acordada pro eterno desse pesadelo, você era meu, droga, exclusivamente meu até dias atrás, meu como esse sofrimento.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Fora de Mim. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2010.

Eu só queria acordar um dia de bem comigo mesma, me olhar no espelho e nao me criticar, escovar os dentes, ir pra escola, encontrar meus amigos, sorrir bastante e ver que a vida lá fora pode ser perfeita se eu quizer que ela seja.