Viajante
O vento,
vem, e vai para aonde?
brilhando, remando
é noite incerta
é dia brilhando,
o vento é horizonte,
até quando ?
o vento vem repousando,
em tempos de mares, amores
é fim de tarte,
o vento desce ,
cantando....
Experiência de peregrino.
.
Eu via uma terra de viajantes, terras distantes.
Alguns jovens sentado à margem, pássaros cantando,
ramos de flores, algumas cores do presente.
-- Vi uma geração, cantando alto aos montes,
vi brilho de criança, com sorriso de paz,
havia mares ao redor da ilha,
o sol era quente; havia nascentes de águas puras
observei e vi vidas, saindo da semente,
músicas clássicas em cantos gregorianos,
os velhos não envelheciam, àespera do final
Havia uma escola de cantos,
fogo sagrado em cada instrumento,
os instrumentos eram homens
que através da história
buscavam fazer uma cidade melhor
Sábios, juntos da palavra,
sábios, perto de Deus
cidade fortificada,
cidade poética
O amor,
criou a chuva,
de tarde, lavou-me,
o amor,
criou as asas,
a noite, livrou-me,
o amor,
é almas, alvas, salvas
céu a céu,
o amor,
vestiu-se, de luzes
tornou-se, humano
Viagem interior
.
Amanheceu,
aqui, estou
breve no olhar,
transparente no amor,
.
no vento,há intervalos
espantos e sentimentos,
hoje carrego,
o meu próprio canto,
ainda ando, tranquilo
respiro, e sei
até aqui,
sou confiante,
viajo dentro de mim.
Desta janela, eu vejo
a imagem de um céu em névoa,
chuva molhando a terra,
árvores em roupagem de flores
já é novembro,
e ainda estamos aqui,
pegadas deixadas no tempo
o vento é apenas silêncio
uma página de meditação
chegou o frio!
vi o fio acendendo as luzes
fez-se, tarde do segundo dia
é magia, brilhante,
Oh! viajante iluminado;
em versos simples,
em solo sagrado
pastos verdejantes,
mensagem de paz
È preciso muita coragem,
para enfrentar essa estrada, esse frio, esse vento e essa chuva,
-- Pensei em voltar, disse o viajante: mas como voltar se já não sou quem eu era quando sair ?
Meu lugar é aqui, peregrino....
A vós, que sois peregrinos,
sigam com olhos agradecidos,
à frente, não duvidem
ao triunfo! ao destino!
.
"O viajante, na terra dos heróis nacionais".
"Há um outro mundo, além dessa estrada...
há uma luz acessa nos corações dos homens,
depois do vazio, e do abismo entre as pontes,
haverá um rio azul, dizia o viajante".
Lancei toda minha infância
em uma estrada de chão,
ali, parte de mim floresceu,
da imaginação surgiram histórias
Do alto monte o olhar
até onde levarão os meus pés?
perguntou o viajante.
§
A luz que faz o nascer, numa voz de canto
Numa voz de espanto, ao desconhecido
Um caixão nos espera, ou uma coroa, acorda!
Meus versos estão dormindo, acorda!
(...)
Esse sono inibe a beleza que está lá fora,
Agora, a luz desta manhã é oferta de gratidão
Em vestidos novos, se despiu para o mundo
Azul-celeste, brilhaste a este céu
(...)
Caminhante! Eis o caminho e a viagem!
Abra os olhos, veja as alas dos ventos
Fujam das cobiças dos homens
Torna o teu nome, uma casa de paz
(...)
Para aonde levará esse teu caminho?
O que dirá a teu favor a sua linguagem?
A casa vernacular é uma cova fecunda
Cada homem, espalha-se em sua eira
(...)
Sozinho em lama, resta-lhe o silêncio;
Em terras profundas deságua,
Acorda! É tardia as histórias
Sobre ti, há um rio de memórias
(...)
Ei o tempo perdido, recupere-o de logo
Nutre a aurora que espalhastes
Apreende o caminho ao caminhar
Não volte! Nunca mais a está aqui
Ande! Avance! Acorde.
§
in: TORVIC, Allam. O viajante iluminado. São Paulo: 2023
"Se existe algo que o peregrino ama,
é o mistério.
Talvez esse seja o maior caminho,
a busca por significados".
§
P e r e g r i n o
No campo eu aprendi a cuidar do arado, eu me lembro que levava as ovelhas e os cachorros até um monte alto, de onde via a cidade;
lá em cima havia um pé de coqueiro, onde repousava. E para mim, era uma aventura, uma espécie de pastoreio.Minha vó, muito generosa, fez uma "capanga", de couro para mim e nela eu levava, comida e água.
Eu ficava muito tempo com os bichos, com o silêncio e observando de longe a cidade; mais tarde havia sempre um vento que soprava o coqueiro, mas embora eu fosse ainda menino, não tinha medo do vento, pelo contrário, eu repousava e ouvia o vento passar.
(...)
Eu fiz peregrinação
até Jerusalém,
Fui um correspondente
No afã da aventura
§
Conheci,
A geografia das almas,
pelos mistérios
do mundo
§
Dificílimo.
É permanecer
continuar a ser
peregrino
Aprender.
§
—
A experiência do homem do campo é uma experiência espiritual. O plantar na terra às 5h da manhã é uma oração matinal com sementes de louvores. Descalço, caminha entre as rosas, a revelação do real, em solo sagrado. Cultivar e guardar é a liturgia da vida.
.
[Cultivar&Guardar, o viajante iluminado].
Ele esperou-a, para uma grande viagem; convidou-a, porém, ambos se distraíram com um muro que havia no caminho, sem perceberem, parte do muro levava um para uma trilha, enquanto o outro para um rio...
Desde então, já não era mais uma história de paixão e aventura, agora, tinha se tornado uma história de muros, distrações e desencontros....
,
Então parei e observei:
vi, que havia muita pressa nos passos dos homens;
pouquidade de silêncio, e sobras de irreflexão.
.
Um lapso temporal, para muitas saudades,
é tudo que manteve-se, nessa estrada,
encalços e índices de reencontros.
.
["O viajante, em meio a eira do campo"].
