Vivemos
Vivemos uma fantasia
onde o futuro é o nosso
objeto de desejo.
Ao desejar esquecemos
que o mais importante
é o viver.
Vivemos um mundo
onde o importante para as pessoas
é ser igual, mas esse igual não é
no sentido da equidade,
mas da popularidade, porque para essas pessoas
o que verdadeiramente importa
é a evidência.
No mundo tecnológico do século XXI, vivemos bombardeados de informações, então, saber fazer uma triagem de tudo que nos chega, exige sensatez, visão crítica e principalmente, organização, para
que não sejamos consumidores de
informações improdutivas ou não verdadeiras. A dúvida que surge é sobre quais competências nosserão exigidas para continuarmos produtivos no século seguinte.
Na era da comunicação, vivemos a contraditória realidade da ausência de diálogo dos agentes sociais, pois estando imersos à tecnologia não enxergar quem está ao seu lado.
Vivemos uma era da escuridão entre luzes,
onde os caminhos iluminados,
não conduzem ao clarão das ideias,
mas às trevas da ignorância.
Cada momento que vivemos, por mais amargo que seja, podemos amenizá-lo, se soubermos enxergar que o mesmo não é eterno e que temos a possibilidade de mudar, justamente por ele não ser o que queremos.
Vivemos uma era em que o homem quer ser algo que ele não sabe o que é, pois vive um narcisismo que é dependente, diretamente , da aceitação do outro, o qual não sabe que ele existe.
Quando olho para um transeunte na rua,
enxergo que vivemos em um mundo repleto de outros mundos, onde integrantes desses mundo não capazes de imaginar a existência dos mesmos e muito menos como ela se dá.
Vivemos uma realidade no século XXI, na qual o estar feliz não se concretiza apenas na conquista, mas, principalmente, no reconhecimento do outro ao que foi conquistado.
Vivemos uma era do narcisismo dependente, pois o sujeito necessita da aceitação do outro para legitimar o seu desejo de se exibir.
Vivemos em um mundo criado por nossas imaginações, onde as satisfações e os medos podem ser os monstros que nos conduz para uma vida de lamentações.
Hoje vivemos uma vida compartilhada,
onde a dor e a felicidade não são apenas suas, pois há uma necessidade de compartilhar para legitimar.
Vivemos vários mundos dentro de um mesmo mundo
com várias histórias que se entrelaçam direta e indiretamente,
onde a singularidade só há na concepção de que somos seres mortais,
mas que se divergem em tudo mais, principalmente, nos direitos e na igualdade.
Vivemos a era da informação
sob o poder obstinado da burrice,
onde a pseudo ideia de sabedoria
se confunde com o lapso temporal,
de sua consciência que fere e é ferida.
Vivemos a contradição de uma busca obstinada no por uma felicidade construída em prol de saciar os desejos que são insaciáveis.
Vivemos uma realidade criada pela a nossa fértil imaginação,
a qual cria um real que nos posibilita
viver o imaginável que sobrepomos
ao natural.
Vivemos as nossas vidas em busca de algo que nunca somos capazes de encontrar, porque não sabemos, com clareza, o que seja e como encontrá-la.
"As pessoas são o reflexo do mundo em que vivemos. Aquelas que são mesquinhas transformam o mundo em um lugar de infelicidade. Por outro lado, as pessoas felizes valorizam o tempo que passam com os outros, mas também sabem aproveitar o tempo quando estão sozinhas, evitando que ele se torne vazio e perdido."
Vivemos de buscar certezas
Mas jamais estaremos satisfeitos
Ao obter uma certeza incerta
Vivemos de buscar uma certeza
E morremos ávidos
Em querer sempre
Que ela seja do nosso jeito
E assim espantar aquela dúvida
de que, por que será
Que a nossa certeza
Apesar de tornar este mundo
Um lugar pra lá de perfeito
Jamais
É a certeza certa
Viramos a mesa
Mantendo a alma na dúvida
Obtemos certeza incerta
Sem perceber jamais
Que a vida é somente viver
Havendo sempre a opção
de poder estar feliz
Vivendo do jeito
que sempre quis e desejou
Pedindo a Deus
A certeza de que nunca mais
Vai precisar pedir nada
Além daquela paz
tão desejada quanto certa
Pois a certeza mais cristalina
Que Deus nos concede
e também que o tempo ensina
é que, neste curto espaço de vida
Não existe certeza de nada.
Edson Ricardo Paiva
