Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues

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⁠monja de salto-agulha
encontra o teu destino
imola-te na laça poeira
do celeste e laço doce
uno absorvente e único
das infinitas cadências
porque virão galáxias
e cometas invisíveis
velar a mulher densa
untada do encarnado
quente e magmático
resplandecente corpo
onde a mulher morta
dá lugar ao vaticínio
há mil anos escrito
no sangue e no fogo
o universo ressurge
enquanto a deusa nasce
da kundalínica nébula
que os povos adorarão.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "monja de salto-agulha")

Poema dedicado a Sheila

Inserida por PoesiaPRM

⁠mês de julho
dia vinte e dois
farias sessenta anos
mais os quatro decorridos
sobre o ano que adormeceste
a palavra pai é como um balão aceso
sobre a imprecisão contígua da boca cerrada
só a prejuízo a poderei pronunciar com a leveza certa
porque arde e não sei quando se fará noite dentro de mim.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "vinte e dois de julho")

Inserida por PoesiaPRM

⁠quero a poesia alta e superior
a que se eleve acima do corpo
capaz de transcender a lucidez
como se o sonho da montanha
fosse mais importante e nobre
que a própria subida à montanha
uma poesia que não obedeça
ao circadiano ritmo dos homens
uma poesia portanto sem o ritmo
perpendicular da língua no céu
cheio de uma tonalidade viva
que não seja o azul celeste
quero a poesia que incapacite
os homens ásperos da terra
incapazes da vigília letárgica
de um astro que os queime.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "um cometa chamado poesia")

Inserida por PoesiaPRM

⁠pai
não tenho memórias
desde que mostraram
a mortalha coerciva
cercando o teu corpo

pai
ouvia dizeres “é a fingir”
eu ria e dizia “é a fingir”

por isso todos acreditaram
que a minha extravagância
era um produto da loucura

pai
como se na aritmética
da vida que continua
e do tempo que passa
coubesse alguma lógica.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "aritmética do luto")

Inserida por PoesiaPRM

⁠procurando a poesia
terrestre e concreta
observam as mães
as mãos do poeta
cada vez mais fundas
cada vez menos visíveis.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "as mãos do poeta")

Inserida por PoesiaPRM

⁠se eu fechar os olhos
pelo instante breve
talvez o instante perdure
porque a escuridão é
uma luz por instruir.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "a instrução da luz")

Inserida por PoesiaPRM

⁠uma flecha que anoitecesse no tempo
lugar, pedaço de terra, erva ou árvore
uma flecha que resistisse implacável
à biologia de uma meia volta de Úrano

sem a subtracção de uma soma
este lugar contém o mesmo
azul celeste sem ser galáctico
poalha invisível sem ser cósmico

é este o lugar onde renascem
os primeiros homens órfãos
do destino sem distinguirem
a mortalidade do seu tempo

densos e altos e firmes poentes
ave, voo pleno ou plano boreal
desvelam frondosos sobre a água
o misticismo das sereias mudas

ninguém as vê plantando os peixes
ninguém as vê caminhando sobre o céu
ninguém as vê contando as pedras
e os peixes voam no céu como pedras.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "os peixes voam no céu como pedras")

Inserida por PoesiaPRM

⁠nas asas cegas
a traça sonda

sobre a luz da vela

a misteriosa beleza
o lúgubre destino

a sua morte inesperada.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "nas asas cegas")

Inserida por PoesiaPRM

⁠ancestral aranha que mascaras
balaustradas, capitólios e olimpos

sigiloso movimento trespassando
o invisível lugar de visível vazio

aroma metálico ou apurado gume
na distracção sonora do sono

afinal, de quantos rituais e cantos
ou milenares hecatombes aladas
se fazem as arestas criminosas
onde jazem brancas e indefesas
as mil e uma esvoaçantes criaturas
que encontraram na sedutora luz
o seu destino ébrio de inocência?

(Pedro Rodrigues de Menezes, "ancestral sibila")

Inserida por PoesiaPRM

⁠é olhando para todas as mães
com as suas vaginas derrotadas
e os ventres espiando a cicatriz
que me adormecem os olhos
perante a mão cega e grotesca
somos incapazes de vir ao mundo
sem ensanguentar o mundo inteiro
sem arrancar dormitando ainda
sendo ainda esse sonho por gerar
pedaços vivos da carne e do sonho
criaturas invariantes e futuras
condenações a estourar hediondez.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "hediondez maternal")

Inserida por PoesiaPRM

⁠o corpo pairando
suspenso nu
fantasma sem cor
com forma de fantasma
candura obliterada
interrupção incomum
cadáver assombroso
terra inclinada na chuva
um poeta sobre uma poça
milenar
o sangue coagulando todo
vertical

a veia míope tocando o
horizonte

a vírgula expansiva da sua artéria
cavernosa

os pés, uma chaga infernal do
caminho

as mãos, um claustro negro de
silêncio

o poeta salta
o poeta corre
o poeta também ri
mas o poeta está morto.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "o poeta, o poema e o fantasma")

Inserida por PoesiaPRM

⁠A natureza do homem nem Deus muda.

Inserida por LeandroAR

⁠Embora na Fibromialgia a dor não seja visível, esta é real e causa muito sofrimento e desconforto. Contudo, geralmente é incompreendida pelas pessoas por falta de informação.

Soraya Rodrigues de Aragao

Inserida por AlquimiaPsi

⁠Ainda que na Fibromialgia a dor não seja visível e “grite em silêncio”, isto não significa que seja menos pungente que qualquer outra dor.

Soraya Rodrigues de Aragao

Inserida por AlquimiaPsi

⁠Quem tem a Psicologia como profissão e como paixão, não vive somente um propósito de vida, mas um amor eterno que se renova todos os dias.

Soraya Rodrigues de Aragao

Inserida por AlquimiaPsi

⁠Tudo se inicia com uma decisão e um posicionamento. E você, o que decide para sua vida dentro das suas possibilidades?

Soraya Rodrigues de Aragao

Inserida por AlquimiaPsi

⁠Bom dia, abençoado dia! O que desejo para você neste dia que se inicia?
Um dia cheio de prosperidade, com gosto de felicidade, aquela que vem da alma, floreada com a paz de espírito. Que você tenha sabedoria para filtrar o que se pode resolver no momento, o que não se pode postergar, como administrar os desafios da vida. Que hoje vocè tenha muita energia para o que realmente vale a pena empreender esforços.

Soraya Rodrigues de Aragão

Inserida por AlquimiaPsi

⁠Ninguém precisa ser igual a ninguém e é na diversidade que habita a riqueza. Você não é uma tendência, você é uma pessoa com uma individualidade e personalidade.

Soraya Rodrigues de Aragao

Inserida por AlquimiaPsi

⁠Um processo de luto é algo doloroso, não existindo aquele menos sofrido ou melhor de ser elaborado, pois a dor é a de quem sente e sempre é legítima.

Soraya Rodrigues de Aragao

Inserida por AlquimiaPsi

⁠É exatamente neste ponto de desgaste em que as emoções e sentimentos não se expressam através do choro e da fala, mas se manifestam através dos processos somáticos. Na somatização, as pessoas não choram com os olhos, choram com algum órgão do corpo; os estados emocionais represados encontram a via do físico para se expressar.

Soraya Rodrigues de Aragao

Inserida por AlquimiaPsi