Viva a Vida como se Fosse a Ultima
O arianismo foi condenado na igreja primitiva como heresia, e sua representação moderna nas Testemunhas de Jeová continua sendo considerada heresia. Já o determinismo maniqueu foi condenado na igreja primitiva como heresia, mas sua representação moderna no Calvinismo é considerada ortodoxia. Alguma coisa errada não está certa.
A felicidade brilha nos breves intervalos do sofrimento, como um raio de sol entre nuvens escuras. Ela nos ensina a valorizar os raros momentos de paz, encontrando beleza e gratidão mesmo nas adversidades.
A Estranha Geometria da Ausência
Existem pessoas que a gente assume como parte da paisagem. Como a poltrona velha da sala, o barulho da chuva no telhado ou o cheiro de café passado às sete da manhã. Não precisamos olhar diretamente para saber que estão lá; elas apenas ocupam o espaço, garantindo que o mundo permaneça em ordem.
Ela era essa presença. A única que esteve lá o tempo todo.
Na mudança de apartamento, ela carregou as caixas mais pesadas não as de papelão, mas as da alma. Nas noites em que a ansiedade vinha, era a luz constante no fim do corredor. Conhecia minhas piadas sem graça e suportava meus silêncios de homem de poucas palavras, aquele mutismo típico de quem tenta resolver o universo sem usar verbos. Ela não cobrava explicações; apenas ocupava o espaço, segura.
Sempre achei que, se tudo ruísse, ela ainda estaria ali, segurando a última viga para que eu não fosse soterrado. Acreditava piamente na perenidade daquela âncora.
Mas a vida tem um jeito irônico de nos ensinar sobre a efemeridade. A pessoa que mais permaneceu foi a primeira a encontrar a porta de saída.
Hoje, quando chego em casa, a poltrona está no mesmo lugar, o café ainda tem o mesmo cheiro, mas o ar... o ar está leve. Leve demais. A ausência dela não é um grito, é um sussurro contínuo, uma frequência de rádio fora do ar que eu ainda tento sintonizar.
A única pessoa que esteve lá o tempo todo, é a única pessoa que não faz parte mais da minha vida.
Olho para o lado e há um vazio inabitado. Aprendi, da maneira mais seca possível, que presença não é garantia de permanência. E que o silêncio dela, agora, fala mais alto do que qualquer "adeus" que eu jamais ouvi. O tempo segue, as coisas mudam, e eu, um homem de poucos verbos, me vejo tentando aprender a gramática da solidão.
"Incrível como uma música específica te faz lembrar de uma pessoa específica, mesmo após longos anos."
Isolou-se
Isolou-se...
como uma ilha no meio do oceano
isolada...
isolado...
nada em todos os lados...
Por todos os lados...
De todos os lados... desgarrado.
Decepção, dor...
dormência total,
torpor.
Dorme seu coração
só, sem ninguém,
sem nada no meio do nada.
Decepção, dor...
dormência total,
torpor que embala a alma,
silêncio que pesa no ar.
Dorme seu coração,
só, sem ninguém,
despido de esperança,
mudo em meio ao vento.
No vazio do nada,
ecoam memórias apagadas,
lágrimas que não caem,
feridas que se fecham em vão.
E nesse sono profundo,
onde o tempo parece quebrar,
o peito sente a ausência,
o frio de um mundo sem calor.
É isso que faz uma vida sem amor.
des...
faz...
se...
Os partidos que funcionam como seitas não formam deputados com voz própria, apenas criam pessoas para aplaudir.
A velha geração usa o passado da guerra como escudo para silenciar a juventude e foge à prestação de contas.
A forte partidarização do Estado faz com que a crítica interna seja tratada como traição. Os deputados silenciam-se perante os erros para proteger privilégios.
A lei de causa e efeito diz que todas as coisas equivocadas que eu faço voltarão para mim como benfeitorias e estímulos a que eu continue valorizando tudo o que há de bom na vida.
A única coisa que eu sei é que tudo acontece como eu acredito. Se eu deixasse de acreditar e começasse a perceber, o mundo dos fatos se revelaria. Isto é a Verdade, o que há de mais abrangente.
Para ficar sem pensar, é preciso compreender as palavras apenas como uma pequena parte da percepção, que é captar o imediato, sem memória e sem objetivo. Assim nos tornamos parte da paisagem.
Os seres nulos
Caminho pela rua velha e escura, como de costume, mas, esta noite é diferente. Posso perceber a vida, os seres em toda a parte. Sob os meus pés, as lajes de pedra, acima de mim, os prédios se elevando no céu cinzento. As árvores se estendendo para me proteger, os postes, segurando a calçada, os homens a gritar no breu, sem nada, sem rumo. Quem me dera eu fosse antes alguém que pudesse ordenar a vida que se esvai, se eu vivesse a redimir o quanto se chorou por não haver consciência daqueles que ninguém nunca deu valor.
Sempre me encontro comigo mesmo nas coisas que eu já escrevi. Como pude ser tão velho e sábio anteriormente e, agora, tão jovem e curioso? Todos esses eus não dependem do tempo, estamos todos aqui.
A ave que vive de catar o lixo é magnífica. Ela é simples e pobre, como todos os animais. O urubu levanta o pescoço para que eu o veja.
Leve
No mundo, todos podem ser poetas. Vão produzir poesias com ideias comuns, como são as pessoas comuns, que nunca se aprofundaram nas rimas. Isso eu pensava sentado à mesa do bar, comendo um bolinho de batata, acompanhado de um suco de melancia. Existiria uma situação mais adorável? Eu tentava, em vão, me convencer de que havia algum motivo para que eu saísse dali e fosse para casa. Em outro lugar, em qualquer lugar é a mesma coisa: onde eu estou é a perfeição, não há a necessidade de esse ir e vir interminável. É aqui que eu estou, carregando a minha felicidade para toda parte.
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