Viva a Vida como se Fosse a Ultima
O AMOR É UM GUIA PERFEITO
Nascemos num mar bravio
Jogados no mundo seguimos
Sem rota segura, como cegos
Sem guia, vivemos à procura
De um lugar de paz ,
O caminho é escuro, de angústias e ais.
Até que na penumbra da dúvida
Alguém nos estende a mão
Nos oferece um ombro amigo
E de mãos dadas seguimos juntos
Desviando dos abismos imprevistos
Nos apoiando um no outro
Vamos vencendo a distância
Que nos separa do porto seguro .
De olhos ainda fechados não entendemos
Que sorte de milagre nos foi concedido
Pois a paz e o abrigo agora são reais .
Quando a confiança se firma
E o afetos são recíprocos
Abrimos os olhos e compreendemos
Tudo, como um encanto sublime
Percebemos, enfim, que não éramos dois
E que só chegamos em segurança ao nosso destino
Porque havia outro entre nós .
Paramos e fazemos uma prece
A gradecemos a Deus,
Por nos ter dado um guia perfeito
Entendemos o milagre.
Durante toda caminha
Fomos guiados pelo amor
Evan do Carmo
Como se tornar inimigo número um da maioria? Basta apoiar a minoria, defender os fracos e oprimidos.. Por este motivo mataram o Cristo..
AOS CHARLATÃS DE VÁRIAS ESTIRPES
"Quer agradar a maioria, venda uma boa mentira, como a salvação garantida, a cura para o impossível ou o sucesso para quem não tem talento... Autoajuda não ajuda, mas engana facilmente a quem não consegue encarar a realidade...."
Evan do Carmo
AFRODISÍACA
Você pintou como o sol
Numa manhã de verão
E a luz do seu olhar
Acendeu meu coração
Que andava tateando
Na sombra da solidão
E calor dos lábios seus
Acordou o meu vulcão
Você não é vento fraco
Você é um temporal
Você é fruta madura
Que não precisa de sal.
Eu sou poeta, se você é poeta também, assim como eu, então sabe que a melancolia produz a centelha da poesia.
Se for poeta profundo, de alma larga, saberá descrever a dor angustiante que nos acomete sem nenhum propósito ou motivo.
Escrevi coisas profundas, de infinita beleza estética, que retirei do mais soturno abismo, para onde a melancolia imprevista me transporta.
Não sabe como começa escrever uma bela e essencial história? Melhor escrever sobre ti mesmo, escreve com detalhes, a tua história de vida, mas partindo do teu mais profundo abismo.
INFERNO
Um estado de espírito
Um mito cruel da falsa religião
Algo que podemos construir como morada,
para a alma e para o corpo
O TEMPO LEVA TUDO
As coisas efêmeras, como a paixão humana e a dor de consciência, costumam mudar rapidamente suas intensidades. Isto se dá de acordo com os pontos de vista de quem as sofrem. Até as coisas materiais, como rios, mares e montanhas, podem ser despercebidas quando um viajante cansado se enfada de admirar a paisagem.
Neste caso, a culpa é sempre do viajante que não consegue travar um diálogo perene. Segundo Rochefoucauld, assim se dá com os sentimentos, como o amor e amizade.
Os homens andam muito cansados para carregar para sempre o peso de uma amizade; e um grande amor pode emagrecer e até desaparecer se for apenas alimentado com mares, rios e montanhas de saudade.
Hoje
Hoje tenho apenas a imagem de ontem.
Como arte impressionista
Indefinida, sem correção
Tenho as marcas do amor em mim
E em teu corpo as rugas do tempo
Elo perdido, um condenado sem redenção.
É tudo que temos do nosso desencontro
Tão distante
Um simples rascunho de aprendiz
Uma sombra do que fomos um dia.
Amigo que se tornou amante.
As canções que ouvimos juntos
Ainda ressoam em mim, trazendo-me calma
No mais recôndito abismo da minha alma
Encontro, como um jarro quebrado,
Razão para ter esperança.
Sonho, quimera, ilusão de criança.
Lembro fortuitamente da chuva de verão
Das folhas de outono colorindo a tarde
Sobre nossos passos distraídos
Quando juntos caminhávamos sem propósito
Em busca do paraíso perdido.
que acalentava-me o coração.
COMO SER UM ESCRITOR
Você só será um escritor de fato, um escritor de verdade, capaz de causar todo tipo de reação ao leitor, como dor, sofrimento, raiva, desespero, prazer e riso, quando for capaz de escrever tudo que pensa de si mesmo, dos outros e do mundo. Quando for capaz de escrever tudo que viveu, tudo que se lembra dos sonhos e desejos abortados, quando for além da barreira da razão, do fantástico, do imoral, do perigo, do impróprio, e do absurdo, só então poderá se considerar um escritor. Caso contrário será apenas um aprendiz, um sonhador, no máximo um jornalista, cronista medíocre da vida real.
Evan do Carmo 18/02/22
Angustiante é falta de alguém
como navalha a cortar
a carne inerme
a saudade que não some,
só vai e vem, a roer minha
cabeça como um verme.
Encantado eu sigo sem descanso
minha lira afinada só destoa
como Nero eu a quero e não alcanço.
Sua boca quando abre me desarma,
me acalma o seu canto de sereia.
Quero tudo que sair de tua alma,
teu perfume de nardo me embriaga
me afagae prende em tua teia.
(...) Nosso prisioneiro, como todo homem preso, se encontra sem rumo, sem ninho, não pertence a lugar nenhum, apenas existe na memória. Contudo pertencer é habitar, fazer parte. Mas pertencer é mais que estar presente como ornato. Pertencer é compor, no sentido pleno, ser coautor de uma obra em movimento. Primeiro eu me pertenço, habito este universo chamado eu. Sou dono de mim, obra em construção, sendo autor único, posso alterar o curso do projeto de vida. Mas um homem preso não pertence a nada nem se pertence.(...)
"Escrever para mim, é como tocar piano, sem nenhuma analogia digital.
A nota certa só é alcançada depois de muito ensaio-assim escrevo poemas e aforismas, com os quais consigo deixar escapar minha verdade,
sobre o modo de como vejo mundo."
"As disputas são rasas, rasteiras como são as almas do seus competidores. Eu acredito no ofício, em que não é necessário lutar para convencer da sua importância, por isso nunca entro em concursos. Não acredito no julgamento humano, sobre qualquer ponto de vista."
"Não se pergunta para um poeta como ele faz sua obra, ou em que momento é mais criativo, ou quantos poemas já fez. É o mesmo que perguntar para uma dona de casa quantos pratos ela já lavou na vida."
Eu quero você, como eu quero!
E não espero que você seja outro alguém...
Entendo que você estando perto, tudo está certo, está tudo bem!
Eu quero você desse jeito...
Tão imperfeito...para o meu bem!
No fundo o que importa é ser assim...você em mim...eu em você...
E o mundo além...!
Eu quero você com certeza!
Sinto firmeza, você também!
Eu quero você do meu lado
Estou cansado...sem um futuro, sem um passado...
Quero o presente...
Que é você, meu bem!
TRÁGICA COMÉDIA
Numa corda feito um laço
Como rede de arrasto
Atraídos pelo pasto
Pra comer um pão dormido
Pelo verme preterido
Na mesa de um ser nefasto
Como gado na campina
Ora em baixo ora em cima
O povo sempre é ferrado
Recebe a marca da fera
Da pantera insaciável
Mas se tem pão,
Se tem circo
A formar o mesmo ciclo
Em torno do antigo mito
Que outrora já morreu
O povo segue encantado
Sobre a mesa enfeitiçado
Bebe vinho adulterado
Se embriaga e vai pro céu.
Mas se tem pão,
Se tem circo
Ou auxílio estatal
A barriga satisfeita
De esquerda ou de direita
Não importa a desfeita
Deste monstro colossal.
Eu sou poeta e não minto
E neste verso sucinto
Digo de fato quem sou
Sou avesso à ideologia
De qualquer forma ou valia
Sou anônimo cantador
Quero que tudo se exploda
Nesta luta imbecil
Não sou branco
Nem vermelho
Amarelo ou azul anil.
Passa o homem e fica a terra
Onde sempre se enterra
Todo louco varonil
Revolucionários tolos
Nero's incendiários,
Napoleões sedentários
Todos vão para o funil.
Eu sou poeta e descordo
De tudo que ora vejo
Não sou desta vil seara
Tenho sempre outro desejo
Que a paz um dia chegue
Não por obra de doutores
De filósofos pensadores
Ou políticos estrangeiros
Mas a paz é uma utopia
Que o homem insiste em ver
Lá na frente, no horizonte
Lá na serra, atrás do monte
Um arco-íris a crescer.
Como boi atrás do pasto
Numa corda, por um laço
Atraídos ao nefasto
Detentor deste poder.
Eu queria sim de fato
Ensinar para o meu neto
Que sempre vence o afeto
Mas o mundo diz que não.
Sempre vence a vilania
Ou a cruel covardia
E a pureza sadia não cresce no coração.
Morre o homem, morre o pato
Morre até o cão amigo
Esta vida é um perigo
E a paz é uma ilusão.
Morre até homem valente
Morre o soldado e o tenente
Morre até o capitão.
Morrem sem ver o futuro
Que almejamos pelo muro
Desta infeliz geração.
O sistema que criamos
Neste toma-lá-dá-cá
Nesta via de mão dupla
Nunca pode prosperar.
O homem sempre é o rato
Nesta peça de teatro
Sob nova direção
O diretor é o gato
Mas sempre quem paga o pato
É o miserável cão.
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