Viver e Nao se Preocupar com o Futuro

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Nenhuma pessoa deveria ser transformada em remédio para uma doença existencial que não provocou.

Aquele que constrói uma vida interessante não precisa transformar o relacionamento em seu único acontecimento extraordinário.

Ser livre não significa não precisar de ninguém; significa não precisar trair a própria consciência para que alguém permaneça.

Há homens que procuram uma mulher para completar sua existência quando ainda não começaram a escrever a primeira página dela.

A autonomia não elimina o amor; elimina a necessidade de transformar amor em mecanismo de sobrevivência.

O indivíduo que conhece seus limites não precisa transformar cada despedida em tragédia nem cada encontro em promessa eterna.

A vida não deve ser medida pela quantidade de pessoas que desejam permanecer conosco, mas pela qualidade da pessoa que conseguimos ser quando ninguém está olhando.

A liberdade começa onde termina a necessidade de explicar continuamente nossas escolhas a quem não viverá suas consequências.

Não escolher o caminho esperado não significa fracassar; às vezes significa finalmente perceber que o caminho nunca foi nosso.

Ser emocionalmente independente não significa sentir menos; significa não entregar a administração dos próprios sentimentos ao comportamento de outra pessoa.

O indivíduo que não consegue dizer “basta” transforma qualquer vínculo em contrato de servidão voluntária.

Não existe liberdade sem responsabilidade: quem deseja escolher a própria vida precisa aceitar também o peso de não poder culpar permanentemente alguém por ela.

A liberdade afetiva não pergunta quantas pessoas desejam você, mas quanto de você permanece intacto depois de cada encontro.

A verdadeira autonomia não proclama guerra contra o amor; apenas recusa que o amor seja transformado em argumento contra a liberdade.

Seguir o próprio caminho não é fugir das pessoas; é recusar que qualquer pessoa, instituição ou convenção tenha o direito de caminhar dentro de nós sem nossa permissão.

Eu entendo e até me simpatizo com algumas ideias do MGTOW. Mas, para mim, isso não é exatamente uma novidade. Nos anos 90, eu já era um solteiro convicto, muito antes de qualquer movimento dar nome a esse modo de existir.


E não me entendam mal: eu adoro as mulheres. Vivi histórias, paixões, encontros, descobertas. Elas fizeram parte da minha vida de muitas maneiras. Mas, para mim, existe uma diferença entre gostar da companhia de alguém e precisar tê-la dentro de casa.


Socialmente, gosto das pessoas. Em casa, prefiro meus gatos, meu cachorro e o silêncio.


Talvez porque eu precise dele.


Preciso ouvir o que permanece quando o mundo finalmente se cala. Preciso de espaço para escrever, para pensar, para perceber aquilo que o ruído cotidiano costuma esconder.


Às vezes, tenho a impressão de que o vazio não é ausência de alguma coisa. É justamente o lugar onde certas coisas começam a dizer o que pensam.


E eu preciso estar sozinho para escutá-las.

A privatização pode ocorrer juridicamente em parcelas, mas sua constitucionalidade não pode ser examinada em pedaços quando o efeito produzido é estrutural.

A permanência do Estado no controle formal de uma empresa não impede que a função estatal seja progressivamente privatizada pela fragmentação de sua estrutura econômica.

No Direito, a privatização não se define apenas pelo que o Estado vende, mas também pela função pública que deixa de poder exercer depois da venda.

A privatização juridicamente relevante não se mede apenas pelo ato que transfere a propriedade, mas também pelo processo que transfere, progressivamente, a substância econômica da função estatal.