Viver e Nao se Preocupar com o Futuro
O dia termina na calma constante daquilo que não fizemos - há, no entanto, a esperança do amanhã...
"Quando se exige algo que não se merece, superestimando as próprias capacidades, perde-se o contato com a realidade.
Isso se chame arrogância"
Aprenda a sofrer em silêncio, pois, não atrapalha a felicidade e a alegria dos que estão ao seu redor!
Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez
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Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não, não, não, oh
Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça aguenta se você parar
Não, não, não, não, não, não
Há uma voz que canta, há uma voz que dança
Uma voz que gira (gira) bailando no ar
O que é preciso nesta vida é ter-se visão larga e não se olhar o caminho, mas o destino onde o caminho vai dar. E se o destino é construído segundo os ditames do coração, então vale a pena lá chegar.
Manuel Lopes - livro "Chuva Braba", literatura caboverdiana.
O que a gente vê da vida é a vida passar e, se deixar, não aproveitamos a jornada. O final é factual, mas não apreciar as estações, os altos e baixos, os inícios e os finais é deixar de apreciar a própria natureza se manifestando.
Eu dou valor e honro muito minha história,
só eu sei o quanto ela me custou. Não me
importa o que os outros pensam.
O homem não evoluiu; apenas sedimentou camadas sobre aquilo que sempre foi. Sob a cultura, a moral, a linguagem e a própria consciência permanece um território mais antigo do que qualquer civilização. A consciência é apenas uma névoa tênue que paira sobre profundidades que nenhuma teoria psicológica alcançou por completo. Sigmund Freud chamou uma parte de inconsciente; Carl Jung falou em sombras e arquétipos. Mas há algo ainda anterior a essas formulações — uma região sem símbolos, sem linguagem, sem história. Se a pobreza das palavras permitisse nomeá-la, chamar-se-ia Primevo: não a primeira camada da alma, mas aquilo de onde todas as camadas emergem.
O Primevo não esquece. Tudo o que a consciência sepulta continua respirando nas profundezas do ser, aguardando apenas um corpo, um gesto ou um sonho por onde possa regressar. Nada do que é essencial desaparece; apenas desce para regiões onde a linguagem já não alcança. E, de tempos em tempos, rompe o silêncio para recordar ao homem que aquilo que ele chama de passado nunca deixou de ser presente.
Cada osso guarda uma memória mais antiga que a própria história. O Primevo não habita apenas a alma; sedimentou-se na carne, nos nervos, no sangue e na arquitetura silenciosa do corpo. Antes que a consciência aprendesse a pensar, o corpo já sabia sobreviver, temer, desejar e recordar. Há memórias que jamais passaram pela linguagem, porque foram inscritas na matéria muito antes de existirem palavras para descrevê-las.
Esperança Para Luciana
Luciana, não desanima.
Quando o marido foi embora,
Deus ficou.
Ele ampara nos mínimos detalhes,
enxuga lágrimas que ninguém vê,
cola os pedaços da alma,
e cura dores que doem em silêncio.
No deserto Ele não abandona.
É lá que forja o caráter,
que transforma areia em caminho,
e sede em promessa.
O que hoje parece fim
é só Deus te ensinando a recomeçar.
Ele te sustenta com mãos de Pai,
te levanta com amor que não falha.
Vai passar.
E quando passar,
você vai olhar pra trás
e ver que foi Deus te carregando
em cada passo.
*Autoria: Márcia Reis Nazar*
marcianazar5@gmail.com
Não é tragédia — é escolha. Repetida no cotidiano, sem testemunhas, sem drama, apenas a lenta adesão ao próprio desvio. O homem moderno não despenca no vazio: constrói-o, camada por camada, imagem por imagem, enquanto evita o espelho que o revelaria. Incapaz de se ver, inventa culpados, projeta faltas, cria bodes expiatórios para sustentar a ilusão de que não foi ele quem, em silêncio, edificou o próprio colapso.
O silêncio tornou-se insuportável não por ser vazio, mas por transbordar do que foi evitado. É nele que se acumulam as verdades adiadas, os afetos não elaborados, as perguntas que não encontraram coragem. A exposição contínua não busca comunicar — busca encobrir. E, assim, quanto mais se fala, mais se foge; porque o silêncio, quando enfim se impõe, não oferece ausência — oferece encontro.
Aquilo que depende de validação externa nasce instável. Não se edifica sobre si, mas sobre o movimento do outro — e o olhar alheio, por natureza, nunca se fixa. Âncoras móveis não sustentam estruturas duradouras; apenas mantêm o equilíbrio provisório de quem já não sabe onde está o próprio centro. E assim, quanto mais se busca firmeza fora, mais se intensifica a instabilidade dentro.
A visibilidade deixou de ser excesso — tornou-se prótese. Não se exibe por abundância, mas por sustentação: sem o olhar do outro, o sujeito não encontra chão suficiente para existir. A audiência não é ornamento, é muleta existencial. E assim, quanto mais se mostra, mais se revela a dependência — não de ser visto, mas de só conseguir ser quando visto.
O que frequentemente se rotula como narcisismo não é excesso de si, mas sua carência: uma identidade que não se sustenta e precisa recrutar o olhar alheio como prótese. Não há transbordamento, há dependência; não há centro, há busca. E assim, o que parece vaidade revela, no fundo, um esforço contínuo de existir por meio do outro.
