Viver e Nao se Preocupar com o Futuro
A finitude do observador não demonstra a finitude do universo; apenas recomenda cautela a quem pretende falar em nome da totalidade.
A mortalidade limita a duração da existência, mas não determina a profundidade que ela pode alcançar.
Recusar uma resposta sem evidências não significa rejeitar todas as respostas possíveis; significa exigir que cada uma apresente suas razões.
O cético rigoroso não afirma que tudo é falso; recusa apenas conceder à crença uma autoridade que ela ainda não justificou.
A mente livre não precisa substituir o dogma religioso pelo dogma antirreligioso; precisa libertar-se da necessidade de dogmas.
O questionamento não pertence exclusivamente à crítica da religião; é um instrumento que deve alcançar todas as convicções, inclusive as que se julgam racionais.
A coragem intelectual não está em negar o desconhecido, mas em recusar-lhe os nomes definitivos que nossa ansiedade deseja impor.
A tolerância intelectual não consiste em declarar todas as ideias igualmente verdadeiras, mas em permitir que sejam examinadas sem coerção.
A razão não exige que a imaginação seja silenciada; exige que ela não se apresente como testemunha daquilo que nunca demonstrou.
O direito de crer não transforma uma convicção particular em evidência obrigatória para a consciência universal.
Se não sabemos se o absoluto existe, afirmar categoricamente que ele é incognoscível também exige uma justificação que não possuímos de antemão.
A impossibilidade atual de demonstrar uma hipótese não prova que toda demonstração futura esteja excluída.
Às vezes, a dor e o sofrimento são tão intensos que não consigo suportá-los sozinho. E, no fundo, gostaria de ter alguém para me ajudar. Entendo que, muitas vezes, o melhor é pensar em si mesmo, porque algumas pessoas simplesmente não se importam com você e não se pode esperar nada delas. Mas, se eu agisse da mesma forma, deixaria de ser quem sou, e isso me causaria ainda mais dor e sofrimento. Não quero me tornar alguém orgulhoso, insensível ou mesquinho, pois, apesar de tudo, não quero perder a essência de quem sou.
Não conseguir refutar uma afirmação não obriga a realidade a confirmá-la nem transforma quem a enuncia em guardião do verdadeiro.
Entre o altar e o abismo permanece uma pergunta que não pertence a nenhum deles e que nenhuma autoridade pode encerrar por decreto.
Duas explicações possíveis não são necessariamente duas explicações igualmente prováveis, pois a possibilidade abre o debate e a evidência o diferencia.
Não conseguir imaginar como algo seria possível não demonstra que seja impossível; a imaginação também possui fronteiras.
A falta de prova não demonstra sempre a falsidade, mas tampouco fornece, por si mesma, uma razão suficiente para acreditar.
O ceticismo que não examina as próprias premissas corre o risco de transformar a dúvida em seu próprio dogma.
O silêncio do universo não é uma mensagem cuja tradução já tenha sido entregue à religião, à filosofia ou à ciência.
